Quinta-feira 22 de Agosto de 2019
Inicio / Noticias / «A emigração é uma grande dádiva de Deus» afirmou o pe. Rui Pedro no V Encontro das Migrações, em Estoi

«A emigração é uma grande dádiva de Deus» afirmou o pe. Rui Pedro no V Encontro das Migrações, em Estoi

Foi, uma vez mais, uma grande e expressiva jornada de amor solidário e fraterno e de plena vivência ecuménica em Cristo Senhor a que ocorreu naquela Comunidade Paroquial do interior algarvio, promovida pelo Sector Diocesano das Migrações e Comunidades Étnicas, de que é director o padre Júlio Tropa Mendes e que congregou largas centenas de emigrantes portugueses oriundos de todo o Mundo e de muitos cristãos migrantes, designadamente dos PALOP’S, do Brasil e dos países do ex-Leste Europeu (Ucrânia, Roménia, Bulgária, Rússia, etc). O encontro, que se iniciou com o desfile e cortejo processional com as bandeiras do Vaticano, de Portugal e das nações com filhos oriundos das mesmas, teve a participação de destacadas autoridades algarvias, entre as quais o Governador Civil do Distrito, António Pina; do presidente e vice-presidente da Câmara Municipal de Faro, respectivamente José Vitorino e Helena Louro e do presidente da Junta da Freguesia de Estoi, Paula Brito. Presente também à solene Concelebração, o padre ortodoxo Nikolau (capelão da comunidade ucraniana), sendo os cânticos entoados em português e em crioulo pelo «Coro Nova Esperança», constituído maioritariamente por cristãos caboverdianos residentes nos arredores de Loulé, ensaiado pela Filomena e com Nuno Pereira ao órgão. «Somos, somos Povo do Senhor / Construtores da amizade / E em Cristo unidos! Formamos fraternidade», foi o cântico de entrada, após o que o padre Júlio Tropa, saudando a assembleia em nome de D. Manuel (Bispo do Algarve) que, por trabalhos pastorais não pôde estar presente, «mas cujo coração e a sua alma estão connosco nesta Eucaristia, celebrando aqui Jesus Cristo, que é a alma e a vida da Igreja», disse: «Que todo o homem seja olhado como filho de Deus, sem qualquer distinção mas em total igualdade». Referiu-se também ao milhão de jovens que junto do Papa Bento XVI viviam, em Colónia, o Encontro Mundial da Juventude. À homilia, o padre Rui Pedro, após catequizar sobre o texto evangélico, afirmou que: «Não precisamos só dos braços dos estrangeiros que vêm de fora, mas da sua Fé na evangelização do nosso País. A Igreja gostaria de ser a casa aberta onde todos têm lugar. Este encontro concretiza a Fé existente num testemunho de solidariedade, de acolhimento e de diálogo». Prosseguiu referindo: «A emigração tem-nos ajudado a abrir as mentalidades e a incrementar e compreender o diálogo ecuménico. O Algarve tem sido sempre uma terra de acolhimento e esta terra sempre acolheu, ao longo dos milénios, os estrangeiros. As religiões têm que ser espaços de paz e o futuro, sabendo-nos diferentes, será de paz no respeito pelo bem comum e pelos valores comuns para que se construa uma sociedade integrada. A emigração para nós cristãos é uma grande dádiva de Deus». Um significado muito especial constituiu o solene ofertório («Nhor Deus, Nhô abençoano es oferta… ») com pleno significado da entrega em belo cortejo dos bens da Terra, entre os quais frutos vindos de São Tomé e Príncipe e do Espírito Novo. Ao Pai Nosso os celebrantes tiveram em seu redor no Altar da Eucaristia todas as crianças presentes no Templo. Antes da bênção final («Si bu obi voz di Nhor Dês ta tchomau…») deram o seu testemunho o presidente do Município de Faro, que referindo a sua função quando foi secretário de Estado das Comunidades Portuguesas e Emigração, disse: «Não há nada mais duro do que abandonar as famílias, a terra e os amigos em busca do pão de cada dia» e o Governador Civil do Distrito que «como cidadão e como cristão sinto-me um irmão entre irmãos e estou aqui, humildemente, a aprender a ser mais humilde, mais tolerante e mais cidadão, porque mais solidário e para tratar todos da mesma maneira. Ganhei hoje e aqui muitas horas de luz espiritual, de paz e de fraternidade». Mais tarde teve lugar, nos jardins do Palácio de Estoi, um almoço de convívio, seguindo-se uma animada tarde recreativa.

Verifique também

Bispo do Algarve destacou ação das Misericórdias para “curar as chagas humanas e sociais”

O bispo do Algarve considerou ontem que “as Misericórdias se situam entre as instituições que, …