Segunda-feira 16 de Setembro de 2019
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Morte do ir. Roger de Taizé marcou a Jornada da Juventude

Tudo aconteceu na oração da tarde, no meio de uma multidão que se reuniu na igreja da Reconciliação. A romena Luminita Solcan, de 36 anos, ter-se-á aproximado da zona central da igreja, reservada aos irmãos da Comunidade e, soltando um grito “muito grande”, inclinou-se sobre o irmão Roger, disferindo um golpe mortal no pescoço que lhe cortou a artéria carótida. Alguns dos restantes irmãos levaram imediatamente o irmão Roger para a sacristia. Segundo a Agência Ecclesia, as autoridades judiciais de Mâcon indicaram que a agressora queria alertar o irmão Roger para “um complô de monges franco-maçons, muito inquietante para a comunidade”. De acordo com o psiquiatra que analisou a mulher, esta sofre de “um delírio do tipo paranóico”, insistindo na teoria de que apenas colocou a faca no pescoço do religioso “para o obrigar a ouvir” o que tinha a dizer, negando que tivesse como intenção matá-lo. Mauro Lopes, algarvio, das Ferreiras, encontrava-se juntamente com um outro jovem de Monchique em Taizé quando aconteceu a tragédia. Estava, na igreja da Reconciliação, a cerca de 20 metros do irmão Roger e explica que após o crime gerou-se “grande confusão”, pois “algumas pessoas, entre as quais as crianças que estavam perto do irmão Roger começaram a gritar”. Mauro Lopes afirma que o facto que melhor se recorda foi do olhar da romena. “Tinha um olhar muito estranho, de alguém enlouquecido”, refere, acrescentando que a mulher, durante a oração, esteve “sentada muito perto do irmão Roger, a cerca de dois metros”. Pouco depois do assassinato, o irmão Alois pediu a palavra para explicar que o fundador da Comunidade tinha sido atacado, acabando por morrer e pediu que rezassem por ele. A comoção foi grande entre os monges e os peregrinos presentes, que pela noite fora prosseguiram em oração no local em que o fundador da Comunidade fora assassinado. O jovem algarvio testemunha mesmo o ambiente de paz e de oração que se continuou a viver mesmo depois do atentado. “Os irmãos não interromperam em momento nenhum a oração, os cânticos continuaram e prepararam até um chá no exterior da igreja para as pessoas se sentirem mais acolhidas e programaram de imediato um tempo especial de oração. Só mesmo em Taizé é que isto é possível, noutro sítio as pessoas teriam abandonado o local do crime”, concretizou. O irmão Alois, de 52 anos, é o novo prior da Comunidade Ecuménica de Taizé, sucedendo assim ao irmão Roger. O fundador da Comunidade tinha já designado este monge alemão como seu sucessor há 8 anos, seguindo as regras da Comunidade, e estava previsto que o irmão Roger abdicasse do cargo de prior responsável do grupo até final do ano. A celebração das exéquias do irmão Roger decorreram no passado dia 23 de Agosto, por forma a que os jovens participantes na JMJ em Colónia pudessem estar presentes. Presididas pelo Cardeal alemão Walter Kasper, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, as cerimónias fúnebres contaram com a participação de cerca de 12 mil pessoas, entre as quais muitos jovens, tendo apenas a estes sido permitida a entrada na igreja da comunidade. Os adultos assistiram no exterior através de um ecrã montado para o efeito. Nas exéquias foi lida uma mensagem do Papa Bento XVI. No texto, o Sumo Pontífice constatava que em Taizé numerosas gerações de cristãos, respeitando as suas próprias confissões, realizaram “uma autêntica experiência de fé, no encontro com Cristo, graças à oração e ao amor fraterno”. Da diocese algarvia participaram nas cerimónias cerca de 90 jovens, 56 dos quais tinham estado uma semana antes em Taizé, após o que seguiram para Colónia a fim de participarem na JMJ. No regresso a Portugal não quiseram de voltar a passar pela aldeia da Borgonha para prestar a sua última homenagem ao religioso assassinado. Os restantes eram jovens oriundos de Loulé que na semana do funeral estavam em Taizé. O irmão Roger foi enterrado, apenas na presença dos irmãos da Comunidade, no pequeno cemitério da igreja românica local, onde já repousam a sua mãe e vários irmãos.

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