“Um conjunto de azulejos que não só é o mais bem realizado por Domingos de Almeida (…) como também um dos mais extraordinários de toda a azulejaria rococó. A fantasia estonteante e a proliferação desenfreada dos motivos decorativos, derivados de gravuras ornamentais de Augsburgo, a utilização de cores rutilantes, como os amarelos intensos de antimónio, a multiplicação dos elementos heráldicos e de símbolos do bispado e papais são extraordinários na sua delirante e intensa fantasia”
(José Meco, Monumentos, março 2006, n. 24)
A transferência da sede do bispado do Algarve de Silves para Faro, em 1577, será um ponto de viragem na história da cidade. O novo estatuto deste centro urbano vai materializar-se de diversas formas, entre elas através de intervenções no espaço e edifícios da cidade – tanto em imóveis já existentes, como na construção de novos edifícios/ equipamentos.
É neste contexto que, durante o bispado de D. Afonso Castel-Branco (1581-1585), se dá a construção do Paço Episcopal.
Após o terramoto de 1755 foi reedificado e ampliado, por D. Fr. Lourenço de Santa Maria (1752-1783), destacando-se no seu desenho, os telhados de quatro águas e o portal. O interior é decorado com azulejos do século XVIII, distribuídos pelo átrio, a escadaria e três salas de aparato.
O Paço Episcopal de Faro constitui um dos edifícios mais representativos da Arquitetura Chã no Algarve.
PAINEÍS DAS VIRTUDES
O Painel com uma alegoria à Caridade, situado no átrio, “envolvida por escadarias e estruturas que parecem uma página de um tratado de arquitetura e cenografia”; o Painel das Virtudes, situado no patamar de descanso das escadarias, de acesso ao piso nobre, do tardo barroco, alusivo às Cinco Virtudes da Prudência, Fé, Esperança, Justiça e Fortaleza; coroa a composição o brasão de D. Frei Lourenço de Santa Maria, ladeado por dois anjos envolvido pelo pálio encimado pelo chapéu de seis borlas e cruz arquiepiscopal. A composição é aparatosa e absolutamente apropriada. A casa do Bispo é a casa da Fé. Quem nela entra deve acompanhar-se da Esperança, porque conta encontrar lá a Prudência, a Justiça e a Fortaleza (Pinheiro e Rosa).
SALAS DE APARATO
São três: a sala de antecâmara (espera), a de receber e a do trono (atos solenes). Face à presente utilização, conjugada com a sua finalidade original, estes espaços passam a designar-se por «Sala da Unidade», «Galeria dos Bispos» e «Antiga Sala do Trono».

SALA DA UNIDADE
Sala de Unidade e comunhão porque exprime, num período histórico conturbado para a Igreja (Pombalino: 1750-1777), a determinação do bispo D. Frei Lourenço de Santa Maria em reafirmar a comunhão da Diocese do Algarve com o Papa, em oposição às pretensões do poder político de então.
Esta sala expõe os azulejos mais ricos do Paço. Cada um dos sete painéis apresenta ao centro um escudete com as chaves de Pedro, encimadas pela tiara (insígnia papal) sustentada por dois anjos, tendo, de cada lado, uma cruz papal (tríplice). Nos extremos, está representada a mitra com o báculo, a tocha acesa e um feixe atado com um cíngulo. O indicado no roteiro proposto pela letra F é de todos o maior, o mais solene, do qual derivam e para o qual convergem todos os outros, como convite a lê-los sob uma perspetiva eclesiológica, alusiva aos ministérios petrino/papal e episcopal, sendo a Eucaristia (Cordeiro pascal) a sua fonte e o seu cume, e a unidade e a comunhão os seus frutos mais expressivos.
Cada painel tem um medalhão central com a presença de diversas referências e simbologias:
A. Medalhão com caldeira pintada numa salva e à volta, diversos elementos: cruz, estola, toalha, copa de cálice, copa de píxide cheia de partículas, livro de cantochão e parte inferior de gomil.
B. Apresenta medalhão com a mesa dos pães da proposição e o candelabro de sete luzes.
C. O medalhão representa a serpente, a maçã, as Tábuas da Lei, espigas, cachos de uvas e um pequeno livro, tudo sobre uma salva.
D. Representação de uma salva a emergir de um véu, tendo pintado no fundo um cálice com hóstia sobreposta e ao lado uma serpente. À volta uma coroa de flores, uma cruz, duas velas, uma toalha, uma píxide, um livro de cantochão aberto e um castiçal (pica velas).
E. Elementos decorativos iguais aos do anterior, apresentando no medalhão central um pano com uma pomba, bastões, estolas, livro de cantochão, castiçal pica-velas e uma cruz com crucifixo.
F. Este painel alarga-se a todo o espaço disponível: o medalhão central (coração deste painel) apresenta um cordeiro deitado sobre um livro fechado com sete selos, para indicar a glorificação de Cristo, o Cordeiro, “Aquele que é digno de receber o livro e de quebrar os selos” (Ap 5,9); o triângulo (SS. Trindade) com o tetragrama hebraico no seu interior (YHWH=JAVÉ) revela a identidade divina do Cordeiro; a presença da cruz mostra-nos que Ele é Cristo “nossa Páscoa, imolado”, pão da vida (cálice e píxide com hóstias), fundamento eucarístico da unidade e da comunhão na Igreja, do sacerdócio e do ministério episcopal e papal: as armas de D. Frei Lourenço de Stª Maria, situadas num plano inferior às chaves de Pedro e à tiara papal, em sinal de obediência e de comunhão eclesial; elementos sugestivos do ambiente litúrgico e orante em que se celebra e atualiza esta realidade; os bastões para indicar a postura do pastor firme e fiel, que não cede ao ambiente hostil que o rodeia.
G. Medalhão oval, com fita e cercadura de folhagem, representando o sol e um elefante. Em redor estão bastões, bolsa de corporais, livro, salva, velas, tocha, pâmpanos e cachos de uvas.
GALERIA DOS BISPOS

Nesta sala encontra-se um silhar de azulejos policromos, sem recortes, em branco, azul, amarelo, verde e sanguínea. Exibe ornatos Barrocos, entre os quais se destacam as folhas de acanto e os enrolamentos. Os motivos repetem-se em redor da sala, adaptando-se a composição à dimensão da parede. As pinturas apresentam, por ordem cronológica, alguns dos bispos cuja ação foi mais significativa, desde a transferência da sede do bispado para Faro. Salienta-se D. Frei Lourenço de Santa Maria (na foto).

ANTIGA SALA DO TRONO
Apresenta lambris de azulejos do período Rococó, com paleta cromática semelhante à sala anterior, representando ao centro o brasão do Bispo D. Frei Lourenço de Santa Maria. Também nesta sala o motivo repete-se, ajustando-se a composição à área das paredes. Expõem-se, ainda, pinturas da coleção de arte sacra do Paço Episcopal e algumas imagens, de pequenas dimensões, expressão da devoção pessoal de alguns bispos do Algarve.
HORÁRIO DE ABERTURA
Segunda a Sábado
10h00 _ 13h00
14h00 _ 18h00

PREÇO DOS BILHETES
Bilhete individual – 5,00€
Bilhete de grupo (≥ 15 pax) – 2,50€ /pax
Até aos 14 anos – gratuito
Estudantes até aos 25 anos – 2,50€
A partir dos 65 anos – 2,50€


PAÇO EPISCOPAL DE FARO
Largo da Sé, n.º 15
8000-138 Faro
Tel. (+351) 289894040
Email: casaepiscopal@diocese-algarve.pt – servicosdepastoral@diocese-algarve.pt
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