Terça-feira 19 de Junho de 2018
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Corpo Nacional de Escutas chegou ao Algarve há 86 anos

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Com o Corpo Nacional de Escutas (CNE) de luto por ter falecido o seu fundador nacional, o arcebispo de Braga D. Manuel Vieira de Matos, foi precisamente em 1932 que o movimento escutista chegou ao Algarve.

Em maio daquele ano fundava-se a Organização Escutista de Portugal entre o CNE e a Associação de Escoteiros de Portugal (AEP) que chegou ao Algarve pela filiação em Faro do Grupo 77 Infante D. Henrique, tendo como primeiro assistente o então padre e historiador José António Pinheiro e Rosa, que mais tarde passou ao estado laical.

Em 1947, o primeiro filiado escutista viria a ser renomeado como Grupo 157 Nuno Álvares Pereira e, posteriormente, nos finais da década de 50 do século passado, como Agrupamento 98, designação que hoje possui e que foi oficialmente conferida pela Ordem de Serviço Nacional (OSN) nº 202, de agosto de 1960. “Quando o grupo muda para Grupo Nuno Álvares nasce também a primeira Alcateia [grupo de Lobitos – escuteiros entre os 6 e os 10 anos] do Algarve, São Luís Gonzaga”, explicou o historiador algarvio e dirigente escutista, João Vasco Reis, no passado domingo durante a comemoração dos 86 anos do CNE no Algarve, lembrando ter sido no final da década de 50 que os grupos escutistas autónomos se fundam como agrupamentos associados a paróquias.

No entanto, aquele historiador realçou que a história do escotismo no Algarve é anterior a 1932. João Vasco Reis garantiu que já em 1915 existia em Faro o Grupo 8 da AEP, rejeitando a ideia de que o primeiro grupo no Algarve daquela associação tenha sido o Grupo 6 de Olhão em 1925.

Também o chefe regional do CNE lembrou ter sido em 1945 que o bispo do Algarve D. Marcelino Franco nomeou o então padre José Augusto Vieira Falé “para tratar de todos os assuntos respeitantes ao CNE do Algarve”, tendo sido no ano seguinte criada a região escutista do Algarve. José Cercas Vicente acrescentou que, em fevereiro de 1958, o órgão oficial de comunicação do CNE – ‘Flor de Lis’ – dava notícia da nomeação do sacerdote como assistente do Agrupamento 98 de Faro, tendo, a partir daí, sido criados todos os restantes agrupamentos algarvios do movimento.

Juntamente com José Augusto Falé, João Vasco Reis destacou outro algarvio – Manuel Gonçalves Rodrigues Júnior – como “uma pessoa muito importante” para o desenvolvimento do movimento no sul de Portugal. O historiador disse que aquele funcionário dos caminhos-de-ferro portugueses, “com uma facilidade enorme em se deslocar”, “consegue pintar de Lisboa para baixo um Portugal escutista” por ter sido chefe nacional para a expansão do CNE. Nascido na Guia, mas “desde muito jovem” radicado em Lisboa, “veio muitas vezes ao Algarve estar com o cónego Falé e com o bispo da altura”, explicou João Vasco Reis, garantindo que, logo nos anos 30, Gonçalves Rodrigues Júnior “veio ter reuniões com o então padre Falé para tratar do escutismo em Olhão”.

O investigador assegurou que “nos anos 60, é ele que começa esta avalanche de fundação de agrupamentos” e dá início aos cursos de formação escutista. “Associado a ele há também um nome muito importante que é o D. António Carrilho [atual bispo do Funchal] que na altura era um jovem sacerdote”, acrescentou.

João Vasco Reis recordou ainda que, até aos inícios dos anos 60, a assistência espiritual regional do movimento foi sempre assegurada pelo bispo do Algarve, começando a partir daquela data a ser conferida a sacerdotes.

O primeiro chefe regional do Algarve do CNE, nomeado em 1947 pela ONS nº 108, foi Fernando Rafael Gama Pinto que esteve ao serviço da região durante nove anos. Em 1956 foi nomeado o segundo chefe regional pela ONS nº 1178, João Torres Vieira, que esteve ao serviço da região durante quatro anos. Após o seu falecimento, a 29 de março de 1960, e até fins de 1971 não houve chefes regionais.

A 15 de janeiro de 1972, no Seminário de São José de Faro, foi nomeado o terceiro chefe regional pela ONS nº 314, João da Luz Flor. Em 1975 foi nomeado o quarto chefe regional pela OSN nº 347, José Fernando dos Reis Lourenço, que esteve ao serviço da região durante quatro anos. Em 1979 foi nomeado primeiro coordenador regional pela OSN nº 1370, Alexandre Cavaco Carrilho, que esteve ao serviço da região durante quase dois anos. Em 1980 foi eleito chefe regional pela OSN nº 376, Almerindo Manuel Mendes, que esteve ao serviço da região durante 12 anos e que foi também coordenador adjunto de Alexandre Carrilho. Em 1991 foi eleito o sexto chefe regional pela OSN nº 434, José de Jesus Leote Paixão, que esteve ao serviço da região durante dois anos. Em 1993 foi nomeado segundo coordenador regional pela OSN, frei José Miguel Fragoso de Castro Loureiro, que esteve ao serviço durante um ano. Em 1994 foi nomeada a terceira coordenadora regional pela OSN nº 455, Liliana Jacinto Rodrigues, que esteve ao serviço um ano. Em 1995 foi eleito o sétimo chefe regional pela OSN nº470, Silvério Cabrita da Conceição, que esteve ao serviço da região durante 10 anos. Em 2005 foi eleito o oitavo chefe regional pela OSN nº 522, Miguel Ângelo Martins Boto, que esteve ao serviço durante três anos. Em 2008 foi eleito o nono chefe regional pela OSN nº 1570, Edgar Manuel Sequeira Lopes Correia, que esteve ao serviço durante dois anos. Em 2010 foi eleito o atual chefe regional em OSN nº 586, José Cercas Vicente.

O CNE no Algarve conta atualmente com 34 agrupamentos num total de quase 2.400 elementos (cerca de 620 Lobitos, 655 Exploradores/Moços, 483 Pioneiros/Marinheiros, 250 Caminheiros/Companheiros e 370 dirigentes).

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