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Foto © Samuel Mendonça

O bispo do Algarve disse esta tarde, dirigindo-se aos sobrinhos do cónego Firmino Ferro, ontem falecido, que o seu tio e vigário geral da diocese algarvia, foi “uma bênção e um grande dom de Deus”.

“Não preciso de o dizer, vós já o sabeis, mas deveis sentir um orgulho muito grande neste tio”, acrescentou D. Manuel Quintas, que presidiu na Sé de Faro à celebração exequial do funeral do sacerdote, concelebrada por 36 sacerdotes do Algarve e de outras dioceses.

“Com a serenidade que a fé nos confere e a força da esperança que nos vem da ressurreição de Cristo, estamos reunidos no seu amor para, em eucaristia, sufragarmos a alma deste nosso irmão, o nosso vigário geral. Façamo-lo com este espírito de fé e com a certeza de que o amor de Deus nos assiste em todas as situações e circunstâncias da nossa vida”, começou por pedir o prelado no início da eucaristia.

Na celebração, – introduzida com os salmos da hora intermédia da Liturgia das Horas e participada por uma enorme multidão oriunda de vários pontos do Algarve e não só, de forma particular das paróquias onde o cónego Firmino Ferro exerceu as funções de pároco –, o bispo diocesano lembrou esse serviço. “Eis-nos assim, reunidos em eucaristia exequial, para rezarmos por aquele que tantas vezes rezou por nós e connosco, indicando-nos com a sua palavra e, sobretudo com o seu exemplo, o caminho que conduz ao encontro definitivo com o Pai; eucaristia que todos queremos que seja igualmente de ação de graças pelo dom da sua vida de 72 anos e do seu sacerdócio de 46 anos, exercido de modo particular nas paróquias do concelho de Monchique, 15 anos, e na paróquia de Silves, 16 anos, e desde 2005, como vigário geral, ao serviço de toda a diocese”, afirmou, acrescentando que “este foi um tempo marcado por grande disponibilidade pessoal para substituir párocos, ocasionalmente ou mesmo prolongadamente, até se encontrar soluções mais estáveis”. “Recordo o seu serviço, durante um ano na paróquia de São Pedro, depois também em Estoi, Santa Bárbara de Nexe, Pechão, Quelfes e, ultimamente, em Santa Luzia de Tavira”, complementou.

D. Manuel Quintas deu “graças a Deus”, em seu nome pessoal e da Diocese do Algarve, “por todo o bem semeado pelo cónego Firmino Ferro” na Igreja algarvia “e em quantos com ele partilharam a sua vida”. “Agradeço, sobretudo, os anos que tive o privilégio de partilhar com ele o serviço à nossa Igreja diocesana, em que tanto aprendi com as suas qualidades humanas e sacerdotais”, referiu, destacando uma das “muitas” mensagens de condolências que recebeu entre ontem e hoje, caracterizando o falecido como um “homem bom, sereno, discreto, generoso e simples”. “Estou certo que todos poderíamos subscrever estas referências e mesmo acrescentar o quanto ele era fraterno, amigo, disponível e genuíno, «sementes» que têm a sua marca onde viveu e por onde passou”, acrescentou o bispo diocesano.

“Compete-nos a nós empenharmo-nos para que estas «sementes» encontrem no nosso coração a «terra boa», presente no seu coração, de modo a frutificarem como as «sementes» do evangelho. Esta constitui, seguramente, a mais justa homenagem que lhe podemos prestar e a melhor memória da sua vida que podemos guardar”, considerou, pedindo a encomendação do cónego Firmino Ferro à “bondade e misericórdia de Deus”. “Que o testemunho da sua vida e do seu serviço, generoso e dedicado à nossa Igreja diocesana, nos obtenham do Senhor da Messe o dom de novas vocações ao sacerdócio e à vida consagrada”, desejou, considerando o seu testemunho de vida como um convite a “passar do ser solidários ao ser irmãos”.

Neste sentido, o bispo diocesano defendeu ainda que “a presença de um grupo tão numeroso” de pessoas, para além de ser “expressão de reconhecimento” e de “gratidão” pelo cónego falecido, promove a consideração da Igreja algarvia pelos seus sacerdotes. “Estimula a crescermos sempre mais no apreço pelo sacerdócio e pelos nossos sacerdotes e também nos compromete a não esmorecermos na oração de pedirmos ao Senhor da messe que mande trabalhadores para a sua messe e, concretamente, para a nossa Igreja diocesana”, referiu.

Desde quinta-feira à tarde, incluindo a eucaristia ontem também presidida pelo bispo do Algarve, passou pela Sé de Faro, onde o corpo do sacerdote falecido esteve em câmara ardente, uma multidão que lhe quis prestar a sua última homenagem.

Na sua homilia de hoje, D. Manuel Quintas aludiu ainda à doença que vitimou o falecido. “Deus chamou ontem à sua eterna presença o nosso estimado vigário geral, sinal que, progressivamente, o cónego Firmino Ferro foi lendo e acolhendo à luz da fé, ao verificar que, apesar de todos os esforços e cuidados médicos que aos mais diversos níveis lhes foram ministrados, as melhoras não tinham resultados verificáveis e satisfatórios, ainda que desejadas e procuradas por todos, como eu próprio pude testemunhar e acompanhar ao longo destes seis meses e que agradeço reconhecido a todos os profissionais de saúde”, afirmou.

Para além dos serviços já referidos e de pertencer ao Cabido Catedralício da Sé de Faro, o cónego Firmino Ferro foi também prefeito do Seminário de Faro, professor de Educação Moral e Religiosa Católica, pároco de Ferragudo, escuteiro e dirigente do Agrupamento 100 de Tavira do Corpo Nacional de Escutas e assistente dos Agrupamentos 383 de Monchique e 181de Silves, membro do Conselho Presbiteral e do Colégio de Consultores da Diocese do Algarve e era ainda administrador do jornal Folha do Domingo.

O corpo do cónego Firmino Dinis Ferro, natural de Lisboa, embora oriundo de Tavira, foi sepultado no talhão do clero do Cemitério de Esperança, em Faro. No próximo dia 22 deste mês será celebrada às 9.30h na Sé de Faro uma missa de sufrágio por todos os capitulares do Cabido Catedralício, incluindo o que hoje foi a enterrar.

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