Missa_crismal_2016 (51)
Foto © Samuel Mendonça

O bispo do Algarve considerou esta manhã que celebrar a Missa Crismal em Ano Santo da Misericórdia proporciona a oportunidade para se considerar o tema da misericórdia naquilo que ao ministério dos sacerdotes diz respeito.

Neste sentido, D. Manuel Quintas lembrou que “Cristo confiou exclusivamente aos seus apóstolos e àqueles que lhes sucedem na mesma missão a reconciliação sacramental do homem com Deus”. “Os sacerdotes são, por vontade de Cristo, os únicos ministros do sacramento da Reconciliação”, constatou na eucaristia a que presidiu na Sé de Faro, lembrando que “tal como Cristo são enviados a chamar os pecadores à conversão e a reconduzi-los ao Pai pelo ministério da misericórdia e do perdão”.

Tendo quase todos os sacerdotes do Algarve a concelebrar consigo e alguns de fora que vêm nesta altura colaborar com a diocese algarvia nas celebrações da Semana Santa, D. Manuel Quintas lembrou-lhes a importância da misericórdia. “A misericórdia presente em inúmeras parábolas, discursos e gestos de Jesus devem ser também os nossos com consciência de que no juízo universal, as obras de misericórdia constituirão fator essencial para a decisão final”, advertiu.

“Incluamos, na renovação das nossas promessas sacerdotais e no louvor ao Senhor pelo dom que nos concedeu, a decisão de crescermos sempre mais em disponibilidade para acolher e distribuir generosamente a misericórdia de Deus por quantos procuram de coração sincero e agradecido”, apelou.

O prelado lembrou que bispo e padres são apenas “simples instrumentos”, ou, “servos do mistério” que celebram. “Quem age verdadeiramente na Igreja, por nosso intermédio, é o Espírito de Cristo, ou seja, o Espírito Santo. Aquele que enviou Cristo a anunciar a Boa Nova aos pobres é o mesmo que hoje nos envia a nós”, evidenciou.

D. Manuel Quintas referiu-se ainda ao percurso feito pela diocese algarvia no que ao tema da misericórdia diz respeito. “Reconhecemos o bom caminho que, como Igreja diocesana, temos percorrido a este propósito, particularmente desde a celebração jubilar do novo milénio, agora incentivados ainda mais com a celebração do Ano Santo da Misericórdia. Prossigamos todos neste caminho, conscientes de que a misericórdia que Deus distribui abundantemente por quantos se abrem ao seu amor de Pai é fonte de uma alegria que se renova e comunica”, afirmou, considerando que “para tal é preciso renovar o encontro pessoal com Cristo ou deixar-se encontrar por Ele, procurando-O dia-a-dia sem cessar”. “Ninguém deve pensar que este convite não lhe diz respeito, já que ninguém é excluído da alegria trazida pelo Senhor”, acrescentou.

O bispo do Algarve destacou ainda que “os presbíteros, cooperadores da ordem episcopal, organicamente unidos entre si” no “único sacerdócio de Jesus Cristo”, “constituem com o bispo um único presbitério”. “Todos os sacerdotes, tanto diocesanos como religiosos, estão associados ao corpo episcopal em razão da ordem e do ministério e, segundo a própria vocação e carisma contribuem para o bem de toda a Igreja. Em virtude da comum ordenação e missão, estamos ligados em íntima fraternidade, que espontânea e livremente se deve manifestar no mútuo auxílio mútuo espiritual, material e pessoal, bem como na programação e execução dos programas pastorais, na comunhão de vida e no serviço da caridade”, sustentou.

O bispo diocesano acrescentou que “esta unidade e comunhão está igualmente presente na participação na bênção dos óleos dos catecúmenos e enfermos e na consagração do óleo do Crisma”, que ocorre sempre na Missa Crismal e que serão usados durante o próximo ano na administração dos sacramentos do Batismo, Crisma, Ordem ou Santa Unção, ou na dedicação dos altares ou de novas igrejas. “Nestes óleos, levados pelos vossos párocos para as paróquias que lhes estão confiadas, o bispo, fundamento da unidade da sua diocese, estará «presente» (e com ele toda a Igreja diocesana) na administração dos sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Unção dos enfermos”, acrescentou.

D. Manuel Quintas explicou que outro elemento igualmente expressivo da identidade sacerdotal está presente na renovação pública das promessas sacerdotais realizada pelos padres durante a celebração como “expressão da fidelidade a Cristo, ao dom do sacerdócio recebido e à Igreja” da qual são servidores. “Renovar as promessas sacerdotais é renovar o compromisso de serviço à Igreja concretizado naqueles que o Senhor nos confiou; é reafirmar a fidelidade ao Espírito Santo, que pela imposição do bispo e dos presbíteros presentes no dia da ordenação sacerdotal, nos consagrou e nos enviou”, completou, explicando que “este mistério de amor deve ser acolhido e exercido com o testemunho da fé e da caridade e o compromisso generoso e fiel no seguimento de Cristo que deu a vida pelos homens, seus irmãos”.

O bispo do Algarve exprimiu ainda a “unidade e comunhão” na memória daqueles que fizeram parte do presbitério “e o Senhor chamou a si”, lembrando, de modo particular, o cónego Firmino Ferro, falecido em janeiro deste ano. D. Manuel Quintas, que lembrou também os sacerdotes “que estão mais frágeis na saúde”, exprimiu ainda o “louvor ao Senhor pelo dom do sacerdócio e do ministério” pelos sacerdotes que celebram este ano o seu jubileu sacerdotal. “Estamos unidos ao cónego Joaquim Nunes e aos padres Henrique Varela e António Rocha na celebração, respetivamente, das bodas de prata e bodas de ouro sacerdotais”, referiu.

A terminar, o prelado pediu aos leigos (entenda-se não clérigos ou consagrados) vindos de todo o Algarve, cuja presença disse significar o “profundo sentido de comunhão eclesial” daquela celebração, que rezem pelos seus padres que hoje quiseram acompanhar. “Estimais os vossos párocos. Rezai, cada dia, por eles e por mim, para que o nosso amor fiel a Cristo se alimente, cada dia, no testemunho da palavra que vos anunciamos e se fortaleça sempre mais no dom da eucaristia que vos distribuímos, para que a nossa entrega sem reservas a esta nossa Igreja diocesana seja sinal e transparência de Cristo bom pastor que continua a dar a vida pelas suas ovelhas”, pediu.

A eucaristia, concelebrada também pelo Superior Provincial dos sacerdotes dehonianos de visita até hoje à comunidade algarvia daquele instituto religioso, prosseguiu incluindo a renovação pública das promessas sacerdotais realizada pelos padres presentes.

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