Missa_ceia_senhor_2016 (10)
Foto © Samuel Mendonça

O bispo do Algarve, que presidiu esta noite à Missa da Ceia do Senhor em que a Igreja celebra simultaneamente a instituição do sacerdócio e da eucaristia, destacou que na Quinta-feira Santa a palavra de Deus “aponta três mandamentos”: o “mandamento do serviço”, o “mandamento novo do amor” e também o “mandamento eucarístico” que Jesus deixou ao pedir aos apóstolos «fazei isto em memória de mim».

Relativamente ao primeiro mandamento, identificado com o gesto de Jesus de lavar os pés aos apóstolos que esta noite repetiu, D. Manuel Quintas considerou-o um “gesto surpreendente para os discípulos” , “denso e cheio de conteúdo”. O bispo do Algarve advertiu para “tudo o que lavar os pés significa de serviço aos outros”, aludindo à necessidade de cada um se «despir» de “tudo aquilo que atrapalha”, que “afasta dos outros”, que “constitui barreiras ao serviço desprendido, verdadeiro, humilde, gratuito, sem esperar nada em troca”. “Para ter a coragem de eliminar da vida esses obstáculos é preciso amar o outro. É no amor fraterno que encontramos a força de que precisamos para eliminar da nossa vida tudo aquilo que pode ser obstáculo para seguirmos este mandamento”, considerou, lembrando serem os “gestos concretos e as atitudes concretas” que definem a “verdade da fé” e a “verdade da participação na eucaristia”.

No que ao “mandamento novo do amor” diz respeito, o bispo diocesano frisou que “a novidade não está no amor”, mas “no como Jesus amou”. “«Amai-vos como eu vos amei». Esta é que é a novidade e o difícil porque este mandamento tem Jesus como modelo”, referiu, D. Manuel Quintas, apontando a necessidade de “amar até à doação plena de si mesmo”.

Em relação ao “mandamento eucarístico”, o bispo do Algarve advertiu que cumprir o mandato de Jesus quando pediu «Fazei isto em memória de mim» “não é apenas celebrar e participar na eucaristia”. “É fazer aquilo que a eucaristia significa na nossa vida, é fazer aquilo que Jesus fez também com este gesto do lava-pés”, sublinhou, considerando aquele “um gesto eminentemente eucarístico”. “Ao classificar este gesto como eucarístico, estou a dizer que a eucaristia deve refletir-se na nossa vida em gestos de amor fraterno, de serviço aos outros”, sustentou.

“Este triplo mandamento do serviço, do mandamento novo do amor e do mandamento eucarístico converge para que a nossa vida de fé não se limite à nossa participação na eucaristia, e para que a eucaristia, na qual participamos e da qual vivemos e nos alimentamos, ilumine e fortaleça a nossa vida e também seja geradora de gestos fraternos de serviço aos outros, de amor, de perdão, de acolhimento, começando em casa porque é aí que se começa por «celebrar» a eucaristia”, concluiu.

A Missa Vespertina da Ceia do Senhor introduz na celebração do Tríduo Pascal, considerado o coração do ano litúrgico, o tempo particularmente significativo para toda a Igreja e para cada cristão pela celebração dos mistérios fundamentais da sua fé: a instituição da eucaristia e do sacerdócio, a paixão, morte e ressurreição de Jesus.

Como é hábito, no final da celebração o Santíssimo Sacramento foi levado em procissão e colocado em lugar de destaque no interior da catedral para veneração e adoração dos fiéis por só se voltar a celebrar a eucaristia na Vigília Pascal de Sábado Santo.

No dia de hoje, Sexta-feira Santa, aliturgico por ser o único do ano em que a Igreja não celebra a Eucaristia mas a paixão e morte de Jesus Cristo, imperam o silêncio, o jejum e a oração.

A celebração da tarde, centrada na adoração da cruz, nas igrejas com os altares desnudados desde a noite de Quinta-feira Santa, é uma espécie de drama em três atos: proclamação da Palavra de Deus, apresentação e adoração da cruz, comunhão eucarística.

À noite será realizada a Procissão do Enterro do Senhor. Em Faro, a mais significativa do Algarve, decorrerá pelas 21h, presidida pelo bispo do Algarve, a partir da igreja da Misericórdia, percorrendo as principais ruas da baixa da capital algarvia.

Homilia do bispo do Algarve:

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