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© Samuel Mendonça
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Altar de N. Sra. do Rosário © Samuel Mendonça

O bispo do Algarve presidiu ontem à cerimónia de inauguração das obras de restauro de três dos cinco retábulos da igreja de Odeleite, a mais antiga edificada do concelho de Castro Marim, datada do século XVI.

Os retábulos, muito deteriorados, apresentavam “problemas estruturais e estéticos, designadamente, fendas e fissuras nos suportes de madeira e infestação de insetos, descolagem e abertura de juntas, perda significativa de policromia, estando o conjunto das peças de tal forma degradado que os trabalhos implicaram a desmontagem total das peças, substituição parcial ou, nalguns casos, total dos elementos estruturais”, explica a Câmara Municipal de Castro Marim.

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Altar de S. Miguel © Samuel Mendonça

António Costa, o entalhador que trabalhou na recuperação dos altares de Nossa Senhora do Rosário, de São Miguel e de São Pedro, explicou que os trabalhos incluíram a sua revisão estrutural com recurso a madeira igual à originalmente utilizada, a consolidação dos suportes lenhosos, integrações volumétricas com madeira da mesma essência, o reparo de lacunas e fendas a nível de suporte, a desoxidação e neutralização dos elementos metálicos e a desinfestação curativa e preventiva das madeiras antigas e das aplicadas, garantindo que a obra tem “garantia vitalícia”.

Pedro Barbosa, técnico que realizou a policromia e a aplicação do ouro, garantiu não ter sido usado ouro falso nem purpurinas, mas apenas ouro fino de 22 quilates, o mesmo aplicado na origem.

O projeto, num investimento total de 108.141 euros, foi financiado em 60% pelo PRODER (num total de 58.818 euros), cabendo ao Município custear o investimento não elegível pela candidatura que foi de 49.323 euros.

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Altar de S. Pedro © Samuel Mendonça

D. Manuel Quintas lembrou a importância de legar um património herdado às gerações vindouras. “Estamos de passagem. Recebemos em herança este património e queremos deixá-lo àqueles que vêm. Portanto, não se investe a pensar no presente, naqueles que estão, sejam muitos ou poucos”, frisou o prelado, lembrando que a aquela recuperação só foi possível com a ajuda de fundos e também das comunidades locais e dos municípios que, “cada vez mais, apreciam, fazem apreciar e são estimulados pelas populações para investirem na recuperação do património”.

“As comunidades locais e a própria diocese não conseguimos. Infelizmente não temos fundos para apoiar estas recuperações e temos de recorrer a estes que existem exatamente para isso e depois ao complemento dos municípios”, acrescentou, considerando esta “uma aposta certa”.

O bispo do Algarve advertiu, contudo, que “os altares são a marca da identidade do povo de Odeleite” e que “as igrejas não podem ser museus”. “Aqueles que vos precederam não construíram estes altares para embelezar as paredes da igreja. Por trás destes altares está uma caminhada de fé e de vida, no meio das dificuldades e agruras da vida”, sustentou, acrescentando que “os altares são um testemunho, não apenas histórico, mas um testemunho de fé e de vida”. “Gostaria que passássemos do esforço feito para a renovação da igreja para a o esforço que devemos fazer por sermos mais Igreja”, desafiou.

O padre Agostinho Pinto, pároco de Odeleite, agradeceu às entidades envolvidas no processo e pediu aos paroquianos que “apreciem esta obra e apreciem a sua terra”. O prior lembrou que a “igreja é bonita mas sem as pessoas não tem sentido”. “Que as pessoas venham mais, apreciem o que têm. É importante que apreciem para puderem transmitir aos vossos filhos e netos”, pediu.

Francisco Amaral, presidente da Câmara de Castro Marim, lembrou que a igrejaesteve muito degradada” e que agora se inverteu essa realidade. “No fundo estamos a respeitar a cultura, a história e o património religioso destas gentes”, considerou.

Valter Matias, o presidente da Junta de Freguesia local, destacando a igreja como “símbolo” a “conservar e valorizar”, lembrou que ficam em falta ainda os restantes dois altares. “Estamos já a procurar fontes de financiamento para acabar esta intervenção porque a igreja de Odeleite merece. É um contributo que deixamos aos nossos filhos e netos”, referiu.

Após a inauguração foi celebrada a eucaristia, presidida pelo bispo do Algarve.

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