Vigilia_pascal_2014 (19)
© Samuel Mendonça

Com vista a celebrarem o acontecimento maior da sua fé – a ressurreição de Jesus Cristo – que a fundamenta e lhe dá sentido, bem como a tudo o que dela e nela se inspira, os católicos do Algarve reuniram-se na noite de Sábado Santo para Domingo de Páscoa, para a Vigília Pascal em quase todas as paróquias algarvias.

Na Sé de Faro, o bispo do Algarve, que presidiu à celebração na catedral diocesana, lembrou que “toda a liturgia da Igreja se inspira e gira à volta” daquela “noite memorável de tantas noites decisivas na história da salvação” que contém em si tudo quanto é celebrado pelos cristãos ao longo do ano litúrgico. “Tudo o que somos e vivemos como batizados, como discípulos de Jesus, encontra nesta noite o seu fundamento e dinamismo: Cristo ressuscitou! Venceu a morte! Vive para sempre!”, evidenciou D. Manuel Quintas.

Na noite, em que Jesus passou da morte à vida, a Igreja convida os seus filhos a reunirem-se em vigília e oração para aguardarem a ressurreição de Cristo e a celebrarem nos sacramentos. Na verdade, a Vigília Pascal, articulada em quatro partes – liturgia da luz ou “lucernário”, liturgia da palavra, liturgia batismal e liturgia eucarística –, foi sempre considerada a mãe de todas as vigílias e o coração do ano litúrgico, embora a sensibilidade popular possa pensar que a grande noite seja a de Natal.

Após a liturgia da luz, – que consistiu na bênção do fogo, na preparação e acendimento do círio no lume novo (símbolos da luz da Páscoa que é Cristo, luz do mundo) e na proclamação do precónio pascal e da liturgia da Palavra, com as sete leituras do Antigo Testamento que recordam a história da salvação e as duas do Novo Testamento –, D. Manuel Quintas explicou aos cristãos presentes o grande símbolo daquela celebração que teve início às escuras: a luz. “A vitória da luz sobre as trevas decide-se também no coração de cada homem e de cada mulher quando deixa que a luz de Cristo se transforme em luz da fé, que ilumina e dá sentido à própria vida, e em luz do mundo, presente no testemunho fiel e fecundo, iluminado pela palavra e fortalecido pela eucaristia celebrada, participada na própria comunidade em cada domingo”, afirmou o prelado.

“Que a Páscoa de Cristo seja também a nossa Páscoa. Possa a alegria desta noite contagiar toda a nossa vida e a luz que brota de Cristo ressuscitado iluminar e desfazer as suas sombras mais obscuras”, desejou.

A liturgia batismal teve início com o canto da ladainha dos santos, a bênção da água (o outro símbolo da noite), os batismos e crismas antes da aspersão de toda a assembleia com a água benta e da oração universal.

A celebração prosseguiu com a liturgia eucarística como momento culminante da vigília que quase três horas e meia.

Ontem, na missa do Domingo de Páscoa, igualmente na Sé de Faro, o bispo do Algarve recuperou uma metáfora da exortação apostólica do Papa Francisco “Evangelii Gaudium’ (A Alegria do Evangelho) – documento a que o prelado aludiu ao longo do Tríduo Pascal –, afirmando que “a ressurreição de Cristo produz «rebentos» deste mundo novo e ainda que os cortem voltam a despontar porque Jesus não ressuscitou em vão”. “A sua ressurreição contém uma força de vida que penetrou o mundo. Cada dia, no mundo, renasce a beleza que ressuscita transformada através dos dramas da história. Os valores tendem sempre a reaparecer sob novas formas e, na realidade, o ser humano renasceu muitas vezes de situações que pareciam irreversíveis. Essa é a força da ressurreição e cada evangelizador é um instrumento deste dinamismo”, citou.

Apelando aos cristãos, particularmente aos que realizaram a sua iniciação cristã na Vigília Pascal, para que não fiquem à margem desta “marcha da esperança viva”, D. Manuel Quintas afirmou que “celebrar a Páscoa é também deixar-se contagiar pela alegria e pela esperança que inundou o coração dos discípulos na manhã daquele primeiro dia da semana”. Nesse sentido, recuperando outra ideia da exortação referida, advertiu que “os cristãos que não vivem nem testemunham a alegria de Cristo ressuscitado, vivem em Quaresma permanente” e apelou ao “anúncio missionário”. “Professar a fé em Cristo ressuscitado significa ser cristão permanentemente e não contentar-se com participar na eucaristia de vez em quando, talvez na Páscoa e no Natal. Como seria diferente a nossa vida e a do mundo se, em Igreja, nos decidíssemos a ser testemunhas alegres de Cristo ressuscitado”, acrescentou.

O bispo do Algarve disse aos cristãos que o “mundo de hoje” precisa do seu “testemunho de alegria, amor e esperança”. “Que a alegria de Cristo ressuscitado e a profissão da nossa fé na ressurreição de Jesus possam ser o fundamento dinamizador do testemunho evangelizador que somos chamados a prestar como cristãos. Não deixemos que roubem o entusiasmo missionário e a alegria da evangelização”, pediu.

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