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© Samuel Mendonça

O Colégio de Nossa Senhora do Alto, em Faro, homenageou ontem, no âmbito da Semana Cultural que está a realizar até amanhã, o seu bispo fundador, o seu primeiro diretor e a congregação religiosa que trabalhou na sua origem.

Nesse sentido, foi descerrada uma lápide de gratidão ao bispo D. Francisco Rendeiro, ao monsenhor Henrique Ferreira da Silva e às irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, tendo sido ainda identificadas em sua memória três das árvores do seu espaço exterior.

A sessão de homenagem, que teve lugar no polivalente, contou com a presença de três irmãs franciscanas que ontem regressaram pela primeira vez ao colégio depois de terem deixado a instituição em 2007: a irmã Maria Engrácia de Oliveira, a irmã Maria Lucília, uma das primeiras religiosas a vir para a instituição, e a irmã Eulália Esteves, de 90 anos, que chegou a trabalhar no Colégio de Santa Catarina, em Monchique, antes de vir para o Colégio de Nossa Senhora do Alto.

Para além do bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, do diretor daquele estabelecimento de ensino, o padre Carlos César Chantre, da diretora pedagógica, Dulcina Botelheiro, das irmãs salesianas e da restante comunidade educativa, marcaram também presença duas irmãs da comunidade de Olhão da congregação das irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição.

Após o descerramento da placa pelo bispo do Algarve e pela irmã Maria Lucília, a religiosa apresentou um breve historial da instituição da Igreja algarvia, lembrando que tudo começou em 1927 quando D. Marcelino Franco, então bispo do Algarve, pediu à sua congregação irmãs para o Colégio de Santa Catarina em Monchique. Quatro religiosas vieram então para ali em 1931 para lecionar no internato e externato a cerca de 30 alunos e, ao longo de quase 24 anos, mantiveram-se lá.

“O desencadear da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) faz com que muitas alunas abandonem o colégio. A população estudantil baixou bastante”, lembrou a irmã Maria Lucília, acrescentando que, com a vinda para Faro em 1955, após a compra do Palácio Fialho por D. Francisco Rendeiro e a construção do novo edifício a partir de 1961, “os alunos cresceram em larga escala”. “Este estabelecimento de ensino ganhou fama em breve tempo, atraiu muitas alunas do Algarve e também de outras províncias de Portugal. A breve trecho, a população dos alunos atingiu um número muito significativo. À altura da inauguração deste edifício somava 180”, recordou.

No entanto, em 1974, “o internato começou a debandar”. “Os pais vão retirando as meninas internas, porque não se concebia que estivessem no internato «presas», pensava-se. O berço querido, da letra do hino, vivido pelo internato, tornou-se pequeno e apertado para as largas ideias de alguns encarregados de educação e o berço querido foi-se esvaziando”, criticou a consagrada, explicando que, “em contrapartida, muitos alunos externos queriam vir para o colégio”.

Destacando que desde a sua fundação houve sempre alunos que usufruíram, alguns “até gratuitamente”, de “todo o bem” realizado pelas irmãs e professores, a irmã Maria Lucília evidenciou que “o colégio nunca mais viu aliviada a sua lista de espera”. “A vida que palpitava neste estabelecimento de ensino, tornaram-no muito procurado e invejado”, afirmou, explicando que “o decorrer dos anos foram afirmando a preferência dos pais a quem o colégio procurou corresponder sempre, apesar das dificuldades”. “A afirmação de unidade entre o passado e o presente pressupõe um projeto educativo sério que não repudia a história e assenta nos verdadeiros valores a favor de uma educação sólida”, concluiu, depois de referir-se à “diminuição progressiva de vocações” que levou a comunidade das irmãs franciscanas a não poder assegurar a sua permanência ali ao fim de 52 anos, passando o colégio a ser gerido pelas irmãs Filhas de Maria Auxiliadora (salesianas).

D. Manuel Quintas manifestou o seu regozijo por aquela iniciativa de homenagem. “Para mim é motivo de grande alegria estar hoje [ontem] aqui e poder participar neste gesto de gratidão, não apenas para com aqueles que são homenageados mas também para com aqueles que hoje levam para a frente a vida do colégio e estão ao vosso serviço. É sinal que hoje a diocese continua, como no passado, a servir aquelas famílias e os alunos que querem estudar, crescer neste ambiente tão acolhedor e sadio”, destacou.

O prelado apresentou ainda um breve historial de D. Francisco Rendeiro que veio para o Algarve em 1953, tendo sido nomeado bispo da diocese em 1955. “Devemos-lhe não só o colégio mas também a Casa de Retiros de São Lourenço do Palmeiral”, afirmou, lembrando que o Algarve deve-lhe igualmente o restauro do Paço Episcopal, muito danificado pela ocupação na I República, entre 1913 e 1963.

Durante a manhã, houve tempo para contacto com a comunidade escolar e com algumas atividades que ali estão a ser desenvolvidas no âmbito da Semana Cultural.

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