D. Januário Torgal Ferreira lembrou na sua homilia “os camaradas de armas a quem a morte subjugou”, constando que “tem sido cometido ao Exército as tarefas de assegurar as missões de paz, responsabilizando-se pela maioria, senão todas, as novas forças nacionais destacadas”. O Bispo da diocese das Forças Armadas e de Segurança considerou por isso que “o rosto mais visível e prestigiado da política externa de Portugal é constituído pelos militares em missão, a par de 5 milhões de portugueses e portuguesas a quem, com um sorriso nos lábios, deixámos partir sem nada ou quase sem nada”. O Prelado observou que “a condição militar, a qual em tudo, como qualquer espírito de missão do País, merece o justo respeito e justiça que tantas vezes os militares não sentem”. “Acho que está na hora de «acertarmos o relógio» que não tem sido devidamente acertado”, criticou, apelando de seguida aos “problemas da saúde, da persecução das carreiras, da igualdade de condições salariais, da segurança do desempenho futuro no tocante aos jovens e do apoio aos deficientes das forças armadas e dos antigos combatentes”. A terminar defendeu que “a pérola da defesa dos outros é a certeza da esperança desta obra, da esperança de Portugal e do nosso patriotismo, porque ser patriota é ser solidário”. No final da manhã, após a Eucaristia, o Exército Português realizou, na baixa da cidade, um desfile e uma parada militar com mais de mil efectivos, entre os quais tropas paraquedistas, comandos, oficiais, sargentos, praças, pupilos do exército, que entoaram o hino nacional com a presença de largas centenas de civis que quiseram participar nas comemorações. Nuno Severiano Teixeira, num discurso de cerca de 15 minutos, referiu que o Orçamento de Estado para 2009 prevê para o Exército "mais 5,7 por cento de verbas em relação a 2008", um montante que servirá para a modernização dos equipamentos e formação dos recursos humanos. A revisão da carreira e remunerações no Exército estará terminada até ao final do ano, garantiu o ministro da Defesa, destacando que o Orçamento de Estado 2009 prevê um aumento de 5,7 por cento para as Forças Armadas. "Estamos a chegar à fase final do processo [de revisão da carreira no Exército] e vamos depois entrar na fase legislativa e até ao final do ano este processo terá que estar lançado", declarou o ministro Nuno Severiano Teixeira, no âmbito das cerimónias do Dia do Exército em Faro. "A reforma das carreiras que está a ser trabalhada tem dois objectivos: em primeiro lugar adaptar-se àquilo que são os desafios do futuro e do exército moderno e em segundo lugar valorizar a função militar na sociedade portuguesa", explicou. A aposta no capital humano do Exército é uma das prioridades para a instituição militar, defendeu Severiano Teixeira. Depois da formação e profissionalização dos efectivos – 265 obtiveram o diploma do ensino básico e outros 1.800 estão em processo de formação através do programa "Novas Oportunidades" no Exército -, mas o desafio que se coloca agora no Ministério da Defesa é a "captação de mais recursos humanos", declarou no discurso que proferiu em Faro. A qualificação e formação é um "investimento no futuro do Exército e no país, que permite enfrentar os desafios vindouros com serenidade e determinação", defendeu, por seu turno, o general Pinto Ramalho, Chefe de Estado-Maior do Exército (CEME). Segundo o general Pinto Ramalho, o projecto de Educação e Formação quer a nível académico, quer profissional, está em estado "avançado" e há um grande "estímulo de participação" dos efectivos. Neste momento há cerca três mil militares a fazer o programa de formação de certificação escolar através do Centro de Novas Oportunidades do Exército. Aderiram ao programa "55 por cento dos militares que ainda não completaram o Ensino Básico e cerca de 38 por cento, dos que ainda não terminaram o ensino Secundário, num total de 2980 militares", declarou o CEME. O general Pinto Ramalho referiu que a celebração do Dia do Exército em Faro reflecte "a importância que o Exército atribui a uma presença efectiva e equilibrada em todo o país, numa perspectiva de abertura e proximidade com a sociedade", mas também para "dar a conhecer o exército e o que faz". Na cerimónia da parada militar esteve presente o general Ramalho Eanes, ex-Presidente da República e a sua mulher, Manuela Eanes, o autarca de Faro, José Apolinário, e a Governadora Civil de Faro, Isilda Gomes, entre outras entidades. Na baixa de Faro, a população pode ver ao longo de quatro dias diverso tipo de armamento e equipamento militar, um hospital de campanha, e ficar com a ideia do Instituto Geográfico do Exército e do Laboratório Militar de Produtos Químicos e Farmacêuticos. Para além da cidade de Faro, todas as unidades e infra-estruturas do Exército Português, no continente e regiões autónomas, têm as suas portas abertas ao público, estando a organizar "visitas, exposições, provas desportivas, recreativas e culturais". No âmbito desta efeméride, no último sábado, o Bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, integrou também as comemorações que tiveram lugar em Faro.