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Equipas de Nossa Senhora do Algarve e de Huelva refletiram sobre problemas que afetam a família

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Foto © Samuel Mendonça

Os casais do movimento das Equipas de Nossa Senhora (ENS) da Diocese do Algarve e da vizinha Diocese de Huelva voltaram a reunir-se no passado domingo em mais uma edição do Encontro Ibérico que teve lugar na Conceição de Tavira com cerca de 215 participantes.

Estas iniciativas entre andaluzes e algarvios tiveram início em 1994 com o Encontro Internacional das ENS em Fátima. A partir daí têm vindo a realizar-se alternadamente em Huelva e no Algarve.

O encontro de domingo teve início após o acolhimento, com a celebração da eucaristia na igreja matriz da Conceição de Tavira presidida pelo bispo do Algarve. D. Manuel Quintas começou por explicar que a ausência do bispo de Huelva, D. José Vilaplana Blasco, se deveu à morte da irmã do bispo emérito da diocese.

D. Manuel Quintas regozijou-se com estas iniciativas dos membros das ENS das duas dioceses “que se encontram e partilham a alegria de pertencerem a este movimento” e encontram nele “ajuda e apoio à sua vida de casal, de matrimónio, de família”, sem olhar ao Guadiana que os “divide”, nem à diferente “língua que falam”, mas “à fé que os une e reúne”, “ao amor que alicerça a vida da família, do casal” e também à “proteção de Nossa Senhora”. “Tudo isto está para além dos limites geográficos ou das línguas porque todos, iluminados pelo amor de Deus, acabamos por falar a mesma linguagem”, sustentou.

Na eucaristia, concelebrada pelos assistentes das ENS de ambas as dioceses, padres Fernando Rafael Rocha (pároco local), Manuel Gómez Orta e Luis Espina Cepeda (jesuíta), o prelado exortou os casais a viverem com a esperança que destacou ser a “fonte” para “ultrapassar as falhas e as limitações”. “A esperança unida à vigilância e ao amor constitui o tripé que deve ser de apoio à vida familiar e, sobretudo, ajudar a superar as dificuldades por que as famílias todas passam para que a vida na família seja fonte da alegria como nos pede o papa Francisco”, observou, lembrando que o amor familiar “inclui também o perdão, a compreensão e a tolerância, a capacidade de aceitação do outro, sobretudo à medida que a vida e os anos vão aumentando” e as pessoas vão “ficando diferentes”.

No final da celebração, o novo casal responsável pelo Sector do Sotavento Oriental (Tavira), Ângela e José Pereira, assumiu o cargo, substituindo Nélia e Tiago Cruz, com a incumbência da criação de um único sector regional algarvio que substitua os atuais do sotavento e barlavento. Foi-lhe ainda entregue a imagem da Sagrada Família, que desde 2011 peregrina alternadamente, pelos casais das ENS das duas dioceses e que agora irá passar durante seis dias pelas casas das famílias das equipas algarvias.

Foi também lida pelo casal responsável da Região Alentejo-Algarve, Jorge e Paula Mateus, uma mensagem do casal responsável da Supra Região Portugal que salientou a importância deste intercâmbio luso-espanhol. “É na existência, na perseverança e na entreajuda que caminhamos. Aí no Algarve, em Fátima ou em Espanha somos o mesmo movimento em comunhão”, escreveram Margarida e João Paulo Mendes.

Depois da eucaristia, o encontro prosseguiu nas instalações da igreja de Cabanas, onde decorreu o almoço partilhado e o fórum da tarde subordinado ao tema da jornada “Matrimónio, a célula viva de testemunho cristão” que abordou problemáticas respeitantes à família com reflexões do bispo do Algarve e do vigário geral da diocese algarvia que é também o assistente do Sector Diocesano da Pastoral Familiar, cónego Carlos César Chantre, do padre Manuel Gómez Orta e dos casais Jorge e Paula Mateus e dos seus congéneres de Huelva, Carmen Blanco e Manuel Ponce.

O cónego César Chantre abordou o ponto 119 da exortação apostólica pós-sinodal do papa Francisco Amoris Laetitia (A alegria do amor) onde realça que “na vida familiar, é preciso cultivar esta força do amor, que permite lutar contra o mal que a ameaça”. Por outro lado, partindo do livro “Riprendiamoci i nostri figli” (em português, “Recuperemos os nossos filhos”), de Antonio Polito, lançou a pergunta: “Por que os filhos deixaram de nos ouvir?”, desafiando a Igreja a alterar os “códigos linguísticos e mentais para que os jovens entendam a mensagem”. “Temos de perguntar por que é que os nossos filhos deixaram de nos ouvir e a Igreja tem de perguntar por que é que os seus jovens deixaram de a ouvir, não acusando nem uns nem outros, mas fazendo uma revisão em relação aos métodos e sinais utilizados”, defendeu.

O sacerdote lembrou que a família é uma das “células fundamentais” da sociedade não valorizada pelo “Estado moderno” e lamentou que a Igreja tenha se deixado levar pelo “domínio desse pensamento estatal em que mais importante é o individuo do que a pessoa”. “Se o mais importante é o indivíduo, então a família não faz sentido, porque a família é um conjunto de pessoas”, criticou aquele responsável que desafiou os católicos à reversão do “problema europeu” da família.

Também o padre Manuel Gómez Orta lamentou que tenha sido “declarada guerra à família” e lembrou aos casais que eles são os “apóstolos que Cristo tem”, escolhidos para serem “seus mensageiros neste sector da família. “Para ser estes apóstolos, as Equipas de Nossa Senhora têm a oração, a arma mais poderosa”, sustentou, considerando que “Cristo é a luz de que necessita o mundo que está nas trevas” e que “a família necessita de Deus”. “Sabemos como está a família porque lhe falta Deus”, acrescentou, desafiando os católicos a não terem vergonha de testemunhar a sua fé.

Seguiu-se a apresentação de um vídeo promocional do Encontro Internacional que se realizará em Fátima de 16 a 25 de julho com membros das ENS de vários países do mundo. Na mensagem transmitida na missa, o casal responsável da Supra Região Portugal, destacou “a alegria da partilha e da internacionalidade com tantos casais vindos dos sítios mais remotos” que “testemunham a riqueza de ser casais cristãos e membros das Equipas de Nossa Senhora” naquele encontro. Margarida e João Paulo Mendes consideraram o evento, que se realiza de seis em seis anos, uma experiência de “comunhão na diversidade da língua e da cultura”. “O desafio que vos fazemos é o de alargarem ainda mais esta vossa comunhão com o mundo inteiro. Será sem dúvida uma experiência única que marca para sempre quem ousa arriscar”, apelaram.

O encontro dos casais algarvios e andaluzes, que terminou com uma oração mariana presidida pelo padre pároco anfitrião, coadjuvado pelo diácono Tiago Veríssimo, passará a partir de agora, conforme foi anunciado, a realizar-se anualmente no primeiro domingo do Advento, tendo lugar na paróquia de Isla Cristina, Diocese de Huelva, no próximo ano.

As ENS são um movimento de espiritualidade conjugal, presente em 80 países de todos os continentes, com cerca de 135.000 membros, distribuídos por 12.000 equipas, que procura ajudar os casais “a caminhar para a santidade”, conforme palavras do seu fundador, o padre Henri Caffarel, cujo processo de beatificação está a correr em Roma. Na Diocese do Algarve, as ENS são atualmente 12, presentes em Tavira (7), Faro (2), Loulé (2) e Silves (1), estando o processo de criação de mais três em Portimão previsto para se iniciar em breve.

Em 1960, o Conselho Pontifício para os Leigos conferiu às ENS o reconhecimento como Associação Católica Internacional e em 1992 foi publicado o Decreto de Associação de Fiéis de Direito Privado.

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