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Foto © Samuel Mendonça

O Centro Educativo e Cultural Luso-Ucraniano de Faro “Escola Taras Shevtchenko” está a celebrar este ano 10 anos de existência e no passado sábado assinalou o aniversário com uma festa na sede da delegação regional de Faro do Instituto Português do Desporto e Juventude.

A iniciativa, que reuniu imigrantes ucranianos de todo o Algarve, lembrou o início daquela escola ucraniana que surgiu na sequência da grande vaga da imigração para Portugal iniciada em 2001. “Começámos com as aulas de português para adultos e depois surgiu a ideia de formar uma turma pequena de crianças quando começaram a vir muitas da Ucrânia. Pretendíamos continuar a ensinar a nossa língua, as nossas tradições e a nossa história aos nossos filhos”, explicou no sábado Igor Korbelyak, presidente da Associação dos Ucranianos do Algarve.

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Foto © Samuel Mendonça

Natalia Dmytruk, diretora da escola ucraniana em Faro que agradeceu e homenageou o apoio da Igreja Católica algarvia, explicou ao Folha do Domingo que, em 2004, com a chegada de muitas crianças ucranianas, surgiu a ideia de organizar a escola para ajudar na sua integração na comunidade portuguesa, o que aconteceu com apenas 12 alunos e três professores numa sala de catequese cedida pela paróquia farense de São Luís, onde já se reuniam imigrantes adultos para terem aulas de português.

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Foto © Samuel Mendonça

A escola funcionou até 2005 nas instalações da paróquia, tendo passado depois para a escola EB 2/3 José Neves Júnior onde permanece até hoje. Igor Korbelyak lembra que em 2005 existiam cerca de 7.000 ucranianos no Algarve, número que desceu nos últimos anos porque “muitos, depois de obterem a legalização, foram embora para outros países por causa da crise e da falta de trabalho”.

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Foto © Samuel Mendonça

No período alto da imigração, a escola rapidamente passou de 12 para 70 alunos, tendo chegado a acolher cerca de 90 crianças que no início aprendiam apenas a língua, a literatura, a história e as tradições ucranianas. Hoje funciona com cerca de 60 estudantes e muitas mais disciplinas, mercê das exigências inerentes ao reconhecimento e à parceria iniciada em 2010 com o Ministério da Educação ucraniano que realiza avaliações duas vezes no ano letivo.

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Foto © Samuel Mendonça

As crianças, adolescentes e jovens ucranianos, que frequentam a escola portuguesa de segunda a sexta-feira, têm aulas na escola ucraniana ao domingo, das 9 às 16h, lecionadas por imigrantes como Natalia que no seu país era professora, mas que chegada há 14 anos a Portugal nunca conseguiu alcançar a integração profissional, ganhando até hoje a vida como empregada de limpeza. “Sou professora, mas limpo casas”, refere com um sorriso de resignação.

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Foto © Samuel Mendonça

Também em 2010, a Escola Taras Shevtchenko constituiu-se juridicamente como Associação de Solidariedade Social, mas Igor Korbelyak considera que o caminho trilhado até hoje “nem sempre foi fácil”. “Na altura não pensámos que seria possível desenvolver tanto a escola e alcançar tanto sucesso”, referiu.

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Foto © Samuel Mendonça

A escola de Faro é uma das oito ucranianas existentes no país, realidade que Natalia Dmytruk explica garantindo que “Portugal é o país da Europa com mais famílias completas de imigrantes ucranianos”.

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