D. Manuel Quintas aproveitou a presença muito numerosa de várias gerações de jovens educados e formados pela Obra de Nossa Senhora das Candeias, deixando-lhes um apelo. Classificando-os como “fruto de qualidade” da “sementeira de amor” da instituição e como “flor que não murcha”, o Bispo diocesano exortou-os a testemunharem pela vida fora os dons recebidos. “É importante que possam «perfumar», espelhando aquilo que aprendestes. Que esse «perfume» possa «perfumar» a vossa vida, família, local de trabalho e a sociedade”, desejou. O Prelado explicou ainda, à luz da fé cristã, o significado da participação dos presentes naquele momento. “Sempre que nos reunimos para rezar por alguém que o Senhor chamou a si, estamos a fazer uma afirmação profunda de fé na ressurreição de Cristo e ao mesmo tempo estamos a professar também a nossa esperança cristã. Fé e esperança devem ser alimentadas pela caridade”, justificou, lembrando, a propósito, que Erica Leucht, “dedicou toda a sua vida aos mais necessitados”. Com base nas leituras escutadas, D. Manuel Quintas frisou que “o que conta verdadeiramente na nossa vida são os gestos de amor”. “O amor deve ser vivido com este sentido de simplicidade, gratidão e serenidade, características que encontrávamos nesta mulher de Deus, essa paz e serenidade que transmitia e que inundava todos aqueles que estavam à sua volta”, lembrou, apelando a que a Palavra de Deus e o testemunho da falecida possam fortalecer na mesma fé os presentes, animando-os na esperança e levando-os a decidirem-se a viver esse “amor altruísta e gratuito”. A Obra de Nossa Senhora das Candeias nasceu em 1958, a partir de um grupo de senhoras que militavam na Acção Católica na Diocese do Porto e que, com o apoio de D. Florentino de Andrade e Silva, pela sua formação, sentiram necessidade de se vincular mais ao serviço da Igreja. Constituídas como leigas consagradas, abriram na altura um lar para receber no Porto raparigas estudantes provenientes das redondezas que não tinham casa onde ficar. Passado pouco tempo começaram a surgir na instituição situações relacionadas com o abandono de crianças ou com a sua entrega por parte de famílias que não as conseguiam sustentar, sentindo-se as responsáveis pelo lar coagidas a atender àquele flagelo social. Terá sido este facto que esteve na origem da Obra de Nossa Senhora das Candeias, que depois se espalhou pelo País, distribuída por várias casas, estando actualmente presente no Porto, Braga, Aveiro, Pinhel e Olhão, e que tem como principal característica o objectivo de “fazer família com os que não têm família”. Embora não fazendo parte do núcleo central das fundadoras, Erica Leucht fez parte do grupo de senhoras que acompanhou a origem da instituição no Porto. De descendência alemã, formada em Física e Química foi professora no Porto, Olhão e Tavira e veio para o Algarve quando se fundou o núcleo de Olhão, por volta de 1976, a convite de D. Florentino de Andrade e Silva, então Bispo do Algarve. Embora não tivesse integrado a equipa inicial, responsável pela abertura do núcleo algarvio, Erica Leucht integrou, imediatamente a seguir, o grupo das sua responsáveis, função que desempenhou até à sua morte juntamente com Maria de Fátima Moreira que continua a dirigir a instituição em Olhão. Tendo falecido, ao que apurámos, devido a complicações cardíacas, Erica Leucht, – reconhecida pelos mais próximos como uma pessoa “culta e bondosa” –, foi sepultada no Cemitério Novo de Olhão. Para além do Bispo do Algarve, as celebrações fúnebres foram participadas pelo cónego Álvaro Mancilha Veteriano, reitor do Seminário Maior da Diocese do Porto, pelo cónego Gilberto Soares Santos, pelo pároco de Olhão, padre Luís Gonzaga, e pelos padres Alberto Teixeira, Armando Filhó Amâncio e Jorge Carvalho. Esteve ainda presente o presidente da Câmara de Olhão, Francisco Leal, para além de muitos membros da comunidade olhanense.