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Foto © Samuel Mendonça

“Vicente é essa prova de que a permanência em Cristo vence os obstáculos, vence as tribulações”, afirmou hoje o padre Nuno Coelho, que esta manhã presidiu em Vila do Bispo à solenidade do padroeiro da Diocese do Algarve.

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Foto © Samuel Mendonça

O diácono e mártir São Vicente, padroeiro também de Vila do Bispo, foi apontado pelo pároco daquela paróquia como exemplo de perseverança na fé, mesmo nos momentos de maior provação. “Vicente dizia uma coisa àqueles que o atormentavam: «podeis quebrar tudo aquilo que está por fora, os ossos, o corpo, mas aquilo que guardo por dentro nunca o quebrareis»”, contou o sacerdote, lembrando o martírio do santo em Valência (Espanha), no início do século IV (crê-se que no ano de 304), durante as perseguições do imperador romano Diocleciano contra os cristãos da Península Ibérica, por recusar oferecer sacrifícios aos deuses do panteão romano.

“Para aqueles que o torturavam, a pior coisa que Vicente lhes fez foi sorrir”, acrescentou, explicando que “o sorriso é o estar consciente na certeza de que Deus o fortalece e quebra os seus algozes”. “Vivemos num tempo também de tribulações, um tempo de afastamento, um tempo, muitas vezes, de esquecimento de Deus. Vicente mostra-nos o quão importante é confiar neste Deus, o quão importante é permanecer firme na fé. A sua postura mostra-nos esta alegria definitiva do encontro com Cristo”, prosseguiu o prior, realçando que “na tribulação vence a fé, vence o amor”. “É esta esperança, este amor e esta fé em Cristo Jesus que fez com que Vicente conseguisse vencer as batalhas e suportar o martírio”, sustentou na eucaristia que teve lugar na igreja matriz.

O padre Nuno Coelho considerou assim que os sofrimentos pessoais, se vividos com fé, custam menos a suportar. “Quando colocamos nas mãos de Deus a nossa dor em reparação dos pecados do mundo – que são muitos e que precisam muito da nossa oração –, aquilo que sofremos torna-se bálsamo, torna-se sacrifício oferecido a Deus em reparação e isso ajuda-nos também a aliviar a nossa dor, a nossa tristeza, porque pensamos também nos outros”, afirmou.

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Foto © Samuel Mendonça

Referindo-se à relíquia do santo sob o altar, o sacerdote explicou o sentido da mesma na celebração e na procissão que se lhe seguiu. “Olhando para esta relíquia, percebemos que se este homem como nós foi constante na fé, também nós podemos chegar um dia a ser santos. Também eu, se perseverar na fé contra as tribulações, posso um dia chegar junto do Pai”, justificou.

“Que também nós sejamos testemunhas fiéis deste Deus que ama, que é Pai, que nunca nos abandona. São Vicente seja para nós estímulo e testemunho. Estímulo para perseverarmos na fé e testemunho de que as tribulações são vencidas com a graça de Deus”, exortou na eucaristia que contou também com a concelebração de vários outros sacerdotes da diocese e a participação de alguns diáconos, para além de um grupo de peregrinos da paróquia de Silves.

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Foto © Samuel Mendonça

No final da eucaristia, a procissão com a imagem e a relíquia do santo percorreu as principais ruas da vila onde hoje é feriado municipal com uma passagem pelo quartel dos bombeiros para um momento de oração. “É necessário rezarmos muito por estes homens e mulheres que dão a vida e colocam a sua vida, muitas vezes, em risco por causa da nossa”, afirmou o padre Nuno Coelho.

Segundo a tradição, após ter sido assinado, o corpo do mártir que pertencia à Igreja de Saragoça (Espanha), não tendo nascido no território que hoje é Portugal, terá sido trazido para o Algarve no século VIII pelos cristãos de Valência com receio da invasão muçulmana e o Cabo de São Vicente passou a ser lugar de peregrinação porque as comunidades moçárabes existentes no Algarve, constituídas por cristãos que conseguiram organizar-se sob o domínio muçulmano, encontraram no testemunho de São Vicente, coragem e alento. Em 1173, as suas relíquias terão sido conduzidas numa barca para Lisboa, a mando de D. Afonso Henriques e veladas durante todo o trajeto por dois corvos, motivo pelo qual São Vicente é representado com uma barca e um corvo. Também aparece representado com palma, que simboliza o martírio, e evangeliário. São Vicente ou São Vicente de Saragoça, também conhecido por São Vicente de Fora (Lisboa) é por isso também padroeiro do Patriarcado de Lisboa, onde se guardam algumas das suas relíquias.

D. Francisco Gomes do Avelar proclamou, em 1794, São Vicente como padroeiro principal da Diocese do Algarve.

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