Embora com uma maior representação vicarial do que duas semanas antes em Aljezur, – pois desta vez, para além do novo pároco local, o padre Flávio Martins, esteve ainda presente o padre Atalívio Rito, prior das vizinhas comunidades paroquiais de Alcoutim, Giões e Pereiro –, o Lausperene diocesano voltou, neste segundo momento de celebração interparoquial, a não atrair os destinatários pretendidos das vigararias de Tavira e Faro. Sem contar com outros representantes de fora, concretamente da paróquia de Cachopo e de uma religiosa que forma equipa com o padre Atalívio Rito, rapazes presentes esteve apenas um, da paróquia anfitriã, para além dos seminaristas que se deslocaram de Faro, acompanhados, pelo padre Pedro Manuel e pelo diácono António de Freitas, ambos prefeitos do Seminário de São José. “Ao concluirmos esta cadeia de oração eucarística, voltemos não só a prostrar os nossos joelhos. Prostremos o nosso coração e com ele a nossa vida, dando graças a Deus por todos os motivos e por todas as vezes em que não faltou com trabalhadores à seara que é sua”, apelou ainda o padre Pedro Manuel, diante do padre Flávio Martins, os dois últimos sacerdotes algarvios a serem ordenados. O prefeito do Seminário diocesano, entidade promotora do Lausperene que se realiza no Algarve já há 4 anos, exortou ainda os presentes a deixar que Deus lhes fale na “intimidade”. “Que essa palavra, escutada no íntimo de cada um de nós, possa ser «luz» e «sal» nas nossas relações e no modo como vivemos a nossa vocação baptismal junto dos irmãos”, desejou. À Igreja do Algarve lembrou que Deus a tem acompanhado. “Têm sido vários os sinais que Deus tem dado à nossa Igreja diocesana de que está presente connosco, de que escutado com os «ouvidos» do seu coração de Pai a súplica que a nossa voz de filhos continua a fazer”, considerou o padre Pedro Manuel. O jovem sacerdote afirmou ainda que “o local excelente onde Deus «semeia» a sua «semente» de vida não é o coração de um grupo inacessível de eleitos, mas o coração de homens e mulheres como nós”. “Queremos que seja o coração dócil daqueles que se deixem cativar pelo amor de nosso Senhor Jesus Cristo”, complementou, lembrando que “rezar pelas vocações ao sacerdócio e por todos os sacerdotes é rezar por todos aqueles que estão ao cuidado dos sacerdotes”. O seminarista Fernando Rafael Rocha, de 29 anos, testemunhou que “não gostava de padres, nem simpatizava com a Igreja”. Garantindo que tinha as suas “crenças em Deus e em Cristo”, embora completamente “desligado da Igreja”, explicou que os últimos três anos da sua vida foram “uma grande luta interior” para descobrir o seu caminho. “Interiormente não me sentia bem, precisava de algo mais”, reconhece, adiantando que tomar a decisão de entrar no seminário, depois de ter sido baptizado na última Vigília Pascal, foi “algo complicado”, porque tinha uma família que dependia um de si. “Tinha um bom emprego e uma vida organizada com uma casa para ser paga ao banco. Agradeço a Deus pela coragem que me deu para conseguir dar este passo”, salientou, lamentando ter tido de procurar a Igreja sozinho por não ter tido apoio de ninguém. Antes de terminar a celebração, o padre Pedro Manuel, que confiou a Deus o Seminário, a Igreja do Algarve, os jovens e seminaristas e todo o povo cristão, insistiu no pedido pela oração vocacional que uniu nas últimas duas semanas as paróquias algarvias com os seus membros, grupos, associações, movimentos e obras, à semelhança do que já faz a comunidade de Martinlongo na primeira quinta-feira de cada mês. “Diariamente precisamos de pessoas como vós que rezem pela nossa vida e também por todos os momentos em que não conseguimos ser santos”, pediu. No final da vigília de oração, os paroquianos locais ofereceram uma ceia preparada no salão do Centro Paroquial de Martinlongo. Mais fotos, brevemente na Galeria de Imagens