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Foto © Samuel Mendonça

Fechada desde o final de 2014 para obras de recuperação e restauro, a igreja matriz de Pêra foi reaberta no passado domingo, dia em que se celebrou ali a eucaristia presidida pelo bispo do Algarve, D. Manuel Quintas.

Realizada em duas etapas, obra contemplou na sua primeira fase os arranjos exteriores com intervenção nas paredes e no telhado e na segunda fase o arranjo interior com intervenção ao nível do pavimento, paredes, retábulos, teto e instalação elétrica. Conforme explicou Pedro Barbosa, da empresa responsável pela execução da obra, o restauro dos retábulos incluiu a sua desmontagem para desinfestação preventiva contra insetos xilófagos, consolidação, preenchimento e nivelamento, limpeza e retoque da talha com folha de ouro fino e retoques em pontos estratégicos.

A intervenção nas estruturas retabulares permitiu a descoberta da policromia original que se encontrava coberta por uma camada posterior. Foi igualmente descoberta uma pintura mural no altar do Senhor dos Passos que agora foi deixada à vista e aproveitado um espaço para exposição de algumas peças de arte-sacra.

Na missa de reabertura da igreja, o bispo do Algarve destacou que à beleza da renovada igreja de pedras deve corresponder igual esforço de renovação da Igreja de pessoas. “É importante que, contemplando esta igreja que vemos, passemos para a Igreja que somos. Se é bela a igreja onde nos reunimos – e, de facto vemos que é isso que aconteceu depois destas obras de restauro –, não deve ser menos bela a Igreja que somos, que queremos ser e que devemos construir cada dia”, afirmou D. Manuel Quintas.

O prelado explicou que a Igreja constituída pelos cristãos só será bela se a sua vida estiver “apoiada em Cristo”, acrescentando que isto se consegue através da escuta da Palavra de Deus, da participação na eucaristia, da oração e da partilha fraterna. “Que bom que seria que a reabertura da vossa igreja significasse a decisão de ser mais e melhor Igreja, mais de acordo com as exigências que Cristo nos deixou”, afirmou.

Na sessão explicativa da intervenção, que se seguiu no salão do Centro Pastoral de Pêra onde teve lugar a eucaristia dominical ao longo do último ano e meio, D. Manuel Quintas disse que aquelas obras “confirmaram mais uma vez aquilo que, nas paróquias, os leigos são capazes”. “Por vezes, pensamos que têm de ser os padres a estar à frente de tudo, mas não é preciso que estejam. Podem estar na retaguarda que estas obras fazem-se e muito bem”, advertiu, sublinhando “a força, a energia, a capacidade, a qualidade de trabalho, de doação e de entrega” que constatou naquela intervenção.

Na eucaristia, o bispo diocesano lembrou e agradeceu todos os que já faleceram e se destacaram pela sua generosidade e dedicação àquela obra. “Verifica-se, quer para a construção do Centro Pastoral, quer para o restauro da igreja, que a herança que foi deixada a esta paróquia está a ser bem entregue. Por isso, quem tem heranças, não tenha medo de as deixar para obras destas. Como estes bens podem fazer bem a todos”, acrescentou na sessão se seguiu à celebração, considerando que aquelas obras “vão falar durante muitas dezenas de anos”.

Também o pároco de Pêra manifestou a sua “grande emoção” pela inauguração das obras da Igreja que agora diz estar “muito mais enriquecida” e “muito diferente daquilo que era”. “Quando vi uma retroescavadora dentro da igreja apeteceu-me chorar e pensei: «nunca mais vamos ter a nossa igreja no ar». Graças a Deus, hoje vemos que ela não só está no ar, mas está muito melhorada”, acrescentou o padre Manuel Coelho.

O sacerdote concordou que aquela igreja deve ser sinal da outra. “Que esta «nova» igreja, hoje cheia da gente, seja o símbolo de uma viva feita de pessoas. Que seja o convite para que mais pessoas formem a Igreja viva desta paróquia de Pêra”, desejou, considerando “um orgulho para os pereirenses ter uma igreja não só para os cristãos, mas também para muita gente que a vai visitar”. “Queremos rentabilizá-la”, afirmou, explicando que o templo, embora sirva, sobretudo, para o culto dos cristãos, acolherá também eventos culturais.

Avaliando o “belo trabalho” feito por todos os que ali trabalharam, o prior agradeceu o acompanhamento do projeto pelo padre Mário de Sousa que ali foi pároco há 16 anos. O sacerdote, presente na reabertura, destacou o “grande gosto” e o “grande sentido de comunidade” dos habitantes de Pêra pela sua terra “com a capacidade de se unirem sempre para poderem levar os projetos comuns adiante”. Tal como os restantes intervenientes, o padre Mário de Sousa destacou ainda a “força anímica” de Carlos Cristóvão, um dos responsáveis daquela que foi a sua primeira paróquia, juntamente com Alcantarilha, e frisou a importância de se transmitir aos vindouros “não só o edifício, mas sobretudo a fé”.

O presidente da União Freguesias de Alcantarilha e Pêra, João José Palma dos Santos, considerou que “foi importante renovar o edifício e é importante que cada um possa renovar o coração”. Já a vereadora da cultura da Câmara de Silves, Luísa Conduto Luís, destacou a importância da preservação patrimonial. “O que temos ali é um monumento que nos permite o culto e transmitir a nossa cultura a todos aqueles que nos possam visitar”, afirmou na sessão que contou com apresentações fotográficas dos trabalhos realizados e animação musical do acordeonista Tino Costa.

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