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Foto © Samuel Mendonça

“Fátima é uma «janela» de esperança que Deus abriu, mesmo quando nós lhe fechamos a «porta» e por onde Ele, com certeza, vai entrar”. Foi com esta metáfora, a partir de uma afirmação de Bento XVI que serviu de tema à reflexão, que a irmã Ângela Coelho concluiu a sua intervenção (disponível áudio abaixo) na assembleia da Diocese do Algarve, na qual, no passado sábado, foi apresentado o Programa Pastoral de 2016/2017.

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Foto © Samuel Mendonça

A religiosa da Aliança de Santa Maria, que é também postuladora da causa de canonização dos beatos Francisco e Jacinta Marto e vice-postuladora da causa de beatificação da irmã Lúcia, foi a conferencista da Assembleia Diocesana que reuniu cerca de 400 representantes das paróquias, dos serviços e movimentos da diocese algarvia no Centro Pastoral de Pêra.

“Fátima é este sinal de Deus para o nosso tempo, onde a sua Mãe nos vem recordar as verdades do evangelho”, destacou a irmã Ângela Coelho na sua conferência, intitulada “Fátima, janela de esperança para o mundo de hoje”, sobre o acontecimento das aparições que no próximo ano celebrará o seu centenário.

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Foto © Samuel Mendonça

A conferencista começou por esclarecer que “a revelação privada, como é o caso de Fátima, só é aprovada [pela Igreja] porque aponta para a revelação pública” de Deus, ao longo da história, ao ser humano. “As aparições são chamadas revelações privadas e só são aprovadas quando se percebe o evangelho presente nelas”, explicou.

A religiosa, que se deteve na dimensão mariana da mensagem de Fátima – referindo-se à “presença e ação de Jesus” na “micro-história”, ou seja, na vida de cada pessoa, e na “macro-história”, isto é, na vida da Igreja e na História –, lembrou que essa é apenas uma das dimensões que constituem o “corpo doutrinal” que disse existir em Fátima.

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A irmã Ângela Coelho frisou que é a “intimidade de vida” que leva à “compreensão de quem” é Maria. “Não é a tentar estudá-la nos manuais de mariologia que entendemos quem é Nossa Senhora. Primeiro encontramo-nos com ela e depois esse encontro vai levar ao conhecimento”, destacou, alertando que não basta a “inteligência para captar os conteúdos”, mas que é preciso “aderir de coração”.

Neste sentido, destacou que Nossa Senhora é “refúgio” e “caminho” que leva a Jesus. “Intercede por nós (é o papel dela no céu), acolhe aquilo que somos e é modelo e vai-nos apontando para Jesus”, explicou, lembrando que Maria permanece com a humanidade. “Aquela mulher que há dois mil anos estava a acompanhar a subida para aquela escabrosa montanha do calvário para onde ia o seu filho, continua a acompanhar-nos hoje. Aquela mulher que estava aos pés da cruz de Cristo, hoje está aos pés da minha cruz e está aos pés da cruz da história porque a nossa humanidade sofre; está junto dos que peregrinam em direção a Cristo com o seu esplendor a defender-nos e a proteger-nos”, afirmou.

Citando Bento XVI, a consagrada enfatizou Fátima como uma “escola de fé” que conduz a uma “experiência de Deus”, experimentando “Jesus na vida como Alguém que salva e redime”. “Esta experiência, do encontro com o Senhor para que Ele seja o meu salvador e não apenas o Jesus de quem ouvi falar, faz-se em Fátima. É esta mesma experiência de Deus, através de Nossa Senhora, que a mensagem de Fátima vem proporcionar ao homem e à mulher do século XXI, esta centralidade de Deus nas nossas vidas acompanhados pela Virgem Maria”, complementou.

Destacando três caraterísticas de Nossa Senhora, começou por referir-se à “Senhora do Coração Imaculado”, lembrando que esta evocação está presente em todas as aparições, desde a do anjo da paz, em 1916, à de Tui (Espanha), em 1929. “Deus e a sua Mãe olham para nós com compaixão. O coração de Maria aparece unido ao de Jesus como aqueles que suplicam pelas nossas necessidades”, explicou, evidenciando, por isso, que Fátima tem implícito desde o início o “anúncio da misericórdia”.

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Foto © Samuel Mendonça

Lembrando que o culto ao coração de Maria não se refere ao músculo cardíaco mas a “toda a sua pessoa onde se conflui a sua inteligência, a sua liberdade, a sua vontade, a sua memória”, a irmã Ângela Coelho, que também é médica na Unidade de Cuidados Continuados do Hospital de Leiria, alertou para o que significa ter-lhe devoção. “Não é olhar para a imagem e dar um grande suspiro. Não é só ir a Fátima em peregrinações, não pode ser só pôr velinhas ou flores a Nossa Senhora de Fátima”, advertiu, aludindo a uma “dinâmica da conformação com Jesus”. “É querer fazer com que o centro conformador da minha vida seja fazer a vontade do Pai”, explicou, assegurando que a oração do rosário “configura com Cristo”. “Rezar o rosário significa entrar no «coração» de Maria e ver os mistérios que ela lá guardou que são os mistérios da vida de Jesus. O rosário, quando rezado diariamente, contemplando os mistérios de Jesus, transporta-me para junto dela e isto permite-lhe a ela (é ela e o Espírito Santo que trabalham) educar-me e plasmar-me até que Cristo esteja formado em mim”, complementou.

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Foto © Samuel Mendonça

A irmã Ângela Coelho considerou mesmo ser este o “segredo da santidade”. “Esta união com Cristo, este tentar ter em mim e nos meus sentimentos os sentimentos de Cristo na sua própria paixão enquanto vou sofrendo nesta minha peregrinação, é o segredo da santidade”, afirmou, lembrando que esta configuração com Cristo é apontada na terceira parte do segredo de Fátima.

A oradora considerou que em Fátima é dado um “outro horizonte” ao sofrimento humano que não responde ao “porquê” mas no qual se aponta o “para quê”.

Conferência da irmã Ângela Coelho:

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