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© Samuel Mendonça

Na Jornada Bíblica que a Igreja do Algarve está hoje a realizar no Centro Social e Pastoral de Ferragudo sobre a Família, quando cumpre um programa pastoral particularmente dedicado a esta realidade, o frei Herculano Alves apresentou a família como “elemento fundamental da criação de Deus”.

O franciscano capuchinho, sobre o tema “A instituição familiar na Bíblia”, frisou que “o amor entre o homem e a mulher é, na terra, a expressão mais profunda do amor”, considerando não haver “relação mais perfeita do que a relação matrimonial”.

Neste sentido, o orador defendeu que “a imagem mais perfeita de Deus vê-se no amor do homem e da mulher, a família”, que disse ser “a especialização da relação entre homem e mulher”. “A família – o homem e a mulher – é que é a imagem de Deus porque é o lugar teológico que, neste mundo, manifesta melhor quem é Deus”, sustentou.

A VI Jornada Bíblica, sobre o tema “A Família, projeto divino”, promovida pelo Centro de Estudos e Formação de Leigos do Algarve (CEFLA) da Igreja algarvia, está a ser participada por cerca de 80 participantes.

O orador explicou que o “ser humano – homem e mulher – participa na obra criadora de Deus”, sendo “delegados a governar o mundo, seja na política, na economia…”.

Por outro lado, destacou que “o casal representa Deus na recriação, no repovoamento do mundo”, explicando contudo que “a expressão «crescei e multiplicai-vos» não significa que o matrimónio é feito especificamente para ter filhos”. “Ter filhos devia ser sempre uma consequência”, sustentou.

O frei Herculano Alves apelou a “ver o matrimónio na perspetiva divina e não no aspeto do materialismo como tantas vezes se encara o namoro e o casamento”. Neste contexto, acrescentou haver uma “origem divina” em tudo aquilo que os pais representam para os filhos. “Transmitem valores divinos”, sustentou, aludindo à importância de honrar os pais.

Na sua reflexão disse ainda que “a família é o coração do povo de Deus, a célula da sociedade”, “tudo numa relação com Deus”. “Nós prescindimos dessa relação e agora pagamo-lo bem caro”, lamentou, considerando que “a família mais perfeita é aquela que sacrifica o relativo ao absoluto”.

O orador criticou uma “mentalidade um pouco machista” que disse ainda existir na sociedade, evidenciando que “a mulher é diferente, mas é essencialmente igual”. “Porque é que ainda há cerca de 40 esposas por ano mortas pelos próprios maridos? Isto é algo que não é compreensível, é uma catástrofe”, lamentou, acrescentando que a mulher “é um ser humano igual ao homem” e reivindicando a “igualdade absoluta, essencial e natural” entre homem e mulher. “Na Igreja ainda temos alguns passos a dar em frente. Temos a mania de pensar que o homem é que manda e mesmo na Igreja há estas coisas”, acrescentou, lembrando que “no amor entre dois, quando não há partilha de experiências familiares, o amor acaba”.

Na segunda parte da intervenção, o frei Herculano Alves referiu-se ao tema “As relações familiares: metáfora para a relação de Deus com o Seu povo”. “A família é uma instituição humana que nos dá o motivo para falarmos de Deus como relação”, afirmou, destacando que “o matrimónio humano é o mais profundo do ser humano como relação”.

Neste sentido, apresentou o “casal humano” como “imagem da relação de Deus com o povo” em que Deus é o esposo e a Igreja a esposa. “A metáfora matrimonial é outra forma de dizer a aliança de Deus com o seu povo. A expressão mais bonita para falar da nossa relação com Deus continua a ser a metáfora do matrimónio. Pela linguagem do amor exprime-se o mais profundo da relação do ser humano com Deus e de Deus com o seu povo. No fundo, cada um de nós, está «casado» com Deus e oxalá estivéssemos bem «casados» com Ele”, complementou o frei Herculano Alves.

Lembrando que “a maior prova de amor é dar a vida”, frisou que “o marido tem de amar a esposa como Cristo amou a Igreja”. “Morreu por ela”, concretizou.

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