O padre Manuel de Almeida Condeço celebra este mês 50 anos de ordenação sacerdotal e em entrevista ao Folha do Domingo considera que o balanço “é positivo”, garantindo que para encontrar a marca do seu ministério é preciso recuar a África, de onde saiu em 1975 para regressar a Portugal.

Tendo ficado encantado com o testemunho de um missionário comboniano que passou pela sua escola primária, aos 11 anos de idade o pequeno Manuel Condeço, natural da freguesia de Ribafeita, no concelho e diocese de Viseu, manifestou vontade de entrar no Seminário viseense que estava ao cuidado daquela congregação. O intuito esbarrou na avaliação de um padre que o acolheu ao considerar que não tinha perfil.

Sabendo que não tinha sido admitido na instituição, o pai, emigrado em Angola, escreveu à mãe, considerando que o melhor seria mandá-lo para África para ajudar no comércio que tinha naquele país. Embarcado em Lisboa com umas pessoas conhecidas, chegou a Nova Lisboa (atual Huambo) ao fim de uma semana, depois de uma tempestade “muito grande”.

O pedido do pai ao então bispo de Nova Lisboa, D. Daniel Gomes Junqueira, ao confirmar a autêntica vontade do filho de seguir a vida consagrada, fez com que Manuel Condeço tivesse sido admitido no Seminário Diocesano de Caála, a cidade onde moravam, na qual se reuniu a família dois anos depois, após a chegada da mãe com sete dos oito irmãos. Ao Seminário Menor seguiu-se o Seminário Maior, situado mesmo na cidade de Nova Lisboa. Ali realizou a formação em Filosofia, após a qual se seguiu o ano de “provação” como professor no Seminário Menor onde tinha estudado.

Voltou ao Seminário Maior e ali realizou a formação em Teologia, tendo sido ordenado por D. Daniel Junqueira no dia 29 de junho de 1967 na igreja de São Pedro, ficando incardinado na Diocese de Nova Lisboa. Regressou a Portugal após a Missa Nova para descansar, mas por causa de um acidente que vitimou mortalmente dois colegas o bispo pediu-lhe que regressasse a Angola para assegurar as aulas no Seminário Menor. O padre Manuel Condeço foi então lecionar Matemática e Física e Química, tendo sido professor de altos quadros da UNITA. De 1972 a 1975 foi também pároco de Vila Flor.

Com as alterações trazidas pelo 25 de abril de 1974, pediu ao bispo D. Américo Henriques (que substituíra o entretanto falecido D. Daniel Junqueira) para deixar as aulas no Seminário, tendo sido posteriormente nomeado professor oficial de Região e Moral na Escola Preparatória de Nova Lisboa.

Em 1975 regressou a Portugal para passar férias quando recebeu uma missiva da diocese angolana a pedir-lhe para não voltar porque já não havia condições de segurança, sugerindo-lhe que se apresentasse na Diocese de Viseu. Resolveu terminar na Universidade de Coimbra a licenciatura de História, iniciada em Angola, e, simultaneamente, foi lecionar Religião e Moral na Escola Secundária de Vouzela. No ano seguinte iniciou-se também ali como docente de Português, tendo recebido de D. Américo Henriques o conselho de fazer o estágio profissional para se efetivar como professor em Portugal.

Assim fez, tendo estagiado em Angra do Heroísmo, Açores, durante o ano letivo de 1977/78, onde simultaneamente substituiu o prior da paróquia de São Pedro, gravemente doente. No ano seguinte voltou ao continente para lecionar Português, História e Estudos Sociais na Escola Preparatória de Vouzela, tendo sido nomeado presidente do Conselho Diretivo em 1979, cargo que manteve até vir para o Algarve. Enquanto esteve em Vouzela também colaborou com o pároco local, trabalhando também com os jovens, e no último ano foi professor de Filosofia no Seminário de Viseu.

Não tendo conseguido obter a incardinação na sua diocese de origem, informou o prelado de que iria concorrer como professor para o Algarve, podendo vir a colaborar com a diocese para onde já costumava vir passar férias. Veio para o Algarve em 1988 dar aulas na Escola Preparatória de Portimão, tendo sido incardinado na diocese no dia 10 de maio de 1989. No ano seguinte ficou colocado na Escola José Buisel a lecionar Português, História e Religião e Moral (fora do horário por não haver professor desta disciplina), onde continuou até final da carreira docente a lecionar também Estudos Sociais.

Enquanto deu aulas colaborou, primeiramente, com o padre José Águas na paróquia matriz de Portimão e no dia 29 de agosto de 1989 foi nomeado pároco de Ferragudo. No dia 13 de setembro de 1991 foi nomeado pároco in solidum (solidário) de Aljezur e Odeceixe com o padre José Águas e no dia 14 de setembro de 1992 foi nomeado pároco de Pêra. No dia 20 de novembro de 1994 foi nomeado vigário do vicariato paroquial da Pedra Mourinha, em Portimão, onde esteve até ser nomeado, a 7 de outubro de 2001, pároco do Algoz, função que exerce até hoje. Para além de pároco daquela paróquia, o padre Manuel Condeço é também o prior da paróquia da Guia, no concelho de Albufeira, cargo para o qual foi nomeado no dia 17 de julho de 2003.

Olhando para trás, diz ter a “convicção profunda” do apoio de Deus. “Se não fosse a graça do Senhor sempre a amparar-me, de certeza que não tinha chegado onde cheguei. Reconheço que foi um dom e uma graça muito grande e estou muito grato a Deus”, assegura o padre Manuel Condeço, o sacerdote que diz ter aprendido a gostar de ser professor.

A área pastoral privilegiada ao longo destes 50 anos diz ter sido a juventude. “Fundei dois agrupamentos de escuteiros em Angola. Já em Portugal trabalhei com o movimento “Encontros de Jovens Shalom”. Quando vim para o Algarve não me meti no trabalho com os jovens porque já cá havia o Movimento dos Convívios Fraternos”, refere.

Relativamente ao futuro diz encará-lo com “esperança”, não obstante sentir-se “cansado”. “Olho para o futuro com uma certeza: o Senhor já morreu por mim, já me salvou. É essa esperança que a mim também me anima. Nunca me preocupei com o futuro. O futuro será aquilo que o Senhor quiser”, refere.

Para assinalar os 50 anos da ordenação sacerdotal do padre Manuel Condeço será celebrada uma eucaristia de ação de graças no próximo dia 29 deste mês, às 19h, na igreja matriz do Algoz, presidida pelo bispo do Algarve.