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Workshop para empresários cristãos algarvios mostrou que tempos de incerteza requerem “lideranças extraordinárias”

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© Samuel Mendonça

O núcleo do Algarve da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE) promoveu na última quinta-feira um workshop com o tema “Gerir a Incerteza. Decidir em ambientes complexos”.

A iniciativa, que decorreu na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, em Faro, com a presença de 26 empresários e gestores algarvios foi orientada por Maria Manuel Seabra da Costa, diretora da área de Human Capital da PricewaterhouseCoopers, uma das maiores prestadoras de serviços profissionais do mundo.

A oradora frisou que “nunca a confiança da sociedade nas empresas e nos líderes empresariais foi tão baixa como é hoje” e que “nunca se precisou tanto de motivação e de alinhamento para o crescimento”. “Portanto a conclusão é: temos lideranças extraordinárias”, complementou, aludindo à importância da “determinação” e ao “papel do líder” nestes momentos.

Nesse sentido, Maria Manuel Costa aconselhou o líder empresarial a ter a “perceção de um sentido” e a estar “aberto e atento ao mundo”. “E este aberto ao mundo não significa um mundo muito longínquo. Às vezes é o mundo da organização, é ouvir as pessoas da organização”, precisou, explicando que ser líder não significa ser “dono da verdade, do conhecimento todo”. “O líder não é o maior especialista sobre o que quer que seja. É alguém que tem a capacidade de ter um sentido, de saber ler o mundo e de comunicar a visão que as pessoas precisam e seguem porque é credível”, sustentou.

Aquela responsável, considerando nalguns casos ser necessário “voltar aos valores que são fundamentais”, advertiu que “o primeiro erro em momentos de incerteza” é a “tendência a resolver os problemas do futuro com soluções do passado”.

Maria Manuel Costa aconselhou os empresários e gestores algarvios a gerir a incerteza, aceitando as “duras realidades da vida”. “Isto não é resignar-nos mas significa que eu aceito o que me acontece e aprendo com isso”, clarificou.

A oradora aludiu a “decisões difíceis” que têm de ser tomadas, como os despedimentos. Admitindo que, em certas situações, isso possa ser “inevitável”, pediu que se encontre maneira de “compensar o impacto” dessas deliberações. “Nós só conseguimos distribuir a riqueza que criamos. O problema é que, durante o ciclo que eu passo a reestruturar para a empresa voltar a gerar riqueza, há um tempo e durante esse tempo as pessoas continuam a ter que viver”, afirmou, apelando à necessidade de “interiorizar a responsabilidade de produzir riqueza mas não a qualquer custo”.

Sublinhando a importância da riqueza redistributiva, apelou à necessidade de colocar o bem comum acima dos interesses pessoais.

Por outro lado, Maria Manuel Costa disse haver “um conjunto de empresas a tentar crescer e a precisar de pessoas que não encontram no mercado de trabalho”. “Temos uma oferta e uma procura que não se cruzam porque as pessoas não são aquelas que precisamos ter. Há uma necessidade de reconversão e a reconversão é muito ao nível da questão da atitude”, defendeu.

Considerando que muitas pessoas ficaram de fora do mercado de trabalho porque “não tiveram a atitude consciente de investidores”, lembrou não haver “empresas de sucesso sem pessoas de sucesso atrás delas”.

A oradora disse ainda que “hoje, por cada máquina que se inventa, há duas ou três novas funções que são criadas”. “Na verdade nós não extinguimos na totalidade os postos de trabalho mas criamos funções novas. Elas não estão é a ser transferidas diretamente”, acrescentou, considerando ser difícil atingir o pleno emprego. “Nós estamos à procura de um formato de emprego que hoje já não é muito compatível”, justificou, dando como exemplo a realidade de “pequenas empresas que hoje têm necessidades mais sofisticadas e mais cedo do que tinham antigamente mas não precisam das pessoas na totalidade”. “Uma pequena empresa precisa de 25% de um diretor financeiro e de 30% de um diretor comercial”, concretizou, lamentando: “somos muito pouco flexíveis nos formatos de trabalho e não conseguimos combinar.”

Maria Manuel Costa apelou ainda à “entreajuda”, à “partilha” e ao “sentido de comunidade”. “O sentido de partilha de experiências entre negócios não é muito habitual”, lamentou.

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