Promovidas pela Comissão Episcopal do Laicado e Família (CELF), através do seu Secretariado Nacional (SNALF) e do respectivo Departamento Nacional da Pastoral Familiar, tiveram lugar em Fátima, com cerca de 350 participantes provenientes do continente e ilhas, representativos das 20 dioceses portuguesas e dos movimentos que desenvolvem uma acção particular na área da família, entre os quais os 2 casais algarvios (os responsáveis pelo CPM Algarve e mais um casal de Albufeira), acompanhados pelo padre HenriqueVarela. Em declarações à FOLHA DO DOMINGO, Margarida e Jorge Nicola, casal presidente dos CPM – Centros de Preparação para o Matrimónio no Algarve, realçam a actualidade impressa aos trabalhos. “As jornadas não se limitaram à transmissão da fé na família, mas alargaram-se à dimensão da escola e da cidadania”, referem. A sessão de abertura, feita por D. António Carrilho, presidente da CELF, evocou o recente V Encontro Mundial das Famílias com o Papa Bento XVI, realizado em Valência (Espanha) no início de Julho, considerado como o acontecimento eclesial de referência para estas Jornadas. O tema central «A transmissão da fé na família» foi tratado pelo padre Victor Feytor Pinto que defendeu que a família deve transmitir e educar na fé tendo por base o testemunho e a oração sem esquecer os mais pobres.           A transmissão da fé, na família, deve ser feita com base no testemunho cristão, oração, catequese, tempos livres, escola como apoio e exigência contínua e continuada, afirmou o padre Feytor Pinto. O pároco de Campo Grande relatou algumas das experiências desta comunidade para salientar que, em família, é obrigatório “acolher e compreender toda a gente. É preciso ser, depois, solidário com os mais pobres”. E estes pobres podem não ser o vizinho mas, também, os idosos que necessitam de carinho, atenção, de igual modo ou mais que outros membros da família, apontou. “O futuro da sociedade passa pela família e, ela é indispensável para transmitir valores”, frisou o responsável. E a família deve assumir-se – defendeu o orador – como Igreja (doméstica) e no seu “triplo ministério: área profética, litúrgica e sócio-caritativa”. Também o padre Vasco Pinto de Magalhães deu dicas de ajuda aos participantes, concretamente para melhorar a comunicação em família, seja ela entre casal, com os filhos e até mesmo com os outros. “O feedback construtivo é o segredo da comunicação. E deve ser o eco que a atitude do outro teve em mim”, procurando encontrar juntos o “equilíbrio”, apontou na sua conferência sobre «Comunicação na família». Uma outra pista é educar as pessoas para “o exercício saudável da solidão”. “Às vezes não sabemos estar connosco próprios”, frisou o sacerdote. Nos dias de hoje, as sms, o messenger e outras tecnologias fazem com que “os miúdos estejam sempre fora e não se encontram consigo (próprios). Encontram-se com uma fantasia que faço do outro”, referiu. Para isso é preciso comunicar. E comunicar “não é informar” é “comunicar-se”, salientou. “É importante para ser bom comunicador, saber comunicar consigo mesmo” e nisso ajuda a “experiência da oração”. Porque “se não dialogo bem comigo, não o faço bem com o outro”. E na experiência da comunicação “é preciso saber calar”. Também os oitos workshops sobre temáticas relacionadas e a abordagem inovadora ao dia-a-dia da vida em família feita por Helena Marujo com o tema «Espiritualidade, prazer e missão: uma triologia de felicidade na família». Helena Marujo apresentou os pontos importantes da felicidade. O “ser feliz”e o bem-estar familiar estiveram no centro do debate. O público foi testado com exercícios práticos. Na conferência “O que podemos dar aos nossos filhos que o dinheiro não compra”, dada pela psicóloga, a felicidade e a família saudável foram os dois temas em foco. Apresentou algumas teorias sobre a felicidade, intercaladas por pequenos intervalos nos quais o público participou activamente. “O que determina a felicidade são as pequenas experiências do dia-a-dia”, disse a psicóloga. É o saber apreciar os pequenos momentos diários. Estudos comprovam que o casamento, a extroversão, a sociabilidade e a auto-estima desempenham um papel importante na felicidade dos indivíduos. “A ideia de que o nosso destino está nas nossas mãos” é muito importante, frisou.