Integro a Comissão Permanente do Conselho Diocesano de Pastoral desde a sua “pré-história”, desde os tempos da Comissão Diocesana de Animação Pastoral, que começou a trabalhar aí por volta de1994/95 e tenho constatado que muitos dos nossos projectos pastorais ficaram longe de atingir os seus objectivos, por várias razões, uma das quais, a meu ver a principal, radica numa onda de pessimismo e derrotismo por parte de muitos dos nossos agentes de pastoral. No fundo, muitos de nós estamos invadidos por uma espécie de imobilismo letárgico, que nos ata os braços e impede de inovar, percorrer novos caminhos, aceitar novas sugestões, iniciar novas propostas, ensair sequer novas iniciativas de animação pastoral. Tal atavismo apenas nos consente repetir o que herdamos dos nossos antepassados, fazer aquilo que já se vinha fazendo, muitas vezes até sem adaptar aos tempos e às circunstâncias actuais. Continuamos a ser muito individualistas e a não acreditar no trabalho em equipa, daí muitas Paróquias não possuirem Conselho de Pastoral ou quando muito só o possuirem no papel; continuamos a não acreditar na pastoral de conjunto, daí a pastoral, especialmente a pastoral sacramental, das Paróquais da mesma Vigararia e até da mesma cidade, ser muitas vezes diferente e até antagónica, o que traz os cristãos confusos, baralhados e muitas vezes perturbados. Tal pessimismo/derrotismo terá a sua origem na frustração que muitos de nós sentimos por vermos acentuar-se o divórcio e o distanciamento entre a sociedade e a Igreja, entre muitos homens e mulheres do nosso tempo e o Evangelho de Jesus Cristo. Por vezes tal distanciamento chega mesmo a ser uma recusa expressa ou pelo menos implícita… Ficamos desanimados e julgamos que quase já não vale a pena remar contra a maré. Tal atitude lamurienta é um erro que devemos combater com todas as nossa energias. Por isso achei verdadeiramente providêncial a leitura que escutámos na oração de abertura da Assembleia Diocesana, que não foi sequer escolhida, era a “leitura breve” das Laudes desse dia: «O Reino de Deus não é uma questão de comida ou bebida, mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo». Eis o que temos para anunciar, eis o que devemos transportar connosco quando nos dirigimos aos afastados ou àqueles que nunca ouviram sequer falar do Reino: «justiça, paz e alegria». Como, porém, viver e transmitir essa alegria, diante de tantos insucessos, inêxitos, recusas, e até causas perdidas? Como adoptar uma atitude de optimismo pastoral face a tantas incomprensões e rejeições? A resposta mais uma vez, é-nos dada pelo próprio Jesus. Tais recusas e rejeições logo ocorreram com os primeiros discípulos, com os primeiros anunciadores do Reino, não só com os do «grupo dos doze», onde em sentido lato podemos ver os mais comprometidos (os clérigos e os consagrados), mas também com o mais alargado «gupo dos setenta» onde podemos ver representados os outros agentes pastorais, os leigos em geral e os catequistas em particular. Mas quando eles, os primeiros discípulos, chegaram junto de Jesus e desabafaram as suas mágoas e tristezas ouviram dizer: «Quem vos ouve é a Mim que ouve e quem vos rejeita é a Mim que rejeita, mas, quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou». Isso mesmo aliás aconteceu com o próprio Jesus: Ele «veio ao que era Seu e os Seus não O receberam». Por outro lado, como escreveu o grande João Paulo II na Encíclica Redemptoris Missio «a Igreja dirige-se ao homem no pleno respeito da sua liberdade; A Igreja propõe, não impõe nada; respeita as pessoas e as culturas, detendo-se diante do sacrário da consciência». Se muitos nos recusam não é a nós que recusam. Não seja isso causa da nossa tristeza, da nossa tibieza, do nosso pessimismo, mas, pelo contrário, razão acrescida, para teimosamente dizermos ao mundo, com alegria e optimismo, as «razões da nossa alegria», e insistirmos, com respeito, mas sem desânimo, junto dos homens e mulheres do nosso tempo: «Abri as portas a Cristo»!
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ALEGRIA E OPTIMISMO
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