Considerando as três principais espécies de alegria como a natural, a espiritual e a sobrenatural, dizemos que a primeira, a natural, como a todos os homens, experimentada no dia a dia da nossa vida, pode ser boa, digamos assim, indiferente ou má. Boa se for fecundada pela vida sobrenatural, passando assim a fazer parte da alegria sobrenatural, o que acontece no cristão em estado de graça. Indiferente, quando adquirida com meios lícitos, causa na alma um certo movimento de contentamento embora essa alma possa estar morta. E finalmente esta alegria pode ser má, quando o homem engana-se pelas paixões, busca o gozo e essa falsa alegria por todos os meios ainda os mais abomináveis. Dava-se com Santo Agostinho antes da sua conversão e dá-se actualmente com todos aqueles que procuram febrilmente a alegria pela satisfação plena de todos os instintos naturais. A segunda espécie de alegria é a espiritual causada nas potências da alma. Esta podia ser considerada sob um duplo aspecto ainda que as reacções e sensações psicológicas sejam idênticas. O primeiro aspecto dá-se sobretudo com almas torturadas pela dúvida buscando a verdade e ao compreenderem um vislumbre da verdade e bem que procuram, sentem um não sei quê de bem estar, de alegria. E descansam um pouco neste gozo, pois o consideram fruto do seu esforço. O segundo aspecto repercutido principalmente na vida dos sabidos, quando chegam ao fim de uma descoberta custosa, sentem-se felizes, gozam esta alegria meramente espiritual se acaso não são cristãos nem vivem na graça. Passando à alegria sobrenatural a única durável e segura pois que é a posse do Bem total – Deus. Não exclui as outras alegrias, mas como que as funde em si mesma e as reveste do seu próprio carácter. Todo o esforço do homem deve ser para manter esta alegria infinita que é a posse de Deus. Mas para isto, é preciso renunciar e elevar. Renunciar às alegrias aparentes de bens que não o são na realidade e elevar as alegrias lícitas isto é, a natural e a espiritual unindo-as à alegria vivificadora que é a alegria sobrenatural. A alegria é, pois, a coisa mais séria deste mundo porque o Bem possuído agora será o gozo possuído na Eternidade.