Perante uma assembleia com cerca de 100 pessoas que encheram a tenda/auditório anexa à da exposição multimédia, o vigário episcopal para a Pastoral da diocese algarvia começou por contextualizar aquele evento como “um acontecimento desejado e diligenciado pela diocese do Algarve como resposta ao seu programa pastoral em curso”. Neste contexto, o Bispo do Algarve explicou que o objectivo da iniciativa é não só aproximar os algarvios da Bíblia, mas de quantos visitam a região nesta época de Verão. D. Manuel Quintas frisou a necessidade de proporcionar a todos “um contacto mais frequente com o livro por excelência”, no qual poderão “encontrar respostas a tantas questões de vertente humana e espiritual que o simples descanso físico não oferece”. “Espero que esta exposição nos contagie a todos a crescermos mais no apreço pela Bíblia”, desejou. O presidente da Câmara de Portimão referiu-se à necessidade daquela iniciativa. “Uma iniciativa desta natureza fazia falta numa época de Verão em que vão passar por aqui largos milhares de pessoas nos próximos meses. Precisávamos de alguma coisa profundamente diferente e a exposição multimédia sobre a Bíblia marca uma diferença”, justificou Manuel da Luz, lembrando que a Bíblia é um livro de referência na cultura e civilização portuguesa. “Pensamos que dar a conhecer a Bíblia é um sinal de que ainda vale a pena apostar na transformação das mentalidades. È importante que a administração pública e os governos locais apostem também na área dos valores”, acrescentou, justificando o apoio ao evento como “uma forma de cidadania activa”. A sessão inaugural teve continuidade com uma primeira visita guiada acompanhada por Alfredo Abreu, restrita às entidades presentes, após o corte da fita pelo Bispo do Algarve e conjunto com presidente da Câmara de Portimão. Ao longo do percurso, os visitantes são guiados por cinco salas e vários corredores com inúmeros motivos de interesse para (re)descobrir o livro mais difundido da história da humanidade que desde 1815 terá vendido mais de 3,5 mil milhões de cópias. À entrada os visitantes são convidados a descobrir o amor. Na primeira sala podem ver-se alguns exemplares da Bíblia traduzidos nas mais diversas línguas, sendo que hoje são já mais 2400 línguas as que têm a Sagrada Escritura traduzida. No entanto, explicou Alfredo Abreu, “há um compromisso das várias entidades que trabalham na tradução da Bíblia de, até 2025, terem iniciado a tradução para todas as 6500 línguas existentes no mundo”. Assim que se entra no espaço da mostra os sons e as imagens invadem quem a visita, juntamente com frases que são proferidas. O ambiente propicia um tempo de paragem e de reflexão para se pensar e sentir o que querem significar os estímulos visuais e auditivos. A descoberta de algumas das figuras da Bíblia, bem como a história do livro sagrado desde a tradição oral à época moderna é outra das propostas. Na terceira sala muitos param para ler as frases que alguns disseram sobre a Bíblia como a Madre Teresa de Calcutá ou o cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, entre outras personalidades públicas. Também naquele espaço as imagens passam pelos visitantes através dos ecrãs que mostram as obras inspiradas pelo livro sagrado ao longo de toda a história da humanidade. Um outro ecrã reconta a vida de Jesus. A somar a estes, o motivo de particular interesse da exposição para o Algarve também lá está. Exposto pode ver-se o fac-simile da primeira obra editada e impressa em Portugal, mais precisamente em Faro, o Pentateuco, que corresponde aos primeiros cinco livros que constituem a Bíblia [ver caixa]. A relação entre a Bíblia e a Carta Universal dos Direitos Humanos ou a defesa do ambiente também é evidenciada. Na última sala o visitante volta ser convidado a deter-se na mensagem bíblica central: o amor. Um poema declamado por Eunice Muñoz acompanhada pela flauta de Rao Kyao fecha um ciclo que se percorre em cerca de 15 minutos. O poema declamado pela consagrada actriz pode ser lido em Coríntios 1, 13. A exposição pode ser visitada até dia 13 de Julho, das 15 às 24 horas, e tem entrada livre. Exposição mostra primeiro livro impresso em Portugal, realizado em Faro O Bispo do Algarve apresentou ao público, no decurso da inauguração da exposição “A Bíblia em Festa”, o fac-simile do Pentateuco, a primeira obra editada e impressa em Portugal, mais precisamente em Faro, que corresponde aos primeiros cinco livros do conjunto que constitui a Bíblia. A façanha é da autoria de um judeu a trabalhar em Faro, Samuel Gacon, ocorreu há 531 anos, a 30 de Junho de 1487, tendo a edição sido feita em hebraico. D. Manuel Quintas lamentou que o original da obra não esteja em Faro e adiantou que houve um grupo de britânicos, residentes no Algarve, que contactou a diocese algarvia no sentido de criar uma comissão para interceder junto do Governo inglês para que fosse possível a devolução do espólio levado do Algarve para a British Library de Londres por ocasião dos saques do conde de Essex. Bíblia tem estado presente ao longo da história e cultura portuguesa O programa do dia inaugural da exposição multimédia “A Bíblia em Festa” ficou completo com a conferência de Timóteo Cavaco sobre o tema “A Bíblia em português: de D. Dinis ao Século XXI”. O secretário-geral da Sociedade Bíblica de Portugal referiu-se às origens da Bíblia em Portugal ao longo de mais de sete séculos, do caminho dos percursores da tradução do livro sagrado para português até à diversidade de traduções contemporâneas, seus avanços e recuos. Também, o impacto e a relevância da Bíblia na sociedade portuguesa contemporânea motivaram a intervenção do orador. Timóteo Cavaco, especialista em história da Bíblia em Portugal, adiantou que a Sagrada Escritura completa está disponível em português há 255 anos, sendo publicada de forma continuada há quase 200 anos. O orador começou por lembrar que “a cultura e conhecimento bíblicos são muito baixos, assim como é baixa a divulgação e leitura da Bíblia” em Portugal. A ilustrar esta constatação referiu-se ao recente estudo promovido pelo Patriarcado de Lisboa em que se concluiu que apesar 87,5 por cento dos fiéis de Lisboa possuírem um exemplar da Bíblia em casa, apenas 9,3 por cento afirmam lê-la todos os dias. Com base na extrapolação do inquérito, Timóteo Cavaco constatou que apenas 2,5 por cento dos portugueses lêem com regularidade a Bíblia. O orador adiantou ainda que a primeira tradução completa da Bíblia em português é obra de João Ferreira de Almeida, já no final do século XVII e que a primeira tradução moderna em português surge a partir da década de 50 do século XX, marcando assim o início da formação de comissões para a elaboração deste trabalho. O conferencista apontou ainda como marco o ano de 1972, altura em que a Sociedade Bíblica constitui um grupo de tradutores que deu origem à primeira empresa inter-confessional de tradução da Bíblia em português corrente. Timóteo Cavaco referiu ainda existirem 21 traduções bíblicas em português a serem editadas actualmente. Destas, sete têm origem em Portugal e 14 no Brasil; 10 são feitas a partir de línguas originais e 10 a partir de línguas clássicas ou modernas; 14 foram preparadas por biblistas ou tradutores católicos e 6 por protestantes e apenas uma por uma equipa inter-confessional. O que achou da exposição? Foto:Gostei. Penso que toda a gente, até que não é crente, deve visitar. Tem mensagens para todos. Espero voltar. Maria de Jesus Cruz     Foto:Achei excelente, até porque desde muito novo tenho tido contacto com a Bíblia. Nasci numa família de cristãos que tem tido a Bíblia como regra de fé e de prática e é sempre bom que a Bíblia seja exposta, porque nela encontramos os valores que poderiam mudar muito a nossa sociedade. Mário Ribeiro, pastor evangélico