O Coração de Jesus é aquela fonte da salvação a que «nos convida a acudir a encíclica Haurietis aquas» diz o Papa, para logo acrescentar: «devemos recorrer a esta fonte para alcançar o verdadeiro conhecimento de Jesus Cristo e experimentar mais profundamente o seu amor». Por isso, o Santo Padre salienta que o fundamento do culto ao Coração de Jesus «é tão antigo como o próprio cristianismo. De facto, só se pode ser cristão dirigindo o olhar à Cruz do nosso Redentor a quem transpassaram». A concluir a sua carta comemorativa Bento XVI reitera que « a contemplação do “lado transpassado pela lança”… não pode ser considerada como uma forma passageira de culto ou devoção: a adoração do amor de Deus, que encontrou no símbolo do “coração transpassado” a sua expressão histórico-devocional, continua sendo imprescíndivel para uma relação viva com Deus”. Muitos foram os santos que aprofundaram a sua fé através da contemplação do Coração de Jesus. A Encíclica Haurietis aquas recorda S. Boaventura, S. Alberto Magno, S. Gertrudes, S. Catarina de Sena, Beato Henrique Suso, S. Pedro Canísio, S. Francisco de Sales, S. João Eudes e S. Margarida Maria Alacoque. Já depois de 1956 outros cristãos que tiveram particular devoção pelo Coração de Jesus foram beatificados ou canonizados. Desde logo o próprio Beato Pio IX, Santa Faustina Kowalska e a Beata Maria do Divino Coração, que obteve do Santo Padre Leão XIII a consagração do género humano ao Coração de Jesus. A Beata Maria do Divino Coração foi uma religiosa alemã, do Instituto do Bom Pastor, que viveu em Portugal os últimos cinco anos da sua vida, como superiora do Convento do Porto da sua Congregação. Está sepultada em Portugal, na Igreja do Instituto do Bom Pastor, em Ermesinde, Diocese do Porto, numa urna de vidro, exposta à veneração desde a data da sua beatificação. A vinda desta ilustre religiosa alemã para Portugal, foi certamente uma graça do Coração de Jesus aos portugueses, pois o culto ao Coração de Jesus em Portugal é anterior a 1856. Já em 1789, por vontade e voto da Rainha D. Maria I, a Piedosa, foi sagrada em Lisboa, com aprovação pontifícia, a primeira Igreja do mundo dedicada ao Coração de Jesus. Trata-se da Basílica da Estrêla, edificada no centro de Lisboa. Hoje em muitas cidades da Europa e do mundo existem muitas basílicas dedicadas ao Sagrado Coração de Jesus, como os famosos «Sacré-Coeur» de Paris e Bruxelas, mas a primeira de todas as Basílicas do Coração de Jesus é a Basílica de Lisboa. Uma outra Basílica, aliás belíssima, dedicada em Portugal ao Coração de Jesus, é a do Monte de Santa Luzia, em Viana do Castelo. Nessas Basílicas, contemplando o coração eucarístico de Cristo, «o coração humano aprende a conhecer o autêntico e único sentido da vida e do seu próprio destino, a compreender o valor de uma vida autenticamente cristã, a permanecer afastado de certas perversões do coração, a unir o amor filial a Deus ao amor ao próximo. Deste modo, ensina o Papa João Paulo II, sobre as ruínas acumuladas pelo ódio e pela violência poderá edificar-se «a civilização do Coração de Cristo».