É no seio da família que se deve iniciar o ensino e a vivência de todos os valores que nos foram transmitidos pelas gerações que nos antecederam e que constituem o nosso património moral, ético, e cultural que, ajustados a cada época histórica, formam a nossa identidade. Mas ajustar não é certamente inverter nem tão pouco subverter. Da malha resultante das ligações intra e inter “domus”, nascem as Famílias, os Clãs, as Nações, que os povos assim unidos representam, e das quais cada Povo deve orgulhar-se. Dando “mundos ao Mundo “ abrimos-lhe, sim nós Portugueses, os caminhos para o encontro de pensamentos que, na sua diversidade, enriquecem e aproximam os cidadãos da Terra. Foram famílias, muitas sem registo, que embora motivadas por interesses materiais, através dos Oceanos, transportaram e divulgaram os valores que, até há bem pouco tempo, integravam a nossa identidade. Identidade que o Sr. Saramago, ainda imbuído dos fundamentos ditatoriais da internacional comunista, gostaria de ver diluídos numa Ibéria despersonalizada. Destruir ou minimizar a importância da Família é condenarmos a essência, as fundações da Nação, e relegarmo-nos ao anonimato espiritual e cultural. Notícias, em grandes parangonas, revelam o preocupante envelhecimento da população. Mas, que tem feito o Estado, através dos sucessivos Governos que deveriam organizar, prever, comandar, coordenar e controlar as estruturas sociais susceptíveis de contrariar a situação já tantas vezes denunciada? Os jovens casam cada vez mais tarde. Ambos trabalham para compensar o baixo nível salarial. Não têm onde deixar os eventuais filhos durante as suas prolongadas ausências consagradas ao trabalho e deslocações. Há falta de empregos, e os que vão aparecendo são precários levando de novo muitos jovens a emigrar ou a retraírem-se do casamento preferindo prolongarem a sua estadia em casa paterna. Quantas gerações de Portugueses já não nasceram em França, Estados Unidos, Alemanha, Canadá, …! Empobrecendo, privando Portugal do seu mais valioso património! Casar? Ter filhos? Será que o Estado tem algum interesse nisso? Se o tem não dá qualquer sinal nesse sentido. A liberalização do aborto, se não clandestino pelo menos envergonhado, corrompe os costumes, não dignifica o País, apenas ajuda a social libertinagem, muito conveniente para os padrões de ética importados, e que convêm a certo ambiente político defensor da “modernidade”. Curioso, a liberalização do aborto e o desejo de anonimato que as mulheres “independentes” requerem, o que evidencia bem, a hipocrisia associada a todo o processo. Para os casos graves havia já legislação adequada. Pisar e repisar o tema não é de mais. Mas que fazer, para combater a situação, repondo a dignidade da família e realçar o seu imperativo, na manutenção dos valores culturais que sempre nos orientaram e nos conferiram grandeza? Não seria, também, neste campo que a “Igreja peregrina” poderia desenvolver um papel essencial? Porque não envolver as tantas mulheres, que são mães reformadas, na organização e gestão de creches, ocupação de tempos livres, tempos pós-escolares, etc… ! Fala-se muito de SOLIDARIEDADE, porque não aplicá-la, vivê-la! Seria, não apenas, ocupação, solidariedade, mas uma boa forma de transmitir os valores que herdamos.