Oito anos depois do grande jubileu 2000 que evocou o bimilenário da Encarnação de Jesus Cristo, o Verbo de Deus, eis que temos a oportunidade de viver um novo jubileu, um novo ano santo para toda a Igreja, agora para celebrar São Paulo, o Apóstolo dos gentios. Sua Santidade o Papa Bento XVI, ao inaugurar este ano especial da graça, que ele mesmo, como Pastor da Igreja Universal, convocou, declarou que "Paulo não é para nós uma figura do passado, que recordamos com veneração. Ele é também o nosso mestre, apóstolo e anunciador de Jesus Cristo. Mestre das nações, cuja palavra se abre ao futuro, para todos os povos e todas as gerações". Na Basílica romana de São Paulo fora de muros, o Papa estava acompanhado por muitos e qualificados representantes de outras Igrejas e Comunidades Cristãs, com especial relevo para a presença de Sua Santidade o Patriarca Ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I, que também se dirigiu aos presentes. Diante de tantas delegações fraternas, Bento XVI confessou ser para ele "motivo de intima alegria que a abertura do ano Paulino, assuma um particular carácter ecuménico", salientando que convocou "este especial Ano Paulino para ouvi-lo e para aprender com ele, como nosso mestre, a fé e a verdade, na qual se enraízam as razões da unidade entre os discípulos de Cristo". Temos assim, que este ano Paulino será um ano eminentemente ecuménico, como que um novo jubileu, ou melhor, um prolongamento ou um reflexo do grande jubileu do milénio, um tempo propício para se incrementarem os contactos entre os discípulos de Cristo pertencentes a diferentes tradições e confissões, para realizarmos momentos de oração em comum, como aquele que vivemos na tarde do passado Domingo na Sé Catedral de Faro, com irmãos ortodoxos, anglicanos e greco-católicos, ocasiões que nos aproximam e permitem um melhor e mais profundo conhecimento pessoal, uma conjugação e partilha de iniciativas e amizade, na perspectiva de se alcançar quanto antes a unidade, que é vontade do próprio Senhor Jesus que pediu ao Pai que "todos sejam um". Um ano para "purificarmos a memória", na feliz expressão do saudoso João Paulo II, recordada na Sé de Faro pelo Bispo greco-católico D. Dionísio Lachovicz, responsável pelas comunidades ucranianas no exterior. Um ano para nos centrarmos na Palavra de Deus, especialmente nas Cartas de Paulo, que nos ensina que "toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça" e é fonte de inspiração para nós, para que cada um de nós "esteja preparado, bem equipado para toda a boa obra" 2Tm 3,16-17, nomeadamente para a boa obra da "unitatis redintegratio", a obra de restauração da plena comunhão e fraternidade entre todos os discípulos de Cristo, mas também para a obra do anúncio e difusão do Evangelho por toda a parte. O ano Paulino impele-nos para a missão, pois o que tornou grande o Apóstolo foi a evangelização e este nosso mundo contemporâneo, esta Europa e este País, desorientado e angustiado, globalizado mas dividido em pequenas-grandes guerras fratricidas, está carecido, tal como no tempo de Paulo da Palavra de Deus e "Paulo fornece indicações propícias para encorajar os esforços tendentes à procura da unidade plena entre os cristãos, tão necessária para oferecer aos homens do terceiro milénio um cada vez mais luminoso testemunho de Cristo, Caminho, Verdade e Vida", pois somente em Cristo e no seu Evangelho a humanidade pode encontrar respostas para as suas dúvidas e angústias, para as suas interrogações e inquietações.