Os ministérios em que o Pedro e o Flávio vão ser instítuidos, têm em vista a ordenação presbíteral, são etapas necessárias para esse ministério ordenado, para o qual se têm vindo a preparar há vários anos, mas estes ministérios que agora vão receber, são ainda ministérios laicais. Os ministérios laicais, nomeadamente os de Leitor e Acólito, podem ser exercidos por ministros instituídos pelo Bispo, normalmente aqueles que se preparam para receber o Sacramento da Ordem, seja no grau do diaconado, seja no grau do presbíterado, como ser desempenhado por ministros mandatados pelo Pároco. Desde há muito que se fala na possibilidade de em certos casos, tais ministros mandatados, passarem a ser também instítuidos pelo Bispo, mesmo que tal instituição não tenha em vista a ordenação e além disso se estuda o alargamento do número de ministérios laicais instituídos, para além daqueles dois: Catequistas, ministério que em certo sentido já se encontrará englobado pelo leitorado, o mesmo se podendo dizer dos Salmistas, e ainda a criação de novos ministérios instituídos, em sectores extralitúrgicos, como no campo da caridade e solidariedade social. Muitos, mais pragmáticos, poderão perguntar o que é que a instituição acrescenterá àqueles que já vêm exercendo estes ministérios como delegados do Pároco e até poderão considerar esta ideia como um preciosismo de puristas dos cânones ou do regresso às origens. Ora, como é evidente, a instituição num ministério laical, embora não imprima carácter como no ministério ordenado, atribui uma dignidade ministerial própria, acrescenta estabilidade e responsabilidade no exercício do ofício e não menos importante confere dimensão diocesana, ultrapassando a mera dimensão paroquial. Além disso, o envolvimento de um maior e especificamente preparado número de ministros instituidos nas diferentes actividades eclesiais, produziria efeitos dinâmicos e multiplicadores nas tarefas da evangelização, com vantagens para todos. Foi assim sem surpresa e com muita alegria, que ouvimos o Secretário da nossa Conferência Episcopal, anunciar que a recente assembleia dos bispos portugueses tinha estado a reflectir sobre a criação de novos ministérios laicais que promovam uma maior participação dos leigos na liderança das comunidades cristãs. D. Carlos Azevedo revelou que os nossos bispos pretendem "desbloquear os ministérios laicais" e acrescentou que "é possível que haja novos ministérios" em sectores como a catequese e acção sócio-caritativa, como a visita a doentes e a presos e o apoio a migrantes.

Para que tal possa acontecer, torna-se necessário apostar na formação dos leigos, informando o porta-voz da CEP que "é preciso que não se forme só os leigos numa dimensão técnica, mas também numa dimensão teológica, com um tronco comum em que se complemente a formação doutinária com a formação espiritual e a formação social". Com esta finalidade os bispos portugueses aprovaram mesmo um documento sobre a "Formação de Leigos: ministérios, serviços, escolas – experiências, meios, conteúdos". Esperemos que seja desta que os leigos passem a ser reconhecidos e tratados como membros adultos e responsáveis da Igreja. É que desde que me conheço que ouço dizer que "é a hora dos leigos". Será que é desta?…