Ao visionar a actuação do grupo musical «ÓDIO», as suas camisolas, os seus símbolos, os seus gestos e até o comportamento da assistência, tive a sensação de que tudo aquilo se assemelhava a um ritual satânico. Aliás, está históricamente por esclarecer, até que ponto o nacional-socialismo, o culto da suástica (um símbolo pagão), as cores da sua bandeira, (vermelho, negro e branco), e outra simbologia do III Reich alemão não teria algo a ver com rituais satânicos. Seja como for, a ideologia do ódio, rácico e não só, do ódio em geral, propagandeada por estas pessoas, é algo de totalmente anti-cristão, que está em absoluta oposição ao Evangelho de Jesus Cristo. «Deus é amor», ensinou S. João. «Deus é amor», sentiu necessidade de reafirmar Sua Santidade o Papa Bento XVI na sua primeira Carta-Encíclica, tranformando essa afirmação apostólica no mote programático do seu pontificado! Sim! Deus é amor e o ódio está em total contradição com Mandamento maior da nossa fé: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei»! Estas ideologias, nascem e renascem das cinzas, tirando partido de certas fragilidades da sociedade, das dificuldades do quotidiano, nomeadamente do desemprego, particularmente do desemprego juvenil (daí o ódio aos pobres migrantes que alegadamente vêm ocupar postos de trabalho), da insegurança nas ruas, particularmente em certas zonas das grandes áreas urbanas, daí as promessas fáceis dos «amanhãs que cantam» a nível da segurança, daí a solução de todos os problemas sociais e securitários através da pureza étnica numa “Europa fortaleza”. Foi assim, exactamente assim, que o Partido Nacional Socialista Alemão, ganhou as eleições e ascendeu ao poder na Alemanha. Temos memória, não podemos ignorar… Ainda muito recentemente, o Santo Padre – que é de nacionalidade alemã e sabe bem do que fala, porque viveu e sentiu na pele a tirania nazi, que o oprimiu pessoalmente a ele e à sua família, obrigando-o a interromper os estudos do Seminário, a integrar organizações juvenis do III Reich, o­nde foi humilhado, amesquinhado e ridicularizado diante dos outros jovens por causa da sua vocação sacerdotal, que heróicamente nunca escondeu – ainda recentemente, ao visitar o campo de concentração, extermínio e morte de Auschwitz-Birkenau, Bento XVI, diante dos horrores que esta ideologia do ódio ali praticou «contra Deus e contra o homem, sem precedência na história» denunciou com toda a clareza e frontalidade e sem poupar nas palavras a natureza criminosa e falsa da ideologia que estes jovens agoram procuram importar para o nosso País. Sua Santidade proclamou expressamente, e as palavras são dele: «como filho do povo alemão, desse povo do qual tomou o poder um grupo de criminosos com promessas mentirosas, em nome de perspectivas de grandeza, de recuperação da honra da nação ou da sua importância» grupo de criminosos que manipulou, “usou e abusou” do povo alemão «como instrumento da sua mania de destruição e domínio». Não sou eu que assim classifica a ideologia do ódio racial, nem são políticos ou ideólogos de qualquer quadrante, é o próprio Santo Padre, a maior autoridade da fé cristã, o sucessor de Pedro. Iluminados pelo heróico testemunho de vida do Papa Ratzinger, desde o jovem Joseph Ratzinger ao agora Papa Bento XVI, que desde a sua adolescência conhece directa e pessoalmente a ideologia do ódio e foi dela vítima, não podemos transigir ou tolerar com estes erros, com esta ideologia do ódio racial, que já deu mostras do que vale e do que é capaz: é capaz dos maiores e horrorosos crimes «contra Deus e contra o homem, sem precedência na história”!