Retomando o paralelo estabelecido por João Paulo II entre a «noite escura» de que falava S. João da Cruz e as trevas do nosso tempo que «como espécie de noite colectiva, caíram cada vez mais sobre a humanidade, sobretudo no Ocidente», pois «nos dias de hoje, o aumento das descobertas científicas e tecnológicas, velozes e sem limites, é tamanho que a ética já não consegue acompanhar o passo, abrindo assim uma fenda entre bom senso e sabedoria, entre cérebro e coração, como no caso da invenção da bomba atómica ou das manipulações genéticas, de modo que a humanidade corre o risco de perder o seu controle», Chiara Lubich, constata como a filósofa Maria Zambrano: estamos vivendo “uma das noites mais escuras que jamais vimos”. Porém, não desesperemos, Deus não nos abandonou, nem nos deixa às escuras. O Espírito Santo “exactamente nesta época, foi generoso, irrompendo na família humana por meio de vários carismas, dos quais nasceram os respectivos movimentos, correntes espirituais, novas comunidades, novas obras. Todos compreendem que são necessárias ideias fortes, um ideal que abra um caminho para dar uma resposta às numerosas e angustiadas perguntas, que indique uma luz a seguir, até poder afirmar com o diácono São Lourenço: «A minha noite não conhece escuridão, mas todas as coisas resplandecem na luz».Claro que na vida de Lourenço, como na de todos os santos que nos precederam, as “noites escuras”, são iluminadas pela luz fulgurante de Cristo Ressuscitado, mesmo quando Ele se nos apresenta crucificado, abandonado, vencido! Cristo Ressuscitado, é de facto a resposta aos grandes problemas humanos, esclarecendo a Presidente dos Focolares que “não é certamente o Jesus histórico ou como Cabeça do Corpo místico, que resolve os problemas. É Jesus-nós, o Jesus-eu, o Jesus-tu… Jesus no homem…que constrói uma ponte, abre um caminho…Jesus é a personalidade verdadeira, mais profunda, de cada pessoa”. É assim, “como outro Cristo, membro do seu Corpo místico” que cada homem deve dar a sua contribuição para a resolução dos problemas e “a eficácia da sua acção será maior, se trabalhar com outros homens unidos no nome de Cristo. É a Encarnação que continua…”. Uma das ideias fortes que nos é transmitida na Mensagem de Chiara é justamente a do “carisma da unidade”, que deve inspirar a todos, mas muito particularmente, os dirigentes políticos, os líderes religiosos, os profissionais da comunicação social e todos aqueles que honestamente não queiram continuar a ver a humanidade dividida em blocos ideológicos, em guerras fraticidas, em divisões artificiais, seja porque razão for, mesmo que de natureza religiosa. Como católicos, penso que não nos devemos desviar um milímetro que seja, da rota traçada pelo Papa João XXIII na magistral Encíclica “Pacem in Terris” e confirmada por toda a Igreja, nos vários documentos e proclamações do II Concílio do Vaticano. Penso que, a todos os níveis, mas muito particularmente no diálogo inter-religioso e também ecuménico devemos continuar a olhar mais para o que nos pode aproximar e até unir do que para o que nos pode afastar e separar, porque Cristo morreu e ressuscitou “para que todos sejam um”, para que todos vivam sobre a terra como irmãos, que se amam, se estimam e se respeitam.