Os números, para além de chocantes, são verdadeiramente alarmantes e apontam-nos que, a par do «sangue na estrada», algo importa e com exigível urgência, mudar. Recordamos que, em 2005, foram apresentadas à APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima) mais de 14 mil e trezentas queixas, das quais quase 90% provocadas pelos homens na vida doméstica, número que ascende nas esquadras policiais às 19 mil, o que para o deputado Dr. Mendes Bota, «estamos a falar de mais de um milhão de portuguesas». Numa interdisciplinaridade e interligação de causas e efeitos, quanto a nós, surge como factor primordial, a crise que, por razões conhecidas, estudadas e apontadas, vive e sofre, entre nós, essa instituição que sempre o foi um dos grandes pilares da sociedade portuguesa, a família. O facto é de tal modo grave, por razões cristãs, humanas e de direito, não só em Portugal, mas a nós toca-nos de modo especial, esta vergonhosa chaga social, mas em muitos outros países, grande parte dos quais que não do «Clube da Europa», que o Parlamento Europeu vai promover, de 25 de Novembro deste ano a 31 de Março de 2008, a acção-campanha «Parlamentos unidos no combate à violência doméstica contra as mulheres». Nenhum de nós – pais, filhos e maridos, bem como todos nós, em especial pela Fé que professamos («Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei…») pode voltar as costas, alhear-se ou esquecer este grave problema da violência doméstica.