Citando o Papa na homilia da Eucaristia de conclusão do referido Sínodo, o cónego José Pedro Martins lembrou que “o Concílio Vaticano II afirma que é necessário que os fiéis tenham amplo acesso à Sagrada Escritura para que as pessoas, encontrando a verdade, possam crescer no amor autêntico”. “Torna-se indispensável uma promoção pastoral robusta e crível do conhecimento da Sagrada Escritura para anunciar, celebrar e viver a Palavra na comunidade cristã, dialogando com as culturas do nosso tempo, pondo-se ao serviço da verdade e não das ideologias actuais e fomentando o diálogo que Deus quer com todos os homens”, começou por destacar o conferencista. O vigário episcopal para a pastoral da Diocese do Algarve, que se baseou também na Mensagem final da XII Assembleia-geral ordinária do mesmo Sínodo, considerou a Palavra de Deus como “um dinamismo de diálogo de Deus com os homens e por isso, em rigor, mais abrangente do que a Sagrada Escritura, que é a Palavra de Deus escrita”. Referindo que “às vezes a Palavra de Deus não produz o efeito desejado porque cai em lugares que não lhe dão receptividade”, o sacerdote explicou que “é o Espírito da verdade que estende a Palavra para além do que está escrito”. O conferencista lembrou ainda que, na Eucaristia, entre o primeiro texto, do Antigo Testamento, e o Evangelho pode atestar-se que “em Cristo está o cumprimento de todas as escrituras”, porque “há sempre uma relação entre o Antigo Testamento e o Evangelho”. “A Palavra dita e anunciada é uma Palavra que se cumpre e só Cristo a cumpriu totalmente. A Palavra tem pois um rosto, fez-se carne, habitou entre nós”, justificou, advertindo de que “não é preciso ver Jesus fisicamente, mas basta acolher a sua Palavra para O «ver». Não é ver com os olhos da carne, mas com os «olhos» do coração”. Salientando que “a Palavra semeada e acolhida provoca mudança no mais íntimo da pessoa humana e gera comunidades de fé”, o cónego José Pedro Martins frisou que “é a Palavra de Deus que faz a Igreja”. Neste sentido exortou ao compromisso com o serviço querigmático (primeiro anúncio), catequético e homiliético. Relativamente a este último aspecto explicou que “as homilias devem levar os ouvintes a interrogar-se – «O que é que havemos de fazer?»” – procurando apresentar uma sugestão que aponte caminho. Aos participantes assegurou que “a Palavra de Deus está no mesmo plano do Corpo do Senhor presente na Eucaristia”. “São duas presenças do mesmo Senhor. Na missa é posta a mesa tanto da Palavra de Deus como do Corpo de Cristo, mesa em que os fiéis recebem instrução (Palavra) e alimento. E a Palavra é ela também em si alimento”, complementou. Para um melhor proveito da Palavra de Deus sugeriu o “caminho orante” a partir dos salmos com a Liturgia da Horas. “Muitas comunidades já vão rezando a Liturgia das Hora em comum e é preciso incentivar isso cada vez mais. É um manancial de vida nova de um rejuvenescimento constante da Igreja”, considerou, acrescentando também a prática da Lectio Divina como uma privilegiada “forma de encontro com a Palavra de Deus”. “Felizmente estamos mais sensibilizados para a Lectio Divina. No próximo ano pastoral vai estar ainda de forma mais presente nas nossas comunidades”, lembrou. Pedindo aos cristãos que meditem a Palavra de Deus no seu coração, tal como fazia Maria, recordou que a mesma Palavra de Deus deve ser “encarnada na vida daqueles que a vivem intensamente e que são um apelo para o outros”. A terminar, citou um excerto de um documento da Comissão Episcopal Italiana para a Doutrina da Fé e da Catequese, sublinhando que “a escuta e o anúncio da Palavra de Deus, testemunhada pela Bíblia e proclamada pela Igreja ao longo de mais de 20 séculos, produziram uma extraordinária história de fé, de oração, de obras de caridade e também de cultura. Em suma, uma história de santidade”.