Esta frase interliga duas belissímas expressões, cheias de sentido e significado: "a sublime ciência de Jesus Cristo" ou "o supremo conhecimento de Jesus Cristo" é uma expressão usada origináriamente por São Paulo na Carta aos Filipenses, enquanto que a afirmação de que "a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo" é de autoria de São Jerónimo, uma das maiores autoridades da Igreja em matéria de Escrituras Sagradas, que consagrou a sua vida à tradução da Bíblia para Latim. Isto nos mostra, o quanto é importante que os cristãos leiam, conheçam, amem, meditem e aprofundem o texto sagrado. Desde a aprovação da Dei Verbum que já se passaram mais de quarenta anos e muito se tem progredido desde então no conhecimento da Bíblia. Longe vão os tempos, felizmente, em que era proibido aos católicos lerem as Escrituras, pois isso era coisa reservada aos entendidos, leia-se clérigos. Tão anacrónica situação, é verdade, já se encontrava superada em 1964, pelo menos e de forma determinante, desde a magistral Encíclica "Divino Afflante Spiritu" do Papa Pio XII, assinada por aquele grande pontífice em "30 de Setembro, festa de São Jerónimo, Doutor Máximo na exposição das Sagradas Escrituras, no ano de 1943", porém, tal processo de tornar a Bíblia mais acessível ao povo de Deus conheceu um notável incremento a partir do II Concílio do Vaticano. Agora, passados mais de quarenta anos sobre o Concílio e de sessenta sobre a publicação da Carta de Pio XII, os bispos vão novamente reflectir, a nível universal, no Sínodo que se realizará em Outubro de 2008, sobre "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja". Tal magna reunião, será precedida de uma consulta a toda a Igreja sobre a Palavra de Deus, através dos "Lineamenta", que lançam uma série de perguntas concretas, dirigidas em primeiro lugar aos Bispos mas também a todos os outros membros do povo de Deus, perguntas a que aliás os Bipos só poderão responder cabalmente com a ajuda de outros agentes que, ao procurarem dar resposta às questões colocadas terão uma oportunidade para reflectirem de modo sério, metódico e sistemático sobre a verdadeira relação dos cristãos com a Palavra de Deus. É por isso que penso que os diversos grupos de cristãos, desde os grupos paroquiais, movimentos de apostolado e comunidades religiosas, até ao Conselho Diocesano de Pastoral, passando pelo Conselho Presbíteral, se deveriam nos próximos meses debruçar sobre as pertinentes perguntas dos "Lineamenta", de modo a que se possa estimular a reflexão sobre a Palavra de Deus. Responder a perguntas tais como: "Jesus Cristo é compreendido como núcleo central da Palavra de Deus?" ou "entre os baptizados que ideia se tem de Revelação, Palavra de Deus, Bíblia, Tradição, Magistério?" é uma tarefa que poderá contribuir para "reavivar a estima e o amor pela Sagrada Escritura" e permitir "que os fiéis tenham (mais) fácil acesso a ela". Tal trabalho de reflexão poderia culminar na Assembleia diocesana de Outubro próximo, assim se dando um passo importante no conhecimento da nossa realidade diocesana em sector tão crucial como seja o da renovação bíblica, tendo presente que para o presente ano pastoral de 2006-2007 se pretende partir do conhecimento da realidade social e religiosa, para identificar apelos evangelizadores para o futuro e assim (re)conhecer em Cristo, a nossa identidade e missão.