Recorde-se que Flávio Martins e Pedro Manuel, respectivamente naturais de Monte Gordo e Monchique, cumpriram já a primeira e segunda etapas, com as instituições nos ministérios de leitor e acólito. A missão do diácono consistirá, antes de mais nada, em ficar consagrado pelo Sacramento da Ordem para o serviço do altar, para o serviço da caridade e para o serviço da Palavra. Nas vésperas das suas ordenações diaconais os seminaristas algarvios, em declarações à FOLHA DO DOMINGO, testemunham a alegria por dar este passo na sua caminhada vocacional. Flávio Martins partilhou o seu sentimento de “muita felicidade” “por dar este sim ao Senhor e à Igreja do Algarve”. “Tenho um grande sentimento de acção de graças porque são poucos os dias que nos separam do grande dia 18 de Novembro, e quando começo a contemplá-lo, contemplo igualmente os últimos anos da minha história e da minha caminhada. Isso faz com que a minha maneira de agir seja a de um homem feliz e alegre porque se pode consagrar à Igreja de Jesus Cristo e concretamente à Igreja diocesana do Algarve que quero servir e que amo”, complementa Pedro Manuel. Não obstante estes sentimentos, os dois seminaristas confessam também sentir algum “nervosismo, ansiedade e preocupação”, por causa da responsabilidade. No entanto, Pedro Manuel explica que “quando o actor principal da nossa história é Deus, parece que tudo muda”. “Essencialmente aquilo que muda é a experiência que Deus quer fazer no coração de cada um de nós. E a vivência de um sacramento é sempre isso”, refere. Os seminaristas explicam, assim, que o peso da responsabilidade não os “esmaga”, mas antes os “eleva”. “A ansiedade pode provocar em nós um certo receio, mas ao mesmo tempo sinto que há uma coisa que nos tem vindo a acompanhar. Mais bonito do que dizermos, que ao longo de 10/12 anos, Deus acompanhou a nossa história é sentir que durante esse tempo, sem percebermos porquê e como, houve um sinal que unificou a nossa história e que é o dedo de Deus. É por isso que este momento que estamos a viver é um momento de elevação. Porque percebemos que Deus esteve sempre presente. Em vez de nos esmagar faz com que o nosso coração esteja já a viver por antecipação, e com a preocupação natural, a grande alegria que vamos viver no domingo”, justificou Pedro Manuel. Também Flávio Martins reconhece a presença de Deus. “Damos graças a Deus por tudo aquilo que Ele tem feito connosco e por nos ter achado dignos de O podermos servir e de nos consagramos totalmente a Ele. Este passo, que tomamos, não só o tomamos nós, na nossa liberdade, mas sabemos que o tomamos com Deus porque contamos com Ele. Isto não nos esmaga, mas deixa-nos mais livres e acaba por nos elevar e aproximar-nos mais de Deus e dos outros”, disse. Reconhecendo o diácono como “um servidor” ambos os seminaristas apontam o serviço como a principal característica implícita à sua futura missão. “Quando contemplo o estado de vida que abraçarei, contemplo na linha de poder servir e gastar-me sempre mais ao serviço desta Igreja diocesana que é a minha”, afirma Pedro Manuel. Também Flávio Martins espera desempenhar o seu ministério diaconal como “alguém que se entrega” e que “ vai no fim” e “não como alguém que quer ser reconhecido e ganhar protagonismo”, “não como alguém que é seguido, mas como quem segue a Jesus Cristo e quer aprender d’Ele a servir e a dar-se aos outros”. O ponto alto da preparação para a ordenação diaconal terá lugar esta noite, pelas 21.30 horas, na igreja matriz de São Pedro, em Faro, onde terá lugar uma Vigília de Oração, na qual farão o juramento de fidelidade e a profissão de fé os futuros diáconos.