A cem anos de distância e num tempo em que o Apostolado da Oração já desapareceu em muitas paróquias, (e o­nde ainda existe está decrépito ou moribundo), não se avalia a importância que no princípio do séc. XX este movimento e esta devoção tiveram nestas terras da serra de Monchique Pode dizer-se que o Apostolado da Oração foi a grande alavanca da evangelização da serra e a sua influência e importância chegou aos nossos dias. A cruzada de S. Pio X sobre a comunhão frequente teve no Apostolado da Oração um precioso aliado. A vida religiosa em Portugal durante o séc. XIX passou por grande crise, e só começou a erguer-se perto do seu final. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus, que em Portugal se iniciou no tempo de D. Maria I, conheceu bastante vida, mas com a expulsão dos jesuítas, começou a definhar e desapareceu. Só em 1864 aparece novamente em Lisboa o primeiro centro da Associação do Apostolado da Oração fundado pelo padre jesuíta António Marcocci e, a partir daí, foi-se estendendo a todo o país. Em 25 de Maio de 1899, o Papa Leão XIII pela encíclica “Anum Sacrum” realiza a consagração do género humano ao Sagrado Coração de Jesus. Os esforços da parte do episcopado e do clero para revitalizar a vida cristã em Portugal foram motivo de irritação para monárquicos ou republicanos, inimigos da Igreja. Uns e outros buscavam pretexto para criarem no país uma “questão religiosa”. E um sectarismo desenfreado e maçónico levou ao corte de relações diplomáticas com a Santa Só precisamente no ano de 1906. Com o advento da República em 1910, a situação religiosa do país agrava-se e com o aparecimento de Afonso Costa procura- se por todos os meios a laicização do país. Ora é precisamente em 1906, num ambiente deveras hostil, que sob a égide do padre David José Pinto Neto se funda o Centro do Apostolado da Oração em Monchique. E não é só na vila. É sobretudo nos campos e pela serra fora que se espalha a devoção. As primeiras Sextas-feiras de cada mês rivalizavam com os Domingos na afluência à igreja. A confissão e a comunhão, que por via de regra acontecia uma vez por ano, tornou-se habitual uma vez por mês. A devoção das primeiras Sextas-feiras tornou a comunhão mais frequente e desenvolveu uma devoção eucarística que ainda hoje perdura. Para os sacerdotes que trabalhavam em Monchique, a primeira Sexta-feira era um dia de confessionário. E os sacerdotes que passaram por Monchique e ainda hoje trabalham na diocese podem testemunhar como as primeiras Sextas-feiras eram dias de grande vivência cristã. Hoje os tempos são diferentes. A população está envelhecida. Mas a comunidade de Monchique tem ainda na primeira Sexta-feira de cada mês e na devoção ao Sagrado Coração de Jesus como um ponto importante na sua vivência cristã. Por tudo isto estamos a celebrar o centenário que culminará nos dias 22, 23, 24 e 25 de Junho corrente.