Segunda-feira 22 de Julho de 2019
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A Quaresma e o Espírito Quaresmal

E nós, crentes, até nos apercebemos desta realidade nua e crua e sabemos como devemos reagir… Mas temos de reagir! … É Deus que, através da Igreja e da sua Liturgia, das orientações do Santo Padre e demais Pastores, e, também, da sã tradição cristã, que nos envolve, apela vivamente; bate à porta dos nossos corações, para reagirmos… Está em jogo a eficiência do Seu Reino na terra – sem nós Ele não se constrói nem se mantém –; o reconhecimento e a identificação dos nossos pecados, porque Ele nos ajuda e ilumina; a nossa transformação interior, segundo Ele. Tudo isto conduz ao revigoramento espiritual da Fé, à consequente amizade de Deus e à posse da verdadeira e feliz paz interior. É uma ascese sublime, perfeita, integrada na própria individualidade, que transvaza toda a sociedade humana. Assim, convém reflectir nas possessões diabólicas do nosso tempo, que abarcam tanto as interiores como as sociais, porque são elas as verdadeiras causas do afastamento de Deus e dos sofrimentos humanos de hoje. Leiamos, como se estivéssemos a rezar, o Evangelho de São Mateus: “Jesus, chegado a Gádara, vieram ao seu encontro dois possessos, que lhe disseram: «Que tens a ver connosco, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos, antes do tempo?» Ora, andava, a pouca distância dali, a pastar, uma grande vara de porcos. E os demónios pediram-lhe: «Se nos expulsas, manda-nos para a vara de porcos.» Disse-lhes Jesus: «Ide!»” Então eles, saindo, entraram nos porcos, que se despenharam, por um precipício, no mar e morreram nas águas.” Mt. 8, 29-33. O ensinamento, imediato e lógico, que emerge, com clareza, desta narrativa evangélica é, claramente, o de evidenciar o poder espiritual do Salvador sobre o mal e a Sua solicitude em libertar o homem de opressões, designadamente a maior de todas: O pecado. Porém, o estudioso que procede a uma análise ideológico-doutrinal e semântica, ainda que simples, deste trecho evangélico, encontra muitas dificuldades de interpretação: Qual a razão que levou os demónios a escolherem os porcos – animais considerados imundos, que os judeus não podiam nem comer – para neles se instalarem? Não é os homens que os demónios tentam perverter? Quereria Jesus Cristo – o que é impensável – punir os pastores dos animais (que ficaram, de veras, aflitos) ou o seu proprietário? Este raciocínio analítico deve levar-nos a recorrer a fontes histórico-científicas credíveis, a fim de podermos chegar a uma conclusão, plausivelmente certa e cristã. Realmente, sabemos que os judeus, desconhecendo a origem de muitas patologias, designadamente do foro espiritual, neurológico e/ou do sistema nervoso, atribuíam-nas aos espíritos impuros ou demónios, que tinham entrado no doente. Daí o facto de se dizer que os dois homens, de que fala São Mateus, no Evangelho da sua autoria, possivelmente doentes psico-neuróticos, estavam possessos do demónio; e foi desta realidade que Jesus partiu, para transmitir a Sua mensagem, sem atender ao conceito, cientificamente errado, dos judeus, por ser, praticamente, impossível esclarecê-los, sobre esta matéria, naquele momento e naquele lugar. Hoje, com os conhecimentos científicos e históricos que possuímos e sabedores do papel eterno e universalista, que Deus imprimiu à Sua palavra, exarada na Sagrada Escritura, é-nos, relativamente fácil, entender todos os contornos da narrativa que estamos a comentar. De facto, muitos homens do nosso tempo têm o seu espírito perturbado pelos males da sociedade actual: Ideologias de morte, de radicalismos, de alinhamentos correligionários incorrectos, de guerras fratricidas, de ganância desmesurada de bens materiais e outros, etc., etc., etc. São estes os demónios dos homens modernos. Neles, assim “endemoninhados,” Deus não tem lugar e o Salvador Jesus Cristo, não entra nas suas consciências. Quando estes desvarios tomam conta da sociedade, na sua maior parte, – o que está a acontecer hoje – os homens, em bloco, percorrem caminhos errados de injustiças, de ódios, de guerras fratricidas, de egoísmos, de terrorismo… Daí a insatisfação, a angústia, o medo, a incerteza, com que, muitos homens de hoje, vivem … Esta reflexão é-nos muito útil e necessária, para conduzirmos a nossa vida cristã e social pelo caminho certo da verdade e do bem-estar individual e colectivo e constitui um verdadeiro programa de vida para este tempo da Quaresma. Oxalá vençamos o comodismo, a inércia, o “deixa andar”, que tanto nos entorpece a alma e nos causa tanta amargura.

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