FOLHA DO DOMINGO – Há quanto tempo é cursista? Fernando Santos – 12 anos. Qual é a importância da fé em Jesus Cristo na sua vida? Total… porque, para mim e para a minha família, a vida sem Cristo não tem sentido. E Cristo também está nos irmãos. É um Cristo vivo e não aquele que eu conheci durantealguns anos: um Cristo afastado, longe das pessoas, que muitas vezes nos foi ensinado como castigador, quando Cristo é totalmente o contrário. Cristo é amor e portanto está nos irmãos e é o centro da nossa vida. Nós que fazemos parte de uma grande família, desde logo da nossa família de laços sanguíneos, e da nossa família cristã que é a comunhão de todos os baptizados de que Cristo é o centro. Como é que vive no dia-a-dia essa fé? Afirmando-a com convicção, participando na Eucaristia, porque a fé é algo que tem de se alimentar, e eu alimento-a essencialmente através da Eucaristia. E também procurando dar o meu testemunho de cristão. Por isso, para além do trabalho na minha paróquia, sou visitador de prisões e faço outras coisas. Procuro fazer com alguma humildade aquilo que o Senhor quer que eu faça. E na sua profissão como é que vive esta dimensão da sua vida? Afirmando a minha fé, naturalmente, com respeito pelos outros. Eu afirmo a minha convicção, mas tenho respeito pelos outros que têm outras crenças religiosas, “discutindo” com eles, sem medo de abordar aquelas que são as verdades da Igreja e procurando também percebê-los a eles. Referiu-se à importância de celebrar a Eucaristia. Como é que um treinador de futebol consegue celebrar a sua fé ao Domingo, o dia normal das competições desportivas? Eu participo sempre na Eucaristia. Depois de fazer o Curso de Cristandade percebi que tinha tempo para tudo e a primeira coisa que faço quando vou jogar fora é perguntar, no hotel a que chego, o­nde é que há Eucaristia e a que horas. Procuro conciliar o meu tempo com a participação na Eucaristia e felizmente tenho conseguido sempre. Testemunhar a fé junto dos atletas que treina e dos restantes membros da equipa técnica é fácil? É. Basta, por exemplo, ir à Eucaristia. Eu lembro-me que nalguns casos as coisas se alteraram a partir daí. No princípio, os clubes não percebiam porque é que eu ia à Eucaristia e me ausentava algum tempo, mas eu tinha o cuidado de explicar aos meus jogadores e à direcção a importância, para mim, da Eucaristia.Isso gera alguma conversa. Às vezes algumas frases menos agradáveis. Uma das coisas que dizem, por vezes, a meu respeito é que sou muito brando porque sou cristão, porque vou à igreja e à Eucaristia e não é assim. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Até por aí é uma forma de nós testemunharmos.