Foi ainda no largo fronteiro à Catedral diocesana que se iniciou a celebração também com a proclamação da luz pascal que de seguida deu entrada na igreja, rompendo a escuridão, e através da qual se acenderam as velas dos presentes. A este mesmo momento inicial se referiu o Bispo diocesano na sua homilia para esclarecer que "tudo isto é imagem de Cristo ressuscitado, luz que ilumina toda a Igreja e toda a humanidade". "Luz que deve permanecer em cada um dos seus membros, em cada um de nós", complementou, D. Manuel Quintas. Após o canto do precónio pascal (canto de júbilo que anuncia as maravilhas de Deus e a ressurreição de Cristo) e a leitura da Palavra de Deus (nesta noite, mais longa que nas Eucaristias habituais por serem proclamadas várias leituras da História da Salvação), D. Manuel Quintas iniciou a sua homilia, fazendo eco da interpelação que marca a celebração da Vigília Pascal: "Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo?". "Esta foi a surpreendente notícia escutada pelo grupo das mulheres ao romper da manhã daquele primeiro dia da semana. Esta mesma Boa Nova nos é comunicada hoje com a actualidade e o entusiasmo daquela manhã. É esse o primeiro objectivo desta Vigília Pascal", salientou o Bispo diocesano, frisando que "Cristo ressuscitou, venceu a morte e vive para sempre". "Estamos aqui para acolhermos esta alegre notícia de que o Senhor ressuscitou e está vivo e tudo nesta noite converge para esta afirmação de fé", destacou o Prelado, caracterizando os diversos momentos da noite como "uma explicitação desta afirmação de fé". "Tudo nesta noite nos convida a professar a nossa fé em Cristo ressuscitado; a viver como quem participa da própria ressurreição de Cristo, como quem é convidado a testemunhar essa mesma ressurreição tal como o grupo das mulheres", acrescentou. Aproveitando a presença de 26 catecúmenos eleitos que iriam momentos depois ser admitidos aos sacramentos da iniciação cristã, o presidente da celebração dirigiu-lhes o sentido da sua intervenção. Recordando a carta de São Paulo aos Romanos, D. Manuel Quintas salientou que "ser baptizados significa passar com Cristo da morte para a vida". "Significa assumirmos as consequências da nossa configuração com Cristo", ou seja "abandonar todas as formas de pecado, porque pela sua ressurreição entrámos na vida nova dos filhos de Deus". Explicando a relação entre o Baptismo e Eucaristia, outros dos sacramentos da iniciação cristã, o Bispo do Algarve frisou que "sempre que nos reunimos na Eucaristia acolhemos e revitalizamos no Corpo e Sangue de Cristo a vida nova, fruto da sua ressurreição que recebemos no dia do nosso Baptismo". A terminar, o Bispo diocesano deixou ainda aos cristãos um conjunto de exortações. "Proclamemos com o coração cheio de alegria e esperança que Jesus pela sua ressurreição venceu o pecado e a morte. Assumamos como baptizados o seu projecto contido no evangelho e na Boa Nova que nos deixou. Passemos das trevas à luz, da morte à vida, da escravidão do pecado à liberdade dos filhos de Deus. Deixemo-nos contagiar pela alegria e pela luz desta noite. A Páscoa de Jesus é a nossa Páscoa. A vitória da luz sobre as trevas decide-se também no coração de cada baptizado quando deixa que a luz de Cristo se transforme nele na luz da fé que ilumina, dá sentido à sua própria vida e em luz do mundo através do testemunho fiel e fecundo iluminado pela Palavra e fortalecido pela Eucaristia celebrada em comunidade", apelou. Manifestando toda a sua alegria, D. Manuel Quintas mostrou aos ainda eleitos o seu regozijo pela decisão que tomaram. "Gostaria de vos dizer o quanto alegrais o meu coração de Bispo ao terdes decido fazer este percurso e receberdes os sacramentos da iniciação cristã. Em cada um de vós sentimos toda a nossa Igreja que se rejuvenesce. Que esta noite marque a vossa vida e que esta luz que brota deste círio os ilumine em todas as situações da vossa vida. Estais bem presentes no coração de toda a diocese para que o Senhor faça frutificar na vossa vida o Baptismo que ides receber e a Eucaristia que vai ser o vosso alimento de peregrinos. E sobretudo pela acção do Espírito ides encontrar nele a força de que precisais para viver em fidelidade ao Baptismo que ides receber e a força de que precisais para testemunhar essa mesma fé que hoje vos vai ser entregue", referiu. À liturgia da Palavra, particularmente centrada na acção de Deus junto do seu povo e na pessoa de Jesus, seguiu-se a liturgia baptismal, com a administração dos sacramentos da iniciação cristã – Baptismo, Crisma e Eucaristia -, o primeiro a 8 e o segundo a 26 adultos. No final da Vigília Pascal, D. Manuel Quintas voltou a dirigir-se aos novos cristãos, agora já neófitos, para lhes deixar um apelo. "A participação na Eucaristia. É esse o esforço que eu vos peço que permitir-vos-á viverdes em fidelidade, crescerdes em Igreja e contribuirdes com o vosso testemunho para que esta comunidade e toda a nossa Igreja diocesana possa viver também em fidelidade ao mandato de Cristo e aos apelos de Deus", salientou. Em toda a diocese algarvia foram admitidos aos sacramentos da iniciação cristã 33 adultos.