Ao mesmo tempo, Deus sabia e sabe que entregar o mundo à livre responsabilidade do homem era aceitar, digamos assim, desde logo, todas as implicações, erros e sofrimentos… Era aceitar um mundo mal construído, mal organizado… Era aceitar que se iniciasse e se prolongasse esta longa história dolorosa de uma humanidade que se realiza nas lutas, no sangue, no sofrimento, na injustiça… Era aceitar que estivessem mal repartidas as riquezas do mundo… Enfim, por outro lado, o universo é um livro selado de que o homem deve arrancar, um a um, os segredos para o compreender… Daí a necessidade de investigar, pôr em acção a inteligência para isso recebida. Ninguém está dispensado deste dever, autêntico dever de homem. Por conseguinte, a fé cristã longe de recear os sucessos da investigação científica, só pode alegrar-se ao vê-la progredir… Procurando, está claro, compreendê-la, correspondendo, deste modo, à sua vocação de homem. Pois, não podemos esquecer que quanto mais ele se enriquece de saber e de conhecimento, mais se torna conforme a esta imagem de Deus, cujo gérmen foi deposto nele e que ele deve desenvolver. Aliás, mais do que qualquer outro, o cristão deve compreender que o homem é o único responsável pela organização do mundo. Deus não intervém para dispensar o homem do seu esforço, nem para reparar as injustiças e os desequilíbrios que o homem causa pelos seus erros e faltas…