O impacto da perda, habitualmente é expresso com tristeza e revolta como neste caso especifico do aborto quer ele seja espontâneo ou provocado. Estas respostas podem ser incluídas em respostas de luto. Quando à ocorrência de aborto, o segredo é mantido… por vergonha, … por medo, …etc. Contudo as reacções psicológicas a uma situação abortiva (quer seja espontânea ou provocada) são múltiplas e não estão relacionadas com o tempo de gestação. Poderá, no entanto, depender da motivação, do desejo ou até mesmo do investimento emocional depositado pelo casal. Porém, é importante sublinhar a existência de estudos científicos que demonstram que os casais que sofreram um aborto, apresentam tonalidades afectivas mais negativas em relação a um novo filho nascido após este acontecimento. Apesar da variabilidade individual nas respostas emocionais, as mulheres que sofrem uma perda estão mais vulneráveis a apresentar frustração, desapontamento, raiva (em relação às mulheres grávidas, aos médicos, aos maridos/companheiros) e culpabilização (por não ter tido cuidado com a alimentação, por ter mantido hábitos tabágicos ou alcoólicos, ou por ter simplesmente decidido abortar…). O sofrimento psicológico é intensificado pelo receio de não poderem vir a ter filhos. Poderão ser frequentes episódios depressivos, em momentos cronologicamente significativos: na data prevista do parto, caso a gravidez tivesse chegado a termo; em anos subsequentes, na data do abortamento; após o parto, numa próxima gravidez. Também são comuns as perturbações de ansiedade numa gestação subsequente e/ou durante o trabalho de parto. Em pessoas psicologicamente mais vulneráveis, estas respostas podem intensificar-se e contribuir para a emergência de graves problemas físicos e emocionais, que acabam por aflorar. Muitas das mulheres que passam por estas situações experienciam sentimentos ambivalentes e conflituosos entre si: amor e ódio face à criança, certeza e dúvida face ao aborto, depressão e euforia, desejo e repulsa pela maternidade, pelo que não devemos pressupor que a decisão, mesmo quando ponderada, esteja isenta de repercussões em termos emocionais. Quando estas consequências emocionais se agravam ou perduram no tempo, não sendo resolvidas através dos recursos pessoais, é necessária intervenção psicológica específica, isto é, é necessário um acompanhamento pós aborto.