“Esta lógica de pensar determinado terreno ou determinada pessoa como parte de determinada paróquia está desactualizada. Esta mentalidade de ver a paróquia como uma estrutura estática já não corresponde à realidade”, considera, defendendo uma reflexão urgente no seio da Igreja. “Temos de nos sentar e tentar descobrir qual será o melhor caminho para ir ao encontro das pessoas”, concretiza. Por outro lado, entende igualmente que a Igreja de hoje “está muito agarrada a leis e a preceitos”. “Não será que estamos agarrados a uma pastoral legalista? Não haverá outros caminhos? Eu não sei e interrogo-me muito. Por isso é que eu acho que ser pároco hoje é muito difícil”, refere, acrescentando que “a Igreja tem de ser uma realidade muito mais aberta ao mundo”. “Temos de sair mais para ir ao encontro dos outros, ao invés de esperar que os outros venham ao nosso encontro”, afirma. O pároco de Armação de Pêra e Porches entende ainda que “a resposta da Igreja católica aos casais e famílias desagregadas não se pode fazer com papel”. “Não pode ser feita só com documentos. Nós temos uma Igreja que fala muito e que apresenta muitos documentos. Penso que não basta isso. Temos de ter um procedimento bem diferente. Aquela mensagem que Jesus deu aos apóstolos – ‘Ide!’ –, se calhar, não se está a realizar devidamente entre nós. Falta o ir, estar presente e comprometer-se com as pessoas e levá-las também a comprometerem-se seriamente”, defende, reconhecendo a dificuldade dessa missão.