Alguns desses panfletos rezam assim: «os anjos falam e eu revelo, oriento e aconselho, sobre questões, demandas, invejas, amores, vícios e questões em geral». E ainda: «curas através de cristais, búzios, rezas, energia das mãos, simpatia para cortar vícios, stress, filhos problemáticos e para todos os fins…» Infelizmente, existem, hoje, imensas pessoas, até cultas que acreditam nestes oráculos, nestas autênticas patranhas. Isto é sem dúvida, sinal de uma grande desorientação de ideias, um sentimento de insegurança e também de uma falta de fé esclarecida, em síntese, uma crise de valores autênticos. À primeira vista parece que a Igreja perdeu, para muitos, o suporte psicossocial da sua confiança de viver. Daí a necessidade de se procurarem novas soluções do modo a responderem a tanta desorientação que se verifica na procura de soluções dos problemas, recorrendo às práticas exotéricas e do além, atitude esta que, muito embora já venha desde que o homem é homem, recrudesceu imenso nestes últimos tempos. De facto, quando o homem confrontado com o sofrimento e sem ter capacidade nem para o entender nem para o resolver, se volta para os novos adivinhos, para as novas pitonisas, para todos esses mercadores de curas religiosas, esperando o que eles jamais poderão dar, afunda-se cada vez mais no irracional e no inverosímil… Todos esses vendedores de curas religiosas se escudam em roupagens e falares misteriosos, usando desenhos simbólicos, conchas perdidas nas praias, de modo que os clientes não entendam essa cripto-linguagem que, dizemos nós, só serve para enganar papalvos…