O Bispo diocesano iniciou a sua exposição explicando porque é que “toda a leitura da Escritura exige resposta, oração”. “Quando rezas, és tu que falas com Deus. Quando lês a Escritura, é Deus que fala contigo”, justificou, sublinhando que é neste pressuposto que consiste a Lectio Divina. Por outro lado, salientou que “reunirmo-nos para aprofundar a Bíblia é reunirmo-nos para aprofundar o encontro com Cristo”. Referindo-se mais directamente à temática proposta, lembrou que, para os crentes, a verdade é uma Pessoa: Cristo. “O Filho eterno de Deus foi enviado ao mundo para dar testemunho da verdade”, salientou, lembrando que “o cristão deve procurar e testemunhar a verdade em todos os campos da actividade pública e privada, mesmo com o sacrifício da própria vida se necessário”. “Só a verdade dá sentido às opções que tomamos e só a verdade liberta”, advertiu. A este nível defendeu ainda que “a verdade deve iluminar a pastoral da Igreja” e alertou para o “perigo de comprometer a verdade em nome da caridade”. “Uma pastoral que queira autenticamente ajudar a pessoa deve apoiar sempre na verdade. Só o que é verdadeiro pode ser pastoral. Não se pode fazer nenhuma acção pastoral baseada na mentira”, preveniu, observando que “na Bíblia, a verdade identifica-se com fidelidade”. “Deus é verdadeiro porque é fiel”, constatou. Confrontando com o testemunho de São Paulo, autor da expressão que deu tema à sua intervenção, frisou que “o apóstolo não pode desligar-se da verdade”. “Seria atraiçoar a mensagem. O seu ministério inspira-se na verdade e no poder de Deus. Age como alguém que descobriu a verdade plena e nela encontra a força e o dinamismo da sua acção apostólica. É fundamental que este princípio inspirador ilumine a acção de todo o cristão”, complementou, apontando para a missão de qualquer cristão. D. Manuel Quintas elucidou ainda que “a Palavra de Deus é a base de toda a formação na Igreja”. “Não podemos crescer como alguém que, na Igreja, é chamado a um ministério sem ter como referência diária do nosso crescimento na fé a Palavra de Deus”, alertou, considerando que “esta formação deve basear-se numa leitura frequente da Palavra revelada”. “A Palavra de Deus alimenta a nossa fé, mas também a purifica e fortalece e ajuda a evitar fundamentalismos ou de cair em superstições”, advertiu. O Prelado lembrou igualmente que “a espiritualidade cristã alimenta-se da escuta da Palavra de Deus” e que a mesma Palavra de Deus “convida sempre à conversão”, pessoal e eclesial, “porque nos confronta com a própria pessoa de Jesus”. Considerando que “não é possível ler e escutar a Palavra de Deus se não for em ambiente inundado pelo Espírito Santo”, o Bispo diocesano defendeu que sempre que se lê a Palavra de Deus “devia haver uma invocação ao Espírito”. Tendo alertado para a “compreensão integral da Eucaristia”, o Bispo do Algarve lamentou: “penso que ainda não atingimos plenamente o sentido da Palavra de Deus na Eucaristia”. “A comensalidade implica não só a partilha do pão e do cálice eucarístico mas também a partilha da Palavra. A liturgia da Palavra e a liturgia eucarística estão tão intimamente ligadas entre si que formam um só acto de culto. A Palavra de Deus faz-se carne sacramental no acontecimento eucarístico e leva a Sagrada Escritura ao seu cumprimento. A Eucaristia ajuda a entender a Sagrada Escritura, assim como a Sagrada Escritura ilumina e explica o mistério eucarístico”, complementou, adiantando que “a Igreja prende que se aprofunde mais, do ponto de vista teológico, o sentido da sacramentalidade da Palavra”.