Mais identificado com comunidades rurais, o pároco reconhece que lhe custou adaptar-se à realidade das duas paróquias que agora lhe estão confiadas e que entende serem “muito semelhantes”. “Eu sou uma pessoa de poucas iniciativas e preciso de ter alguém a empurrar-me”, admite o pároco. Segundo o sacerdote, tanto na paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Alcantarilha, como na paróquia do Divino Espírito Santo de Pêra, “o sector da pastoral que mais se evidencia é o litúrgico”. Nas duas comunidades existem grupos de acólitos organizados, grupos corais e alguns leitores, o que permite, segundo o sacerdote, “fazer boas celebrações”. Também em São Lourenço do Palmeiral, uma comunidade da paróquia de Pêra, existe, segundo o pároco, “um bom grupo de acólitos”. Já a pastoral sócio-caritativa, apesar de considerar “minimamente organizada”, o padre Manuel Coelho reconhece que “não está como devia ser”. No entanto, o sacerdote destaca as campanhas realizadas no Natal e na Páscoa, assim como a casa de vestuário existente em Pêra como aspectos positivos. “Temos noção das famílias carenciadas das duas paróquias”, assegura o pároco, embora considerando que “não há muita gente” nessas condições, nem “muitas pessoas a viver mal”. Também nesta área, sobretudo no que se refere a Alcantarilha, o sacerdote destaca ainda o trabalho realizado pela Misericórdia local. Ao nível da pastoral profética as necessidades também são identificáveis. Embora considere que “as infra-estruturas que existem são suficientes”, o padre Manuel Coelho entende que as falhas se encontram nas estruturas humanas. “Os catequistas que temos, têm boa vontade, mas falta-lhes a formação”, refere o padre Manuel Coelho, assegurando que a actual situação não se verificava quando chegou às paróquias. “Havia muitos catequistas jovens, que entretanto saíram para estudar, e agora só temos pessoas já com alguma idade”, justifica, explicando que “os jovens, depois de receberem o Sacramento do Crisma e ou vão estudar para fora ou vão trabalhar”. “Em Pêra também nunca houve um grande grupo de jovens”, salientou, destacando as “muitas pessoas que ajudam nas festas” daquela paróquia, reconhecendo contudo que “alguns estão quase fora da Igreja”, mas aparecem quando há certas actividades. “A maior desilusão que sinto é que nas duas paróquias não encontro gente com interesse de aprofundar a fé”, reconhece o pároco, lembrando que nos grupos bíblicos de cada paróquia, “são poucos os participantes, sobretudo em Pêra”. “Há uma falta de hábito e de ligação à Igreja”, considera. Nas três comunidades (incluindo São Lourenço), a catequese, frequentada por 40 por cento das crianças das escolas locais, funciona nos anexos das igrejas e em salas, algumas delas com sinais visíveis de degradação, sobretudo em alguns imóveis da paróquia de Pêra. Em Alcantarilha, a situação é um pouco melhor, pois os catequizandos são acolhidos no salão e nalgumas salas por baixo da casa paroquial, construída há cerca de sete anos. Também em relação às festas das comunidades, o pároco considera que existem igualmente algumas arestas a limar, recordando que aquelas iniciativas deverão ter 3 finalidades: “fomentar a amizade das pessoas que nela trabalham, fazer festa para as comunidades e angariação de fundos para as paróquias”. “Em Pêra, todas elas são atingidas”, pois “existe um líder”. “Já em Alcantarilha, apenas os dois últimos aspectos funcionam”, confessa, lamentando que as pessoas colaborem pouco. “A pobreza escondida é cada vez maior em Pêra”, considera Lurdes Cristovão Lurdes Cristovão, catequista e membro do Conselho Pastoral Paroquial de Pêra, testemunha que “a pobreza escondida é cada vez maior”. “Quando pensámos no projecto da loja de material em segunda mão para carenciados, nunca imaginámos que a adesão fosse tão grande”, afirma, referindo-se à casa o­nde a paróquia disponibiliza aos mais necessitados roupa, cobertores, cortinados e camas para bebés. Por outro lado, aquela paroquiana reconhece que “as infraestruturas que existem para reuniões e catequese estão degradadas e ocupadas”. “Muitas não têm água, nem casas de banho”, complementa, acrescentando ainda a falta de catequistas e de voluntários para a limpeza da igreja. Quanto aos jovens, Lurdes Cristóvão lembra que “existem e participam quando lhes é pedida ajuda”. “Paroquianos de Alcantarilha precisam de estímulo”, entende Jorge Correia Artur Jorge Correia, membro do Conselho Pastoral Paroquial e chefe do agrupamento do CNE, reconhece que, em Alcantarilha, “os paroquianos precisam de estímulo para avançarem com os trabalhos” e lembra que “nos últimos 15 anos, a paróquia foi beneficiada nesse sentido por ter tido párocos novos”. Merícia EstêvãoCatequista, leitora e cantora em Alcantarilha “Fazem falta pessoas mais formadas na catequese. Os catequistas, incluindo eu, não têm a formação suficiente. Temos muita coisa, a família, o trabalho, entre outras obrigações”.