Integrada na festa encontrava-se também uma delegação portuguesa com cerca de 50 elementos, provenientes das dioceses de Beja, Santarém, Vila Real, Viseu e Viana do Castelo que também organizou a viagem em conjunto com o Algarve que participou com 26 elementos. Através do Sector Diocesano da Pastoral Juvenil (SDPJ) algarvia seguiram duas jovens – a Ângela Farinha e a Lilia Leonardo –, membros da equipa daquele serviço diocesano e mais 24 algarvios, na sua maioria adultos, membros do Caminho Neocatecumenal que foram a Itália inseridos num grupo de 100 elementos da Zona Sul das comunidades neocatecumenais. As duas algarvias, assim como os participantes membros das restantes dioceses portuguesas estiveram em Itália desde o dia 27 de Agosto. Na paróquia de Ascoli, os jovens italianos receberam os portugueses para as actividades que pontuaram os dias que antecederam o encontro com o Papa. Ângela Farinha, à FOLHA DO DOMINGO, lamentou a falta de organização do encontro e o facto de só ter tido efectivamente início no dia 30 de Agosto. A participante algarvia criticou ainda a falta de preocupação da diocese de Ascoli com o acolhimento e a integração dos portugueses no encontro. “Em compensação, o acolhimento proporcionado pela paróquia de Ascoli foi excelente, apesar de pensarem que nós só chegaríamos um dia depois”, explicou. Para Ângela Farinha, o encontro revelou-se “muito fraco”, salvando-se o convívio entre os participantes nas paróquias de acolhimento e o encontro com o Santo Padre. Na quinta-feira, o encontro que antecedeu o ‘Agorà’ teve início nas dioceses de acolhimento com a celebração da Eucaristia pela manhã e à tarde realizaram-se ateliers diversos. Na sexta-feira à noite houve uma festa final de encerramento. No sábado, já em Loreto, para além do encontro com o Papa, a tarde foi preenchida com actuações musicais e à noite realizou-se um espectáculo com a participação de Andrea Bocelli. Já de madrugada os estrangeiros fizeram uma visita-relâmpago à Senhora do Loreto. Neste primeiro dia de encontro com os jovens da Itália e do resto da Europa, Bento XVI deixou um convite a não desanimar perante as dificuldades. “Nada é impossível para quem confia em Deus”, assegurou. Durante cerca de três horas, Bento XVI conversou com os jovens e respondeu às suas questões. Perante as dificuldades que os jovens encontram nos dias de hoje, o Papa considerou que “cada jovem deve descobrir o seu caminho com Cristo, de forma a realizar o seu projecto pessoal”. Seguir em frente, quando tudo é tão burocrático e depende dos poderes económicos “é difícil, mas a família é o encontro das gerações e aqui encontram a coragem para caminhar. Devemos dar-lhe esse espaço”. “Devemos formar centros de esperança, justiça e solidariedade que sejam testemunhos para a sociedade moderna. Contra o desespero devemos colaborar solidariamente para os homens possam viver. O mundo em que vivemos deve testemunhar o empenho da juventude. Não basta a nossa força, mas conduzidos pela nossa fé e com a comunhão com Maria e Cristo fazemos algo de essencial”. No discurso que mais tarde dirigiu aos jovens, Bento XVI recordou que se cada um deles permanece unido a Cristo poderá realizar coisas grandes. “É por isso – salientou – que não deveis ter medo de sonhar, de olhos abertos, grandes projectos de bem e não deveis deixar-vos desencorajar pelas dificuldades. Nada é impossível para quem confia em Deus e a Ele se entrega”. Coragem de ir contra-corrente Aos jovens, o Papa pediu-lhes a “coragem da humildade”, de “andar em contra-corrente”, seguindo a via da humildade, e não a do orgulho, da violência e da prepotência. “Caminhai contra-corrente: não escuteis as vozes interesseiras e insinuantes que hoje, de muitas partes, propagandeiam modelos de vida caracterizados pela arrogância e pela violência, pela prepotência e pelo sucesso a qualquer preço, pelo aparecer e pelo ter, em detrimento do ser”, apontou. Na Eucaristia de domingo, em verdadeiro ambiente de festa, Bento XVI exortou os jovens a “preferir as vias alternativas indicadas pelo amor verdadeiro: um estilo de vida sóbrio e solidário, relações afectivas sinceras e puras; um empenho honesto no estudo e no trabalho; profundo interesse pelo bem comum”. Neste contexto, o Papa evocou o exemplo dos Santos, começando por Francisco e Catarina de Sena, padroeiros da Itália, mas também tantos “esplêndidos jovens”, como Gemma Galgani, Gabriel de Nossa Senhora das Dores, Luís Gonzaga, Domingos Sávio, Maria Goretti, Piergiorgio Frassati, Alberto Marvelli. Bento XVI convidou os jovens congregados em Loreto a seguirem “a humildade que o Senhor nos ensinou e que os santos testemunharam, cada um segundo a originalidade da sua vocação pessoal”. “A nossa fé não propõe um conjunto de proibições morais, mas sim um caminho jubiloso à luz do sim de Deus”, afirmou o Papa. De entre “os desafios” a enfrentar para seguir este caminho, o Papa recordou antes de mais o desafio de “seguir Cristo até ao fim, sem reservas nem compromissos. E seguir Cristo significa sentir-se parte viva do seu corpo que é a Igreja. Uma pessoa não se pode dizer discípulo de Jesus se não seguir a sua Igreja”. Antes de concluir a homilia da Missa celebrada na esplanada de Montorso, nos arredores de Loreto, Bento XVI referiu-se à necessidade da salvaguarda da natureza criada. Participação estrangeira Participantes ainda foram cerca de 800 jovens delegados oriundos de lugares como a Dinamarca, Grã-Bretanha, Letónia, Estónia, Argélia, Egipto, Tunísia, Jordânia, Autoridade Palestiniana, Israel e Turquia. Da Ucrânia chegaram representantes de rito latino e greco-católicos, enquanto a delegação líbia era formada por um egípcio, três iraquianos e dois filipinos. Entres as delegações mais numerosas contaram-se a polaca, a portuguesa, a húngara, a francesa, a espanhola, a croata, a grega, a russa e a eslovena. Os 24 peregrinos algarvios ligados às comunidades neocatecumenais, durante o percurso até Loreto e também no regresso procuraram fazer o anúncio do Evangelho pelas várias cidades por onde passaram (Saragoça, Florença e Nice). No dia seguinte ao encontro com o Papa tiveram também um encontro vocacional com os iniciadores do Caminho Neocatecumenal.