Juntaram-se a milhares de pessoas que desafiaram a chuva e que marcaram presença no Santuário, vindas das diversas dioceses, paróquias, movimentos e outros grupos e comunidades cristãs, para dois dias de celebração que tiveram o seu momento alto na Eucaristia dominical. A Eucaristia foi presidida por D. Antoine Audo, Bispo de Alepo para os Caldeus (Síria) que se tem destacado pelo seu empenho no diálogo com o Islão, tendo referido na sua homilia a conversão de um jovem Curdo de origem muçulmana. “Jiwan, baptizado com o nome de João Baptista, chegado à idade de vinte anos, vivia num vazio total, na solidão que é o grande paradoxo da mundialização. Ao ver que um cristão foi excluído da sua escola e catalogado como infiel, encontrou o rosto de Cristo ao ler o Evangelho e tornou se pouco a pouco o bom samaritano deste cristão perseguido. Jiwan viveu uma experiência de conversão”, disse. “De um jovem amargurado com a vida, sacudido pelos ventos dos fanatismos e dos medos, tornou se um jovem atento aos outros, membro vivo de uma comunidade cristã, testemunha da graça que o transformou. Doravante Jiwan usa o nome de João Baptista, caminhando no seguimento de Cristo e chamando outros jovens a encontrar Jesus”, acrescentou. Para o Bispo sírio, “numa Europa cada vez mais secularizada, e que exclui o próprio Cristo, a Igreja e os cristãos, fixemo-nos na coragem deste jovem que, por causa da exclusão e do ódio, acaba por encontrar o amor de Jesus, amor de comunhão e de liberdade”. No início da celebração, D. António Marto salientou a importância desta peregrinação “não só no sentido de um caminho exterior, em direcção aos lugares paulinos, mas sobretudo, do coração, com São Paulo até Jesus Cristo”. O Bispo de Leiria-Fátima referiu que este é um momento de “peregrinação interior às fontes da fé e às origens do Cristinanismo”, particularmente manifestada no convite dirigido “a um Bispo da Síria e da Igreja dos Caldeus” para presidir a esta peregrinação. São Paulo nasceu em Tarso, na Turquia, muito perto de Alepo, e a sua conversão, festa celebrada este Domingo, aconteceu às portas de Damasco, capital da Síria. “Nesta região tão provada do Médio Oriente, os cristãos vivem lado a lado com os muçulmanos, em diferentes países dilacerados por guerras: Israel e Palestina; Iraque ensanguentado por conflitos étnicos e religiosos e onde os cristãos, nomeadamente da Igreja dos Caldeus, estão ameaçados de desaparecer; enfim, o Líbano, assediado entre guerra e lutando pela paz”, elencou D. Audo. Para D. Antoine Audo, os cristãos do Médio Oriente “querem ler a experiência da conversão de São Paulo”, que, lembrou, é, também, “um grito de esperança lançado a toda a Igreja”. Aos peregrinos, o Bispo de Alepo exortou, também, para que se deixem “alcançar por esta graça de conversão”. Todas as dioceses de Portugal estiveram representadas, tendo a Eucaristia sido concelebrada por 25 bispos, incluindo o novo Núncio Apostólico em Portugal, D. Rino Passigato, que esteve oficialmente, pela primeira vez no Santuário de Fátima, e por 200 padres. À imagem da colecta feita por São Paulo para a Igreja de Jerusalém, as ofertas dos cristãos de Portugal durante a celebração Eucarística de 25 de Janeiro foram entregues ao Bispo sírio convidado a presidir à celebração nacional no Santuário de Fátima, para entrega à Conferência Episcopal da Síria. Para além da oferta monetária resultante do ofertório realizado durante a celebração Eucarística, subiram ao altar inúmeras ofertas representativas da amizade e da generosidade dos portugueses para com os seus irmãos, os cristãos sírios. Num longo cortejo desde Capelinha das Aparições, representantes das dioceses de Portugal levaram as ofertas de cada uma até ao altar do Recinto de Oração e entregaram nas mãos de D. Antoine Audo produtos regionais e artesanato, flores e frutos das várias regiões do país e também quadros, tapeçarias, estandartes e documentos pastorais, oferecidos à Síria em sinal de comunhão e solidariedade cristã. O Algarve ofereceu uma típica chaminé e um cesto com frutos secos e flor de amendoeira.