João Centeno começou por salientar que é preciso "mostrar às pessoas que o mundo evoluiu em 2000 anos, no sentido de proteger a vida e os fracos". "Nós sim, estamos a ajudar aqueles que precisam, através do trabalho diário das organizações e não apenas nos referendos", afirmou. O advogado questionou a associação, por vezes feita, entre a liberalização do aborto e a evolução de um país. "Ainda me hão-de explicar porque é que uma sociedade se desenvolve com o aborto. A menos que seja porque a indústria do aborto, segundo consta, é a sétima mais rentável de Espanha", concluiu. Mostrando-se desfavorável à penalização das mulheres, aquele responsável do ‘Algarve pela Vida’ lembrou que "há formas de condenação que não passam pela prisão". "Por exemplo, no caso de uma ofensa corporal simples que dá prisão até 3 anos, eu pergunto: consideram justo alguém ser preso por dar uma chapada a outra pessoa? É menos grave e no entanto a pena é a mesma. Matar um lince da Malcata tem a mesma pena, porque é um animal protegido, e vem nos crimes contra a natureza. Alguém considera que alguém deve ser preso por matar um animal desta espécie? O código penal tem soluções e sempre prevalece as medidas não privativas da liberdade como a pena suspensa, a isenção de pena, ou a suspensão provisória do processo", afirmou. Ester Coelho recordou ainda que o movimento ‘Independentes pelo Não’ perguntou ao Ministro da Justiça, Alberto Costa, quantas mulheres cumpriram pena de prisão efectiva em Portugal nos últimos 10 anos, ao que o governante respondeu não haver qualquer prisão durante esse período de tempo. Aquela profissional de saúde considera que a real problemática do aborto prende-se com a ausência de "estrutura de planeamento familiar, com um ginecologista, um psicólogo, um assistente social e um médico de planeamento familiar". "Nem tão pouco são garantidos os anti-conceptivos", constata Ester Coelho, considerando que "aí é que é preciso desenvolver políticas para prevenir que o aborto seja uma realidade social e aprender com aqueles que já têm há 30 anos de aborto livre nos seus países e que agora se juntam para dizer: basta!". "Esta lei dará oportunidade ao enriquecimento fácil das clínicas de aborto que vão abrir e muitas mu-lheres continuarão a tomar comprimidos para abortar, dirigindo-se depois ao hospital dizendo que estão com uma hemorragia", referiu Ester Coelho. Luís Henriques testemunhou o trabalho realizado nos últimos 9 anos em prol das mulheres mais necessitadas, através do SOS Vida que apoiou o nascimento de cerca de 400 bebés, e a criação do Lar da Mãe que tem acolhido muitas situações difíceis.