Depois da aprovação dos programas, vai proceder-se à elaboração dos respectivos materiais para a sua implementação – manual e caderno do aluno, manual do professor –, entre outros que se considerem pertinentes. No entanto, o SNEC – Secretariado Nacional de Educação Cristã entendeu testar já no próximo ano lectivo de 2007/2008 alguns programas, sendo que os primeiros a serem experimentados serão os anos 1º, 5º, 7º e 10º e para isso serão implementados em escolas piloto, já no decorrer do próximo ano lectivo de 2007/2008. A diocese do Algarve foi escolhida para fazer a experimentação do 7 º ano e a docente eleita pelo SDEIE – Secretariado Diocesano do Ensino da Igreja nas Escolas foi a professora Carla Sabino, a leccionar na Escola EB 2.3 de Castro Marim, que já aceitou a proposta. A professora deverá aplicar apenas o programa numa turma piloto. Edite Azinheira, coordenadora do SDEIE, explica que a escolha do docente “foi posto à consideração dos restantes colegas da diocese” e que “muitos sugeriram” a professora eleita. Aquela responsável justifica ainda que um dos aspectos que contribuiu para a sua escolha foi o facto de já ter leccionado a disciplina de Didáctica no CEFLA – Centro de Estudos e Formação de Leigos do Algarve. Edite Azinheira acrescenta ainda que Carla Sabino é grande entusiasta da revisão dos programas da disciplina de EMRC e que a docente “reúne várias condições” para o desempenho desta tarefa. “É uma pessoa que nós consideramos ter competência para esta missão. É efectiva, da disciplina e licenciada nesta área”, complementa. Aquela responsável esclarece ainda que o 3º ciclo foi a segunda prioridade apontada pelo SDEIE à solicitação do SNEC. As equipas que produzirão os materiais e que irão trabalhar, durante o próximo ano lectivo, em estreita ligação às escolas piloto estão “a ser preparadas”, explica Jorge Paulo, responsável do departamento de EMRC do SNEC. Haverá formadores para realizar a formação em ateliers a 20 formandos. Do Algarve, Luís Perpétuo Martins, do SDEIE, ficará responsável pelo grupo do 2º ciclo, que compreende formandos de Coimbra, Évora e Lisboa, e Anabela Nobre, também do SDEIE, pelo grupo do 1º ciclo. Os trabalhos realizados serão avaliados e enviados para a Universidade Católica Portuguesa que homologará as notas e lançará as pautas. Luís Perpétuo Martins explica que o material produzido nesta formação será “usado para a produção dos manuais”. Os professores eleitos para realizar este ano experimental serão acompanhados por elementos dos secretariados diocesanos das respectivas dioceses. No caso do Algarve será Luís Perpétuo Martins a fazer esse acompanhamento. Jorge Paulo explica que com este ano experimental será “possível a adequação dos materiais e que haja um constante feedback sobre o programa por parte de alunos e professores”. Estas “reacções são fundamentais para melhorarmos os recursos”, considera, acrescentando que em 2008 prevê-se a aplicação dos manuais preparados “em todas as escolas e para todos os alunos”. No ano seguinte, 2008/2009, vai experimentar-se a aplicação dos materiais dos anos 2º, 6º, 8º e 11º, “tudo de forma faseada para que os materiais sejam produzidos com consistência, tendo em conta a reacção das escolas, e que haja tempo para uma adaptação das pessoas ao novo programa”, elucida o responsável do SNEC. Os programas de EMRC serão ainda apresentados aos professores, num Fórum a decorrer nos dias 6, 7 e 8 de Setembro, em Fátima, estando já inscritos da diocese do Algarve 35 docentes. O êxito da disciplina, segundo Jorge Paulo, depende da relação dos professores com os seus alunos, “relação pedagógica, do despertar o interesse dos alunos, da mobilização da escola e do desenvolver actividades interessantes a nível pedagógico e que responda aos interesses e necessidades dos alunos”. A somar a isto, a EMRC depende também da “qualidade dos materiais à disposição dos alunos, que no fundo são a imagem da disciplina perante os pais, a escola e os colegas”. A aposta nas novas tecnologias, não apenas no manual “em papel, mas na sua interacção com a Internet são aspectos cruciais para desenvolver nos alunos a sua apetência pela disciplina”, explica o responsável do departamento de EMRC. De qualquer forma, “o próprio programa perspectiva vários contactos de trabalho inter-disciplinar na escola”, sendo este um factor essencial para que os alunos percebam que EMRC, a par doutras disciplinas, não é “um compartimento estanque mas está relacionada com outras áreas de saber”, explica Jorge Paulo, “não esquecendo a perspectiva ética e moral, orientada a partir da perspectiva religiosa”. A arte é também uma aposta, “sublinhando o aspecto simbólico e artístico do religioso, que até agora se encontrava descurado no programa”. A adaptação à realidade portuguesa e aos desafios que a educação manifesta é o objectivo da disciplina, de forma a “tornar interessante para os alunos a abordagem religiosa”, nomeadamente a abordagem cristã “mas na perspectiva de relação com a sua própria vida e com o âmbito das outras áreas do saber”, porque, sublinha o responsável do SNEC, “é impossível leccionar literatura sem recurso à cultura religiosa”. Uma questão que não está equacionada, nem posta em prática, “pois a cultura religiosa é essencial para perceber as outras áreas, como história ou a literatura”, acontecendo mesmo casos em que os professores não estão dotados de “formação teológica adequada para contextualizar determinados conteúdos”. O professor de EMRC deve ser “um apoio e uma mais valia nos conteúdos”, afirma Jorge Paulo. Depois de um ano lectivo conturbado, onde não se percebeu o lugar da disciplina curricular de EMRC dentro do próprio currículo, “o novo ano não se perspectiva muito diferente”, explica. Razões que se prendem com a dificuldade em concertar o diálogo entre o Ministério da Educação e a Igreja com vista à clarificação e enquadramento da disciplina no sistema educativo. “A nova legislação vai saindo, esquece o lugar de EMRC e retira-lhe espaço”, devido às actividades de enriquecimento curricular que “são adicionais”. “Não há condições para que se possa desenvolver um trabalho sério junto das escolas e dos alunos, parecendo um menosprezar da disciplina”, lamenta, apesar de, do ponto de vista legal, a EMRC se manter uma disciplina curricular. “A produção de novos manuais mais do que urgente, é gritante” Licenciada em Ciências Religiosas, Carla Sabino, a professora escolhida para fazer a experiência piloto com o novo programa do 7º ano de EMRC no Algarve garante que o que a levou a aceitar o desafio “foi sobretudo o facto de não cair na rotina de todos os anos fazer as mesmas coisas” e considera que a produção de novos manuais, “mais do que urgente, é gritante”. Confessando-se um “bocadinho cansada” de ter há 14 anos, – tantos como os que tem de serviço –, os mesmos manuais de EMRC para leccionar os anos 5º, 7º, 8º e 9º, lembrou o contraste que existe ao nível do apoio no ensino de outras disciplinas. “Todos os anos chegam às escolas, enviados por imensas editoras, muitos manuais com cd’s, filmes e outros materiais de apoio e os colegas de outras disciplinas têm de seleccionar o melhor de todos e nós andamos há 14 anos com os mesmos livros, que esteticamente estão desactualizados, não são apelativos aos alunos e por vezes até têm erros de impressão”, constata. Para tentar contrariar esta realidade a docente explica que se socorre de muitos trabalhos que fez no ano de estágio. “O que eu faço é escrever textos e produzir apresentações e canções da minha autoria, material adaptado aos manuais que nunca dispenso”, refere, acrescentando que “trabalhar hoje em dia no ensino sem apoio e referência às novas tecnologias também não pode ser”. Sobre o antigo programa do 7º ano considera que “estava muito bem elaborado”, reforçando que “o manual é que estava desactualizado”. Pessoalmente espera que a experiência que a aguarda no próximo ano lectivo seja “positiva” e que constitua “um ano de crescimento” para si, como professora.