A jovem algarvia, que esteve a leccionar aulas de Química e de Educação Cívica e Moral, explica que a missão foi “um sonho antigo que se tornou realidade”. “No início, claro que não foi fácil”, confessa, lembrando as naturais dificuldades de integração num “país diferente com pessoas diferentes” e com uma “cultura diferente”. “Quando saímos daqui vamos sempre com muita vontade de «fazer», no entanto, ao chegar lá, percebemos que mais importante do que «fazer» é «estar»”, testemunha. Apesar das dificuldades iniciais, Sandra Fagundes destaca a importância do tempo que despendeu inicialmente apenas para “conhecer as pessoas e a cultura” e para que também a conhecessem. Com o começo das aulas, o seu tempo ficou mais ocupado. Para além da leccionação prestou igualmente apoio escolar a meninas que frequentavam o 6º e 7º ano de escolaridade. “Foi bastante cansativo porque o maior apoio de que precisam é no Português. Como não é a minha área, por vezes tive de estudar Português”, recorda, garantindo ter gostado da experiência, apesar de cansativa. A nível pastoral, trabalhou com jovens, embora aqui a sua grande limitação tenha sido a linguagem. “Como os encontros são em Macua [dialecto falado no Norte de Moçambique] tenho de ser sempre acompanhada de um tradutor”, concretizou. Sublinhando que o povo de Moçambique “é muito bom”, assegura ter sido muito bem acolhida e ter aprendido muita coisa com os moçambicanos. “Viver em África é viver de uma maneira muito mais simples, dando mais importância às pessoas e ao que realmente devíamos dar valor na vida e não tanto às coisas materiais ou ao dinheiro”, explica. A jovem missionária algarvia afirma que um dos aspectos que mais a sensibilizou foi a maneira como os moçambicanos acolhem os visitantes nas suas casas. Nunca nos deixam vir embora sem nada. “No início sentia-me mal porque sabia que aquilo que me davam lhes ia fazer falta, mas depois percebi que oferecem-no com todo o carinho e seria uma ofensa se não recebesse”, refere. “A sua simplicidade e o seu constante sorriso faz-me ganhar força e coragem para continuar a dar o máximo de mim a este povo maravilhoso”, acrescenta. Sobre quando voltará ao Algarve não adianta muito, sublinhando apenas a importância da continuidade do trabalho iniciado em Moçambique. “Ao fim deste tempo, percebi que um ano é pouco. Apenas agora começo a perceber a cultura, podendo então melhorar a minha ajuda. Este ano vou tentar continuar a dar o máximo de mim ao povo moçambicano pelo qual me apaixonei”, conclui com serenidade.